LGBT
14/11/2019 06:00 -03

Melhor amiga de Whitney Houston fala abertamente sobre bissexualidade da cantora

Robyn Crawford disse que ela e a cantora falecida nunca falavam “sobre rótulos, tipo lésbica ou gay”.

Mark Peterson / Reuters

Especulações correram soltas durante anos, mas agora Robyn Crawford, grande amiga de Whitney Houston por anos, finalmente está lançando luz sobre seu relacionamento com a superestrela premiada e vencedora do Grammy.

Em uma autobiografia recém-lançada, A Song For You: My Life With Whitney Houston (Uma canção para você: Minha vida com Whitney Houston), Crawford fala extensamente sobre os anos em que trabalhou para a cantora, primeiro como assistente e depois como sua diretora criativa. E revela que ela e a estrela de O Guarda-Costas foram parceiras românticas no início dos anos 1980.

“Cheguei a um ponto em que senti a necessidade de defender nossa amizade”, ela escreve no livro, explicando por que está contando a história delas agora, segundo trechos que saíram na People recentemente. “E senti a urgência de compartilhar quem foi a mulher por trás daquele talento incrível.”

Crawford e Houston se conheceram quando eram adolescentes, trabalhando juntas em um centro comunitário em East Orange, Nova Jersey. Em pouco tempo elas se tornaram inseparáveis. E, segundo Crawford, a relação entre elas acabou se tornando o que ela chamou de “física”.

“Nunca falávamos de rótulos, como lésbica ou gay”, escreve Crawford. “Apenas vivíamos a vida, e eu torcia para que pudesse continuar como estava para sempre”. Mais tarde ela prossegue: “Whitney sabia que eu a amava e eu sei que ela me amava. Éramos tudo uma para a outra. Juramos ficar ao lado uma da outra”.

De acordo com Crawford, o aspecto físico do relacionamento das duas terminou pouco antes de Houston assinar contrato com Clive Davis, da gravadora Arista Records, em 1983. Ela disse que quando lhe deu a notícia, Houston lhe entregou uma Bíblia de presente.

“Ela disse que não devíamos mais ter um relacionamento físico, porque isso dificultaria nossa jornada ainda mais”, ela conta, acrescentando que a pressão vinda da mãe da cantora, Cissy Houston, não as ajudava. “Disse que, se as pessoas descobrissem sobre nós duas, utilizariam isso contra a gente. Naquela época, anos 1980, o clima era exatamente esse.”

Whitney Houston morreu em 2012, aos 48 anos. Em vida, ela negou relatos de que seria gay ou bissexual. “Veja bem”, ela disse à Out em 2000. “Fui muito criticada por coisas que não fiz. Isso porque eu tinha amigas, porque tenho amizade com pessoas. Mas essa não sou eu. Eu sei quem sou. Sou mãe. Sou mulher. Sou heterossexual. Ponto final.”

As tentativas de mergulhar mais fundo no relacionamento entre Houston e Crawford – que hoje trabalha como instrutora de fitness e é lésbica – continuaram nos anos passados desde a morte da pop star. Dois documentários (Whitney: Can I Be Me, de 2017, e Whitney, de 2018), confirmaram que Houston e Crawford tiveram um relacionamento amoroso. Várias fontes consultadas no segundo livro descreveram a sexualidade de Houston como sendo “fluida”.

Em sua autobiografia publicada em 2016, Bobby Brown, que foi casado com Houston entre 1992 e 2007, disse que sabia que a pop star era bissexual.

Falando ao US Weekly no mesmo ano, o cantor chegou a sugerir que as coisas poderiam ter sido diferentes para Houston se ela tivesse sido autorizada a viver sua própria verdade.

“Tenho realmente a impressão de que, se Robyn tivesse sido aceita na vida de Whitney, Whitney estaria viva até hoje”, falou Brown. “Ela não tinha mais amigas íntimas do seu lado.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.