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20/06/2020 14:34 -03 | Atualizado 20/06/2020 14:35 -03

Wassef nega ser "o Anjo" e diz que armaram para o presidente com prisão de Queiroz

“Nunca telefonei para Queiroz, nunca troquei mensagem com Queiroz. Isso é uma armação para incriminar o presidente", disse à Folha de S.Paulo.

SERGIO LIMA via Getty Images
Próximo da família, Wassef participava de cerimônias no Palácio do Planalto com frequência.

O advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef negou ter abrigado Fabrício Queiroz, preso na última quinta-feira (18) em um sítio em Atibaia onde funciona seu escritório, afirmando ainda que ocorreu uma “armação para incriminar o presidente” Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo, publicadas neste sábado (20). “Não escondi ninguém. Estão me atribuindo coisas que não fiz”, disse ao jornal. 

A peça redigida pelo juiz Flávio Itabaiana, na qual foi solicitada a prisão de Queiroz e sua esposa, Márcia - ela ainda não foi encontrada e é considerada foragida -, destaca a participação de “Anjo” em um esquema para “esconder” o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. Wassef nega ser “o Anjo”.

Na intimidade, é assim que o advogado é tratado pelo clã Bolsonaro. Tamanha é a proximidade, que Wassef, mesmo sem ser do governo, participa de muitas cerimônias no Palácio do Planalto. Ele também era frequentador assíduo do Palácio da Alvorada. 

“Nunca telefonei para Queiroz, nunca troquei mensagem com Queiroz, nem com ninguém de sua família. Isso é uma armação para incriminar o presidente.” Ele disse ser mentira também que Fabrício Queiroz estivesse um ano no local onde foi preso.“Não é verdade que tenha passado um ano no meu escritório.”

Segundo Wassef, o escritório estava em obras, e ele foi vítima de uma armação, com provas plantadas. “Meu escritório estava em obras. Os móveis estavam do lado de fora. Não tinha nada lá. Vi na TV que encontraram um malote. Isso foi plantado”.

No mandado de prisão, o juiz Flávio Itabaiana destacou que Frederick Wassef articulava a “ocultação” do operador financeiro do esquema da rachadinha na época em que Flávio Bolsonaro foi deputado estadual no Rio de Janeiro. 

“O Ministério Público, com base nos dados extraídos do celular da esposa de Fabrício Queiroz, apreendido durante diligência deferida por este juízo, conseguiu descobrir o endereço no qual reside o aludido investigado e verificou que há evidências de uma complexa rotina de ocultação do paradeiro do referido investigado, articulada por uma pessoa com notório poder de mando, sob o codinome Anjo”, escreveu Itabaiana na decisão. 

O magistrado ainda registrou que Frederick Wassef monitorava Queiroz: “Nota-se que parte da rotina de ocultação do paradeiro de Fabrício Queiroz envolvia restrição em sua movimentação e em sua comunicação, sendo monitorado por uma terceira pessoa, que se reportava a um superior hierárquico referido como “Anjo”.”

Conforme as investigações feitas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e registradas no documento que embasou o pedido de prisão, o advogado dos Bolsonaro também começou a planejar esconder toda a família de Queiroz e novembro do ano passado, após o Supremo Tribunal Federal derrubar a liminar que impedia investigações a partir de relatórios do Coaf. 

Após a operação que prendeu Queiroz no escritório de Wassef, Jair Bolsonaro tem sido aconselhado a se afastar do advogado. Em nota emitida ainda na quinta, depois da operação em Atibaia, a advogada Karina Kufa disse que “Anjo” não atua formalmente em nenhum processo relacionado à família do presidente.  

Porém, em entrevistas, o próprio Jair Bolsonaro já se referiu a Frederick Wassef como seu defensor. O advogado também sempre falava em nome do mandatário.