MULHERES
21/12/2019 03:00 -03

Ele abusou da mulher durante anos, mas os militares só se preocuparam com sua infidelidade

Tamara Campbell e dezenas de outras mulheres entrevistadas pelo HuffPost dizem que o Exército norte-americano não fez nada em relação às agressões que elas sofreram dos maridos.

Fotos por Melissa Lyttle

Era uma noite de julho de 2010. Eles estavam casados há dois anos. A jovem norte-americana Tamara Campbell confrontou o marido sobre as traições dele. Ela sabia que ele ficaria nervoso. Desde que voltara do Afeganistão, um mês antes, ele parecia muito volátil. Então, ele pegou um alicate.

Brad Darlington, armeiro dos Fuzileiros Navais, ordenou que a mulher tirasse a aliança ou ele cortaria o dedo dela, contou Campbell em entrevista ao HuffPost. Ela descreveu com detalhes o que aconteceu naquela noite. Campbell tentou tirar a aliança, mas ela estava muito justa. Darlington tinha comprado uma aliança dois números menores, para que ela nunca a tirasse do dedo. Na época, pareceu romântico.

Agora, o rosto dele estava entorpecido de raiva. Darlington começou uma contagem regressiva a partir de cinco. Campbell o convenceu a lhe entregar o alicate. Com as mãos tremendo, colocou uma das lâminas entre a aliança de ouro e sua pele. Apertando com todas as suas forças, conseguiu parti-la. Mas o marido não estava satisfeito. Disse que ela deveria devolver tudo o que ele tinha comprado para ela, incluindo suas roupas. Ele a arrastou para fora de casa pelos cabelos e a forçou a entrar no carro. 

“Ele disse que se eu saísse [do carro], cortaria meu rosto de uma orelha à outra”, lembra a jovem. Campbell passou a noite no carro. Quando o marido acordou no dia seguinte, disse não se lembrar de nada.

Assim que ele foi para o trabalho, ela ligou para o comando em que o marido trabalhava para relatar o incidente a seus superiores – à época, o local ficava em Camp Lejeune, em Jacksonville, Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Para o bem ou para o mal, os militares têm sua própria justiça, à parte da polícia e do sistema de justiça criminal tradicionais. Nas Forças Armadas, os comandantes são os primeiros a saber de eventuais infrações cometidas por seus subordinados. Apesar de procedimentos que eles devem seguir, os comandantes podem determinar sozinhos se crimes foram cometidos, se uma investigação deve ser aberta e se seus subordinados devem ser punidos.

Naquela noite, Darlingtonfoi colocado em uma cela. Mas o fuzileiro responsável por vigiá-lo permitiu que ele saísse. Ele ligou para a mulher de um bar fora da base. “Se você não retirar suas acusações, acabo com você”, disse a ela.

Imediatamente Campbell ligou para o comando e relatou as ameaças. Mas ela conta que foi atendida por um sargento que afirmou que estava cansado de ouvir esposas se metendo em assuntos dos fuzileiros navais, lembra ela.

Darlington não voltou para casa naquela noite.

No dia seguinte, conforme os procedimentos padrão, o tenente de Darlington e sua mulher procuraram Campbell para uma conversa. Disseram que ela deveria ser mais compreensiva, que Darlington estava sofrendo de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) ― ele havia acabado de voltar dos campos de guerra do Iraque ― e que ela deveria aprender a ser a melhor esposa possível.

O casal entregou a Campbell um livro chamado Roses and Thorns: A Handbook for Marine Corps Enlisted Wives (Rosas e espinhos: um guia para as mulheres de fuzileiros navais alistados, em tradução livre). Publicado em 1990, o livro é um guia prático para navegar a vida militar e suas situações sociais, como a maneira correta de escrever mensagens de agradecimento e como se comportar em eventos com as esposas de outros fuzileiros.

O livro não poderia ser menos útil, contou Campbell.

Ela viu o marido novamente no dia seguinte – ele tinha sido solto e, depois do trabalho, fora a um bar. À noite, ele chegou em casa com um colega. Estava de mau humor, lembra Campbell, e furioso com o fato de ela tê-lo denunciado.

“Eu disse que ele deveria ir dormir; ele estava bêbado. Ele me empurrou contra a bancada da cozinha, começou a me estrangular, me jogou no chão e chutou minhas costas. O outro fuzileiro estava desmaiado de bêbado no sofá”, lembra.

A reportagem do HuffPost entrou em contato com o Camp Lejeune. Num comunicado por email, o porta-voz Nat Fahy afirmou que os fuzileiros navais não toleram violência doméstica.

