MULHERES
04/04/2019 13:58 -03 | Atualizado 04/04/2019 14:36 -03

Grey’s Anatomy mostra que vítimas de violência sexual precisam de acolhimento

Uma vítima de violência sexual. O atendimento adequado no hospital. E um corredor apenas de mulheres.

Divulgação/ABC
Cena em que um "corredor de mulheres" é formado por funcionárias do hospital, ao receberem uma paciente de violência sexual gerou comoção.
Uma paciente precisa de nós. De todas nós.

Atenção: Este texto contém spoilers da 15ª temporada de Grey’s Anatomy.

Fãs da sérieGrey’s Anatomysabem: Shonda Rhimes não foge de assuntos difíceis e insiste em colocá-los no horário nobre da televisão aberta norte-americana. E foi o que ela fez, novamente, ao falar sobre violência sexual.

No episódio que foi ao ar na última quinta-feira, 28 de março, batizado de “Em silêncio durante todos esses anos”, a diretora e roteirista entrou profundamente na questão, trazendo o debate sobre consentimento e atendimento às vítimas. 

Abby (interpretada pela atriz convidada Khalilah Joi), é uma mulher que, após sofrer violência sexual e ser estuprada em um bar, chega ferida ao Grey-Sloam Memorial Hospital. Ela é atendida por Jo Wilson (Camilla Luddington), que se identifica com a história da paciente, por também ter sofrido a mesma violência.

Divulgação/ABC
A paciente Abby, em atendimento com a médica Jo Wilson, no episódio "Em silêncio todos esses anos". 

Mas a cena mais emocionante do episódio ― e que chegou a viralizar entre grupos de fãs da série no Brasil ― é quando Wilson mobiliza as funcionárias mulheres do hospital, desde enfermeiras a cirurgiãs, para criar um corredor exclusivamente feminino para que a paciente seja levada à cirurgia. 

“O que está acontecendo?”, questiona Meredith em determinado momento. “Uma paciente precisa de nós. De todas nós”, responde a estagiária Dahlia Qadri. No mesmo momento, Grey se junta ao “paredão” de mulheres.

Em seguida, Wilson aparece segurando a mão de Abby que se emociona ao perceber o que está acontecendo. Ao poucos, na cena, enquanto a paciente é conduzida, o corredor é formado pelas mulheres.

O resultado é uma cena que não só emociona, mas também mostra a importância de a vítima de violência sexual não se sentir sozinha e, sim, acolhida, no momento em que é atendida em unidades de saúde.

Segundo a The Hollywood Reporter, no corredor não estavam apenas atrizes da série, mas também assistentes, diretoras e produtoras do programa de TV.

 Assista abaixo:

Nas redes sociais, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil, o episódio gerou repercussão. Algumas pessoas apontaram que a importância do debate sobre a relação dos homens com o consentimento; já outras lamentaram que este é um crime altamente subnotificado e disseram ter se emocionado.

“Eu estava dirigindo um episódio e fiquei sabendo sobre o depoimento de Christine Blasey Ford e a confirmação de Kavanaugh para a Suprema corte”, disse a produtora Krista Vernoff à The Hollywood Reporter.

Em 2018, a professora de psicologia Christine Blasey Ford veio à público no Senado norte-americano afirmou que o juiz Brett Kavanaugh a violentou sexualmente no passado. Ele teria tirado sua roupa à força para estuprá-la. 

O que mostram os dados

De acordo com o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2016 foram registrados nas polícias brasileiras 49.497 casos de estupro no Brasil. 

Nos Estados Unidos, apenas 15% dos casos são reportados à polícia. Se o nosso cenário fosse similar ou estivesse em torno de 90%, a estimativa é de 300 mil a 500 mil a cada ano no Brasil.

“Ela se levantou e disse a verdade e muitos especialistas questionaram se ela sabia do que estava falando ou se podia acreditar ou lembrar o rosto de alguém que a atacou anos atrás. Foi um momento muito poderoso”, disse a produtora.

A partir do caso, a equipe decidiu usar a ideia e formar um “exército de mulheres” para apoiar um sobrevivente de violência sexual no episódio.  

“Esse corredor contém quase toda a equipe feminina de escritoras”, disse Vernoff. “Muitas mulheres vieram até nós que leram o episódio e perguntaram se poderiam estar nessa cena.”

Não silencie!

“Foi só um empurrãozinho”, “Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim”, “Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento”. Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.