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22/05/2020 18:11 -03

Weintraub: 'Odeio o termo “povos indígenas”. Vamos acabar com esse negócio de povos e privilégios'

Em reunião interministerial de 22 de abril, chefe do MEC também se referiu aos ministros do STF como "vagabundos" e disse que, por ele, "botava todos [os ministros] na cadeia".

EVARISTO SA via Getty Images
Ministro da Educação: “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, criticou o termo “povos indígenas”, afirmando que é necessário acabar com “esse negócio de povos e privilégios”. A declaração ocorreu há um mês, na reunião interministerial de 22 de abril, cuja íntegra foi liberada nesta sexta-feira (22) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. A gravação faz parte do inquérito que apura as acusações feitas pelo ex-ministro Sergio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro. 

“Odeio o termo ‘povos indígenas’, odeio esse termo. Odeio. O ‘povo cigano’. Só tem um povo neste País. Quer, quer. Não quer, sai de ré. É povo brasileiro, só tem um povo. Pode ser preto, pode ser branco, pode ser japonês, pode ser descendente de índio, mas tem que ser brasileiro, pô! [Vamos] Acabar com esse negócio de povos e privilégios. Só pode ter um povo, não pode ter ministro que acha que é melhor do que o povo. Do que o cidadão”, disse Weintraub. 

Como já havia sido destacado por participantes da reunião, o chefe do MEC também se dirigiu de forma agressiva ao Supremo e chegou a falar em prender os magistrados: “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”.

O ministro afirmou ter se aproximado do presidente Jair Bolsonaro há 3 anos, sem nunca ter pedido privilégios e que entrou no governo em busca de “liberdade”. “Eu acho que a gente tá perdendo um pouco desse espírito. A gente tá perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo tá gritando. Não tá gritando pra ter mais Estado, pra ter mais projetos, pra ter mais... O povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo, tá perdendo mesmo. O povo tá querendo ver o que me trouxe até aqui.”

Comparando o atentado a faca sofrido pelo chefe na campanha presidencial de 2018 e as recorrentes críticas que recebe, além de representação ao Conselho de Ética na Presidência e ação no STF, Weintraub afirmou: “também tô levando bordoada e tô correndo risco”. 

“Eu percebo que tem muita gente com agenda própria. Eu percebo que tem, assim, tem o jogo que é jogado aqui, mas eu não vim pra jogar o jogo. Eu vim aqui pra lutar. E eu luto e me ferro. Eu tô com um monte de processo aqui no Comitê de Ética da Presidência. Eu sou o único que levou processo aqui. Isso é um absurdo o que tá acontecendo aqui no Brasil. A gente tá conversando com quem a gente tinha que lutar. A gente não tá sendo duro o bastante contra os privilégios, com o tamanho do Estado e é o .. eu realmente tô aqui - o aberto, como cês sabem disso, levo tiro... Odeio... Odeio o partido comunista. Ele tá querendo transformar a gente numa colônia”, destacou. 

Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF.

Na sequência, Bolsonaro completou que, aos 65 anos, “a gente vai se aproximando de quem não deve”. O presidente tem negociado cargos com o centrão, em troca de apoio político. Para se eleger, prometeu se afastar do “toma lá, dá cá”.

“Eu já tenho que me policiar no tocante a isso daí”, disse o mandatário, e acrescentou: “São pessoas aqui em Brasília, dos três poderes, que não sabem o que é povo. Eu converso com alguns, não sabe o que é o feijão com arroz, não sabe o que é um supermercado. Esqueceu. Acha que o dinheiro cai do céu: ‘Eu tô com os meus privilégios garantidos, meus cem mil por mês’. Em média, cem mil por mês que essa galera ganha, né? Legalmente. E acha que isso não vai acabar nunca.”