“Desde o momento em que são recrutas e durante todas as suas carreiras, inculcamos nos fuzileiros nossos valores chave de honra, coragem e comprometimento”, disse Fahy. Ele afirmou que todas as perguntas específicas em relação ao caso de Darlington deveriam ser dirigidas à equipe de assuntos corporativos, que não respondeu às tentativas de contato da reportagem. O HuffPost também entrou em contato com o tenente para saber mais sobre o tratamento dado ao caso, mas ele se recusou a dar entrevistas.

Com apenas dois anos de vida militar, Campbell sentia ao mesmo tempo vergonha e pânico naquela noite. Em seu entendimento, os militares eram regidos por regras diferentes – ela deveria estar sempre pronta a apoiar seu marido, um herói de guerra, mesmo que ele ameaçasse matá-la. Mesmo que isso representasse risco à sua vida. Ela tinha de melhorar. Mas Campbell não se deu conta de que não era a única a receber essa mensagem.

Como parte da série de reportagens “Uma crise esquecida”, que trata de abuso doméstico e familiar cometido por militares, o HuffPost conversou com várias sobreviventes de violência doméstica cujos parceiros estiveram ou estão na ativa. Ouvimos muitos relatos segundo os quais as Forças Armadas não deram atendimento adequado no momento em que mulheres pediram ajuda. Algumas delas sofreram abuso durante anos e ficaram presas em um ciclo que também envolvia seus filhos. Algumas eram recém-casadas e tinham acabado de entrar para a vida militar – isoladas em bases remotas, ou no exterior, longe de suas famílias nos momentos em que elas seriam mais necessárias.

Em certo ponto – ou bem no começo do comportamento agressivo, ou quando as coisas ficavam “realmente muito ruins” ―, as sobreviventes com quem conversamos denunciaram o abuso para os superiores de seus maridos ou então para o Family Advocacy Program (FAP), um órgão cuja missão é “fortalecer as famílias militares” por meio de, entre outras medidas, denúncias e prevenção de abuso. A maioria delas fez mais de uma denúncia. Em alguns casos, foram dezenas de queixas. A resposta dos oficiais foi sempre muito parecida – elas ouviam que “a missão vem em primeiro lugar”. Todas se sentiram culpadas não só por denunciar os abusos, mas também por considerá-los um problema para a vida do marido militar.

Muitas das mulheres de militares com quem a reportagem entrou em contato dizem temer pela própria vidas e pelas das pessoas à sua volta. Quase metade disse ter medo que seus ex-maridos sejam capazes de cometer massacres em lugares públicos. Ainda assim, a sensação é de que os alertas e pedidos de ajuda das mulheres são rotineiramente ignorados.

As coisas pioraram rápido

Campbell e Darlington se conheceram em 2003, quando ela estava no penúltimo ano do ensino médio. Um ano mais novo, ele estudava na mesma escola, e ambos moravam no mesmo bairro. A vida doméstica de Campbell era atribulada: o namorado da mãe abusava dela – mas sua mãe não acreditava.

“Achei que [Brad] fosse o príncipe que me salvaria daquela situação”. Ele era bonito e carismático, segundo ela. Eles começaram a namorar, mas desde o começo ele era controlador e a agredia verbalmente. Eles terminaram e voltaram algumas vezes e ela relata que ele a perseguia com frequência.

Melissa Lyttle for HuffPost
Tamara Campbell é uma sobrevivente. Ela denunciou o abuso doméstico que sofreu pelas mãos do ex-marido, um fuzileiro naval, aos superiores dele, mas a violência continuou durante anos. Foi somente quando ela denunciou um caso extraconjugal do ex-marido com uma colega militar que as denúncias foram levadas a sério.

Aos 18 anos, depois de formados no ensino médio, eles foram morar juntos. As agressões passaram de verbais a físicas. Ela conta que, certa vez, quando se recusou a levantar do sofá a pedido dele, ele virou um copo de bebida em sua cabeça. Quando ela engravidou, aos 20 anos, Darlington ficou furioso porque ela foi ver um show de fogos de artifício com amigos – acusando-a de infidelidade agredindo-a com um soco no estômago. Pedidos de desculpa vinham sempre a seguir, ela conta. Quando isso não funcionava, ele colocava uma faca nos pulsos e ameaçava se matar caso ela o abandonasse. “Morria de medo de que ele se matasse e eu fosse responsável pelo suicídio”, diz.

