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29/01/2020 16:57 -03 | Atualizado 29/01/2020 16:57 -03

Na corda bamba, Abraham Weintraub permanece no cargo com apoio do clã Bolsonaro

Apesar de erros no Enem, atuação controversa nas redes e da insatisfação do presidente, ministro conta com rede de apoio, que inclui Eduardo e Carlos Bolsonaro.

Adriano Machado / Reuters
Ministro tem apoio dos filhos do presidente e de pessoas próximas a Jair Bolsonaro. 

Em um momento em que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, enfrenta uma das maiores crises na pasta por conta de erros na correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que afetaram o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro, vinda das redes sociais, do Congresso e da ala não ideológica do governo, para demiti-lo é grande. O chefe da pasta, contudo, conta com uma rede de apoio aparentemente mais forte junto ao presidente: bolsonaristas estratégicos, em especial os filhos do mandatário.

Só Eduardo Bolsonaro fez três posts desde terça (28) favoráveis ao ministro. 

O vereador Carlos Bolsonaro, o 03, segue com as postagens em tom institucional que vem adotando desde, especialmente, o início do ano, como informativo de ações do governo. Em uma mensagem sequencial, falou de Capes, creches, piso salarial, escolas cívico-militares e ideologia no ensino. 

Desde o início da manhã desta quarta-feira (29), a hashtag #FicaWeintraub está entre as mais tuitadas, impulsionada por bolsonaristas. O irmão do ministro, Arthur Weintraub, assessor especial de Jair Bolsonaro, é um dos entusiastas, como também o empresário Luciano Hang, um aliado bastante próximo do presidente. 

Mais que hashtags ou simples postagens diárias, as mensagens em bloco desta quarta-feira são encaradas como um recado de que, apesar dos pesares, Weintraub deve seguir à frente da Educação.  

O presidente não anda satisfeito com Weintraub há algum tempo. Reclama em seu núcleo mais próximo que ele ainda não mostrou efetividade em uma de suas principais bandeiras na educação, as escolas cívico-militares. 

No fim do ano, quando o ministro elevou o tom contra as universidades e insistiu na retórica de que havia plantação de maconha nas federais, a pressão sobre o mandatário para demiti-lo cresceu. Chegou-se a falar em uma reforma ministerial. Com o noticiário quente sobre o assunto, Bolsonaro mandou Weintraub sair de férias e maneirar nas redes sociais. O retorno, contudo, não tem sido tranquilo como se gostaria. 

Erros no Enem 

Após anunciar que 2019 teria o melhor Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de todos os tempos, o ministro da Educação foi obrigado a admitir, no último dia 18, que houve falhas no gabarito das provas de cerca de 6 mil candidatos. 

Ele fez uma publicação em seu Twitter horas após candidatos começarem a reportar problemas na contagem de pontos. A questão afetou a divulgação do resultado do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que chegou a ser impedido pela Justiça, mas depois foi liberado.

Na terça (28), o Bolsonaro afirmou que conversaria com Weintraub para entender o que ocorreu com o exame, mas chegou a sugerir a hipótese de “sabotagem”. “O Enem está complicado. Eu estou conversando com ele [Weintraub] para ver se foi alguma falha nossa, falha humana, sabotagem, seja lá o que for. Temos que chegar no final da linha, apurar isso”. 

Nesta quarta (29), a Folha de S.Paulo publicou que, segundo funcionários do MEC, os resultados do Enem 2019 não são 100% confiáveis. A matéria explica que o “Inep refez a conferência dos desempenhos dos participantes, mas não recalculou a proficiência dos itens usados nas provas do exame”. De acordo com o jornal, a pasta preferiu manter o cronograma do Sisu a dar andamento a este procedimento, que demandaria mais tempo. 

Não bastasse as explicações que ainda precisa dar sobre o Enem, o ministro ainda se envolveu em outra polêmica no fim de semana nas redes sociais. Após ser marcado no post de um seguidor, que reclamou da nota da filha no Enem após a correção da prova, Weintraub mandou que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) verificasse o exame da candidata. 

“Ministro, minha filha tem certeza que a prova do Enem dela não teve a correção adequada e que ela foi prejudicada. E agora? A inês é morta? O Sisu termina amanhã”, escreveu um homem chamado Carlos Santanna, colocando ainda o número da inscrição da prova da filha.

O caso chegou a ser apresentado pela Defensoria Pública da União à Justiça. O defensor João Paulo Dorini afirmou que o ministro cometeu “seríssima ofensa ao princípio da impessoalidade”.

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