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18/06/2019 10:02 -03 | Atualizado 18/06/2019 10:06 -03

WhatsApp cortou linhas usadas para mensagens pró-Bolsonaro em massa, diz jornal

Segundo a Folha, dono de agência espanhola confirma que clientes fizeram disparos a favor do então candidato na campanha.

Adriano Machado / Reuters
Não há indícios de que Bolsonaro ou sua equipe contrataram empresa Enviawhatsapps.

A Folha de S.Paulo mostra nesta terça-feira (18) que o WhatsApp cortou linhas usadas em disparos pró-Bolsonaro em massa durante a campanha eleitoral de 2018. O aplicativo puniu a prática de contas da Enviawhatsapps, agência de marketing digital na Espanha contratada por usuários brasileiros, por “mau uso”. 

O jornal obteve áudio do dono da Enviawhatsapps, Luis Novoa, em que ele conta que “empresas, açougues e lavadoras de carro” adquiriram o software de sua agência para o envio automático de milhares de mensagens fazendo propaganda política do então candidato do PSL, Jair Bolsonaro. 

Seriam cerca de 40 licenças compradas para o envio de dezenas de milhares de textos. Cada licença custa entre 89 euros por mês e 500 euros por ano.

Segundo a Folha, não há indicações de que Bolsonaro ou sua campanha tenham contratado a agência Enviawhatsapps. Entretanto, as revelações sobre Novoa reforçam a denúncia feita pela Folha em outubro do ano passado de que empresários bancaram disparos eleitorais no WhatsApp — contra o PT.

Nas gravações, Novoa diz que não sabia que seu software contratado no Brasil estava sendo utilizado para fins de campanha eleitoral. Ele só teria tomado conhecimento quando notou que “começaram a cortar nossas linhas”.

O impulsionamento em redes sociais, durante a campanha eleitoral, só pode ser feito por partidos, coligações e candidatos. Empresas estão proibidas de fazer doações para campanhas. Além disso, o uso de ferramentas de automatização de mensagens é vedado pela lei eleitoral. Portanto, a contratação das licenças da Enviawhatsapps por empresas para difundir mensagens a favor de Bolsonaro é ilegal.

Nesta terça, o presidente disse que houve “milhões de mensagens” a favor e contra a campanha dele. O comentário foi feito durante a posse do novo secretário de governo, general Luiz Eduardo Ramos.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu investigação sobre a denúncia da Folha do ano passado. Mas, oito meses depois, ninguém prestou depoimento sobre os disparos de mensagem em massa contra o PT.

Em março deste ano, o TSE multou a campanha do principal oponente de Bolsonaro, Fernando Haddad, pelo impulsionamento de conteúdo negativo sobre Bolsonaro no Google.