Campbell tinha 21 anos e Darlington, 20 quando se casaram. Meses antes do casamento, ele havia se alistado na Marinha. Seu primeiro posto foi no Camp Lejeune. Meses depois da mudança, foi mandado para o Afeganistão. Antes que o marido voltasse da guerra, Campbell e outras mulheres foram informadas do que esperar de um fuzileiro de volta do campo de batalha. Campbell diz ter sido alertada de que ele poderia estar nervoso e agitado.

“Lembro que disseram para eu não insistir em transar. Mas, se eles quisessem, não deveria dizer não, porque eles se sentiriam rejeitados e isso contribuiria para o TEPT”, afirma.

Depois do incidente com a aliança, a única consequência sofrida por Darlington foi passar por aulas para controlar os sentimentos de raiva. Mas Campbell afirma que o superior do ex-marido nunca exigia que ele de fato assistisse às aulas. Especialistas em vítimas de abuso doméstico afirmam que esse tipo de treinamento não é eficaz.

“Infelizmente, esse tipo de aula ainda é usado tanto entre militares como civis”, afirma Glenna Tinney, ex-assistente social da Marinha,  ao HuffPost. Tinney coordenou programa que auxiliava juridicamente vítimas de violência doméstica.

“Tenho certeza de que nas Forças Armadas [as aulas de controle dos sentimentos de raiva] não são consideradas uma ‘punição’. É mais provável que sejam definidas como ‘intervenção’. O Departamento da Defesa tem padrões definidos para intervenções junto aos infratores, mas não existe uma regra para um programa específico [que solucione o problema]”, afirma Tinney.

“Ele voltava do almoço e dizia: ‘Tenho de ir para a aula, mas não vou’”, diz Campbell. “Eu dizia: ‘Seu comandante não vai descobrir?’, e ele respondia: ‘Não, eles não controlam’.”

A violência continuava, mas Campbell tinha medo de ligar de novo para o superior do marido. 

“Não acreditava nos Fuzileiros Navais. Sinceramente, acho que eles estavam mais preocupados em defendê-lo”, aponta Campbell. Quanto a recursos de apoio externos, como centrais de atendimento telefônico para vítimas de abuso doméstico, Campbell afirma que nem sabia da existência deles.

Para os militares, o adultério é crime

Em 2011, Campbell teve a segunda filha do casal. No ano seguinte, Darlington foi transferido para uma base em Quantico, Virgínia. Campbell procurava desesperadamente momentos de esperança – como as flores que ele colhia no caminho de casa, “porque sabia que eu adoro flores”.

A voz de Campbell fica trêmula. Ela lembra das vezes em que seu marido brutalmente violento deixou de ser brutalmente violento. Certa vez, ela voltou de viagem e foi recebida com um jantar preparado por Darlington.

“Ele escreveu uma carta dizendo que estava com saudade, que me amava e que era grato por eu estar com ele todos esses anos. Naqueles momentos, eu pensava: ‘Essa é a pessoa que eu conheci’”, conta.

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Tamara Campbell em casa.

Ao mesmo tempo, Darlington tinha voltado a trair a mulher – dessa vez com uma sargento. Ele começou a dividir seu tempo entre a casa da amante e a sua própria. Campbell não sabia o que fazer. Mas aí Darlington perdeu a cabeça mais uma vez, a estrangulou e a atirou contra um móvel. Na manhã seguinte, ela se deu conta de que ele não iria mudar.

Ela entrou com o pedido de divórcio em outubro de 2013, mas Darlington implorou que ela voltasse atrás. “Ele começou a fazer aconselhamento e passou a tomar remédios para controlar melhor suas emoções”, conta Campbell. Ela não se recorda do nome do medicamento. 

Quando ela demonstrava hesitação, Darlington a lembrava de que ela não teria dinheiro para pagar as custas de um processo de divórcio. Ele controlava as finanças da família e não permitia que ela trabalhasse. “O divórcio tem de ser inconteste para que [um juiz militar] o assine sem cobrar nada. Eu não tinha o que fazer. Desisti”, diz Campbell. Darlington rasgou os papeis.

Em 2014, ela deu à luz ao quarto filho, o terceiro do casal (ela já tinha um antes de casar-se com Darlington). Meses depois, ela encontrou mensagens de texto provando que ele estava tendo um caso com uma colega. Dessa vez, achou que os superiores do marido prestariam mais atenção. E, se eles fizessem algo a respeito do adultério, talvez também tomassem alguma atitude em relação ao abuso. “Tinha de dar um basta”, diz ela.

