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23/09/2019 16:19 -03 | Atualizado 23/09/2019 16:19 -03

Caso Ágatha: ‘Não é porque nós temos um fato terrível que vamos parar o Estado’, diz Witzel

Após quase três dias de silêncio, o governador do Rio de Janeiro lamentou o assassinato da menina de 8 anos, mas disse que sua política de segurança tem tido sucesso.

Bruna Prado via Getty Images
No ano passado, já eleito para o governo, Witzel prometeu que atiradores mirariam na “cabecinha (de criminosos) e… fogo”.

Quase três dias após o assassinato Ágatha Félix, que levou um tiro de fuzil pelas costas, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, quebrou o silêncio para lamentar a morte da menina de 8 anos e reiterar sua defesa à política de segurança do estado. Política, a qual tem sido alvo de inúmeras criticas e chamada de “política de extermínio”.

Embora dados da ONG fogo Cruzado apontam 16 crianças baleadas na região metropolitana do Rio neste ano, com cinco casos que terminaram em morte, o governador afirmou que está conseguindo combater a criminalidade e que os homicídios estão diminuindo.

Se não estivéssemos trabalhando como estamos trabalhando nos teríamos cerca de outras 800 mortes.

“E isso vem sendo sentido nas ruas. A nossa missão é resgatar o Estado do RJ das mãos do crime organizado. O resultado está aparecendo de forma satisfatória. O narcotráfico utiliza as comunidades como escudo. Atiram em policiais e nas pessoas. O crime organizado tem mantido a barbárie como uma de suas bandeiras. Nós estamos conseguindo combater porque os policiais militares e civis estão trabalhando”, afirmou.

No ano passado, já eleito para o governo, Witzel prometeu que atiradores mirariam na “cabecinha (de criminosos) e… fogo”. Essa era sua proposta para diminuir o número de “bandidos de fuzil em circulação”.

A morte de Ágatha é emblemática, especialmente pela história que a cerca. A menina estava ao lado da mãe dentro de uma kombi, a caminho de casa, no Complexo do Alemão. A justificativa oficial é de que havia um confronto entre a Polícia Militar e criminosos.

A versão, no entanto, é questionada. Ao Fantástico, o motorista da kombi foi categórico ao chamar de “mentira” a versão da polícia: “Não teve tiroteio nenhum; foram dois disparos que ele [policial] deu”.

Getty Editorial
Protestors make their way to the funeral of eight-year-old Agatha Sales Felix, who was killed by a stray bullet during a police operation at the Alemao complex slum, in Rio de Janeiro, Brazil, on September 22, 2019. - Felix died during a confrontation between alleged drug traffickers and police officers on September 21. (Photo by Carl DE SOUZA / AFP) (Photo credit should read CARL DE SOUZA/AFP/Getty Images)

Nesta segunda, Witzel culpou o crime organizado e lamentou:

“A dor de uma família não se consegue expressar. Eu também sou pai e tenho uma filha de 9 anos. Não posso dizer que sei o tamanho da dor que os pais da menina estão sentindo. Jamais gostaria de passar por um momento como esse. Tem sido difícil ver a dor das famílias que tem seus entes queridos mortos pelo crime organizado”.

Eu presto minha solidariedade aos pais da menina Ágatha. Que Deus abençoe o anjo que nos deixou.

Witzel continuou: “Não sou um desalmado. Eu sou uma pessoa de sentimento. Eu sou uma pessoa como qualquer um de nós aqui. Agora, não é porque nós temos um fato terrível como esse que vamos parar o Estado”.

O caso está em investigação. A bala foi retirada do corpo da menina e será periciada no Instituto de Criminalística Carlos Éboli.