NOTÍCIAS
20/03/2020 13:47 -03

Witzel diz que governo federal está a 'passos de tartaruga' e 'faz política' com coronavírus

Em entrevista à GloboNews nesta sexta (20), governador do Rio respondeu às críticas de Bolsonaro; Para presidente, governadores têm tomado medidas 'extremadas'.

NurPhoto via Getty Images
Governador tornou-se rival de Bolsonaro em meio às investigações do caso Flávio Bolsonaro. 

Criticado quase que diariamente pelo presidente Jair Bolsonaro, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (20) que o governo federal tem “feito política” com a pandemia do coronavírus

“Eu peço, pelo amor de Deus. Não é hora de fazer política. É hora de falar na sobrevivência das pessoas. Se não fizermos dessa forma, vamos começar a contabilizar mortos, como infelizmente começamos a contabilizar. O governo federal precisa entender que os estados precisam de socorro e precisa fazer alguma coisa”, disse Witzel em resposta ao questionamento sobre ataques de Bolsonaro a um decreto que editou na quinta (19) restringindo o acesso ao Rio por via terrestre e aérea. 

Questionado se seu decreto não era uma forma de “fazer política”, Wilson Witzel negou e disse que o Rio chegou em um estágio “drástico de saúde coletiva”. “Foi para não haver responsabilização de seus agentes por omissão. Enquanto os estados estão desesperados e a mil por hora para conter o vírus, o governo federal está a passos de tartaruga. Fiz o decreto e dei ciência das medidas que serão realizadas. É preciso acabar com essas atitudes antidemocráticas e conversar com os governadores”. 

Nesta manhã, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente voltou a dizer que as medidas que vêm sendo adotadas por alguns governadores são “extremadas” e, como de costume, mencionou o Rio de Janeiro, sem citar o nome do governador. “Fechar aeroportos… Não compete a eles fechar aeroporto, rodovias, shopping, feiras, etc. O comércio para, o pessoal não tem o que comer. Em alguns casos o vírus mata sim, mas muitos mortos terão sem comida”, afirmou Bolsonaro. 

Na entrevista, Witzel lamentou ainda a falta de diálogo com o governo federal e mencionou uma carta enviada pelos chefes dos Executivos estaduais na quinta. “Ontem á tarde tentei contato com ministro da Infraestrutura [Tarcísio Gomes]. A secretária atendeu e disse que ele retornaria. Estou esperando retorno até agora. É muito difícil assim.”

Na carta enviada, os governadores fazem uma série de solicitações, entre elas, repasse de recursos e ampliação do prazo para pagar dívidas.

Witzel fez campanha para o mandatário ao lado do primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), mas tornou-se um dos seus principais rivais à medida que começaram a avançar as investigações do Ministério Público do estado sobre o caso da “rachadinha” sobre o filho do presidente. A partir de então, Bolsonaro começou a acusar o ex-aliado de interferir no assunto. 

O coronavírus chegou ao Brasil no dia 25 de fevereiro e somente nesta segunda (16) o presidente Jair Bolsonaro determinou a instalação de um gabinete de crise interministerial, sob coordenação da Casa Civil, do general Walter Braga Netto. Ele repetiu várias vezes que havia uma “histeria” sobre o alastramento do coronavírus.

Esta manhã, o presidente voltou a afirmar que era inevitável que o Brasil passasse pelo surto de coronavírus. 

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost