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28/01/2020 14:37 -03

Em dia decisivo, Weintraub é advertido por faltar com decoro no cargo

Punição partiu da Comissão de Ética da Presidência. Nesta terça, o ministro conversa com Bolsonaro sobre falhas no Enem.

Adriano Machado / Reuters
Ministro comparou ex-presidentes Lula e Dilma a entorpecente quando foi encontrada cocaína em voo de Bolsonaro ao Japão, em junho de 2019. 

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu, por unanimidade, aplicar uma advertência ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. Segundo o colegiado, o chefe da pasta feriu o Código de Conduta da Alta Administração, faltando com o decoro do cargo. 

A conclusão refere-se a postagens que o ministro fez em suas redes sociais em junho, quando comparou os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff à cocaína encontrada no avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que integrou a comitiva presidencial ao Japão. 

A droga estava em uma mala que pertencia ao sargento Manoel Silva Rodrigues, que foi preso. 

O ministro escreveu que o avião já havia transportado “drogas em maior quantidade” e ainda se referiu aos petistas, novamente associando-os ao entorpecente. 

O relator, na Comissão de Ética da Presidência, Erick Biill Vidigal, votou pela aplicação da advertência e recomendou que Abraham Weintraub se atente aos padrões éticos em vigor, e foi seguido pelos demais integrantes do colegiado.  

Segundo o presidente da comissão, Paulo Henrique Lucon, a punição tem papel “prevalentemente pedagógico”. “Nós fizemos a recomendação de advertência e entendemos que aquilo que ele aplicou esbarra no decoro previsto na legislação pertinente”, concluiu.

Dia decisivo

Ainda nesta terça, o ministro deve se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, que chegou esta manhã da Índia, para explicar sobre os problemas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O encontro pode ser decisivo para seu futuro. 

No sábado (18), Abraham disse terem sido encontradas “inconsistências na contabilização e correção da segunda prova do ano passado”. Segundo o ministro, a gráfica responsável “descasou” cerca de 0,1% das provas com o cartão de resposta. Embora o MEC tenha dito que o problema já tenha sido corrigido, a Justiça mandou suspender o resultado do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), no qual os estudantes concorrem a vagas em universidades com base nas notas do Enem.

Mais cedo, na porta do Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que esse tipo de situação é inadmissível, mas levantou a hipótese de “sabotagem”. “O Enem está complicado. Eu estou conversando com ele [ministro da Educação] para ver se foi alguma falha nossa, falha humana, sabotagem, seja lá o que for. Temos que chegar no final da linha e apurar isso. E nós sabemos que tudo está na mesa. Eu não quero me precipitar dizendo o que deve ter acontecido com o Enem”, disse Bolsonaro.  

A pressão sob Weintraub é grande. Há cobranças pela demissão do chefe do MEC. Entre as inúmeras justificativas, sobressai o seu temperamento que, segundo aliados e críticos, tem “atrapalhado” a condução de políticas públicas na pasta e gerado muitos impasses “considerados desnecessários”.

Palacianos afirmam, ainda, que Bolsonaro estaria insatisfeito com o fato de as escolas cívico-militares, uma de suas apostas, não terem sido completamente implementadas. As falhas no Enem, acreditam, podem ser “a gota d’água”. Outra ala, porém, acredita que a hipótese de sabotagem pode “salvar Weintraub mais uma vez”.