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11/02/2020 19:02 -03

'Ninguém deixou de entrar na faculdade' por erros no Enem, diz ministro da Educação

Segundo Weintraub, houve 'chuva de fake news' sobre os erros do exame e a imprensa e parlamentares 'adotaram uma linha extremamente terrorista' para noticiar o problema.

Adriano Machado / Reuters
“Teve uma chuva de fake news, mas eu já estou acostumado”, afirmou o ministro sobre o Enem.  

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse, em audiência na Comissão de Educação do Senado nesta terça (11), que as falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não foram “estatisticamente significativas” e que “não houve perda de oportunidade de ingressar na universidade”.

“Ninguém deixou de entrar na faculdade por causa evidentemente nada que tenha acontecido nesse último Enem”, disse o ministro ao ser questionado por senadores.

Segundo ele, “5.100 pessoas do universo de 4 milhões individualmente são relevantes, mas estatisticamente não é significativo”. “Quando falamos que estatisticamente não é significativo, significa que é zero o impacto.”

Weintraub voltou a dizer que este “foi o melhor Enem de todos os tempos”, “com menor índice de problemas e de menor impacto”, e criticou a “chuva de fake news” sobre a prova.

“Teve uma chuva de fake news, mas eu já estou acostumado”, afirmou.

Segundo ele, muito do que foi noticiado é “maldade”, “distorção” e “mentira”. Ele atribuiu essas informações falsas a alguns parlamentares, alguns grupos econômicos e algumas famílias que, segundo o ministro, “controlam 70% da mídia”. Para Weintraub, esses grupos “adotaram uma linha extremamente terrorista” para noticiar o problema.

“Não estou falando que não teve erro nenhum. Só tem um Enem que vai ser melhor do que esse: o deste ano”, declarou.

Weintraub foi criticado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que disse que o ministro violou “todos os princípios que regem a administração pública:  legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

Contarato leu tuítes de Weintraub em que, já como ministro, respondeu de forma grosseira a internautas.

“Decoro não é erudição, é o mínimo de respeito”, disse o senador, que chegou a desafiar o ministro a repetir as ofensas na frente de famílias e crianças.

Reprodução/ Twitter
Contarato leu essas postagens do ministro no Twitter, durante sessão no Senado.

Em resposta, o ministro defendeu os xingamentos com os quais revida as críticas nas redes sociais. Segundo ele, mais importante que o bom trato pessoal é não desviar recurso público.

“Maior prova de decoro e dignidade é não roubar, está inclusive no Velho Testamento. Esse tipo de coisa muito básica, eu respeito profundamente, como a família e a família dos outros”, disse. 

Ele também disse que não mudou de comportamento desde que foi nomeado ministro. Afirmou que continua a frequentar os mesmos lugares e que prefere manter as raízes a ser falso. 

  

 * Com informações da Agência Senado