MULHERES
03/07/2020 10:57 -03 | Atualizado 03/07/2020 12:01 -03

Colombianos exigem punição severa em caso de estupro coletivo de menina indígena

No país, Pelo menos 118 militares foram investigados desde 2016 por suposto envolvimento em casos de abuso sexual contra crianças.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, mulheres colombianas foram às ruas e tomaram as redes sociais para exigir que soldados do Exército sejam condenados pelo abuso sexual de uma menina indígena, recebendo as penas máximas previstas e exigindo que a Justiça conclua o caso de violência sexual.

Os militares que pertencem ao batalhão San Mateo confessaram ter tido “relações sexuais abusivas” com uma menina de 12 anos da etnia embora chamí na semana passada e podem ser condenados a entre 16 e 30 anos de prisão, de acordo com o Procurador Geral colombiano, Francisco Barbosa. Eles já foram acusados formalmente e aguardam julgamento em um tribunal civil. 

O caso ilustra o problema violência sexual contra mulheres e meninas indígenas, o que líderes comunitários e grupos de direitos humanos dizem que muitas vezes são ignorados, principalmente se perpetrados por militares. 

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Após notícia de estupro coletivo de menina indígena na Colômbia, grupos feministas e indígenas foram às ruas em meio à pandemia.

O caso que chocou o país e provocou forte reação do governo, aconteceu em Santa Cecília, um povoado no estado de Risaralda, no leste da Colômbia, no dia 26 de junho.

Uma petição online exigindo sentenças máximas reuniu mais de 61 mil assinaturas em uma semana. Líderes militares e o presidente colombiano condenaram o incidente, e os sete soldados e três de seus superiores foram demitidos. 

Pelo menos 118 militares foram investigados desde 2016 por suposto envolvimento em casos de abuso sexual contra crianças, 50 deles envolvendo indígenas, segundo o general do Exército colombiano Eduardo Zapateiro

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Mulheres participam de uma manifestação contra o estupro de uma menina indígena, em Bogotá, Colômbia, em 29 de junho de 2020.

Grupos indígenas colombianos que estão se manifestando neste momento acusam há muito tempo os grupos ilegais armados e as Forças Armadas de cometerem violações de direitos humanos, especialmente durante a longa guerra civil e das disputas por terra, segundo eles incentivadas por racismo. 

Nos últimos dias, mulheres indígenas das comunidades embera chuí, juntamente com o movimento feminista, se reuniram em frente ao complexo militar ‘Canton Norte’, em Bogotá, para protestar pacificamente e mostrar indignação mesmo diante da pandemia do novo coronavírus no país.

O caso e o calor da discussão chega no mesmo momento em que o parlamentares do país latino-americano aprovaram uma reforma constitucional que permite a prisão perpétua para assassinos e estupradores de crianças. A reforma é polêmica e ainda deverá ser aprovada pela Corte Constitucional.

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