Segundo o Artigo 134 do Código Uniforme de Justiça Militar, o adultério é um ato criminoso que pode levar à corte marcial, mesmo nos casos de soldados da reserva que recebem pensão. Casos extraconjugais são ofensas que podem “desacreditar as Forças Armadas”. A lei vigora desde 1951, e o adultério pode ser punido com até dois anos de prisão.

Campbell denunciou o adultério, e os superiores agiram rápido – muito mais rápido que na primeira denúncia de abuso feita por ela.

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Depois de Darlington declarar-se culpado de sete acusações, incluindo estrangulamento e adultério, um juiz militar o condenou em 2015 a 11 anos de prisão. Ele foi colocado em liberdade em março de 2019, depois de servir menos de quatro anos e acumular diversas infrações enquanto esteve preso, incluindo manter contato com a ex-mulher, Tamara Campbell – foram mais de 300 cartas ameaçadoras. Campbell guarda as cartas em uma pasta, bem como todos os outros papeis relacionados ao caso.

“Eles foram muito mais rápidos em investigar o adultério que a violência doméstica”, lembra Campbell. “Fizeram de tudo para separar as duas acusações.”

Darlington teve de passar mais por mais aulas e ficou confinado no escritório, relegado a tarefas administrativas. Mesmo assim, Campbell sabia que ele continuaria encontrando a sargento.

Ela continuou atualizando os superiores do marido, até que eles ameaçaram rebaixar a patente de Darlington (o que incorreria numa redução de seu salário), a menos que ela – Campbell – parasse de “falar sobre a traição”. Eles tinham feito o bastante em termos de punição e queriam encerrar o caso.

Entre 1994 e 2010, Christine Hansen foi diretora executiva da The Miles Foundation, uma ONG internacional que ajuda vítimas de abuso doméstico de famílias militares. Para ela, as Forças Armadas priorizam a prontidão, mesmo que ao custo da segurança pessoal. Quando os soldados são enviados para zonas de conflito, a situação se agrava.

“Notamos um aumento significativo [de incidentes] entre os soldados enviados ao Iraque e ao Afeganistão”, diz Hansen. “Aquele indivíduo perde poder e controle, porque não está mais em casa. Ao voltar, ele sente a necessidade de restaurar aqueles métodos, ou então aplicar novas técnicas que aprendeu.”

Ignorar o abuso não resolve o problema

Campbell se sentia numa montanha russa de abuso. Seu marido passava semanas na casa da amante, a abandonando com um recém-nascido. Depois ele voltava e pedia desculpas, e as coisas ficavam bem durante um tempo. E então o ciclo de abuso se repetia, e Darlington voltava para a casa da amante. 

Em 7 de novembro de 2014, o casal foi a um baile dos militares. Quando voltaram para casa, Campbell pegou o marido mandando uma mensagem de texto para a amante e o confrontou. Darlington saiu da casa e, quando voltou, tinha uma arma semiautomática carregada na mão. Ele colocou o cano da pistola na boca da mulher. “Lembro de pensar: ‘É isso, ele vai me matar’”.

Ele apertou o gatilho. A arma não disparou. Campbell sabe bem por quê. Talvez a pistola tenha enguiçado, ou talvez não estivesse carregada, como ele dizia. Aí, ele foi embora calmamente para a casa da amante. Aterrorizada, Campbell retocou a maquiagem e, fingindo que tudo estava bem, foi buscar os filhos, que estavam com uma amiga.

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Antes de abandonar o marido, ela fez tatuagens nos pulsos com as palavras “strength” (força) e “courage” (coragem), para lembrar que ela tinha as duas coisas.

Campbell passou mais um mês com Darlington antes de decidir dar um basta definitivo. No dia 10 de dezembro, ele prometera um jantar em família, o tipo de ocasião que ela desesperadamente queria que fosse real. Mas na verdade ele estava planejando passar a noite com a amante. Ela imprimiu imagens das mensagens que o marido vinha trocando com a outra mulher e deixou os papeis no carro dele, com um bilhete dizendo que tudo estava acabado entre eles.

A reação de Darlington foi rápida, como esperado. Os primeiros e-mails e mensagens de texto foram gentis, ela conta. “Ele dizia: não me abandone. Eu te amo. Quero que nossa família continue unida’”, lembra Campbell. “Mas aí o tom passou a ser ameaçador. Em uma das mensagens ele ameaçou ‘enfiar’ os papéis do divórcio na minha garganta.”

Quando ele chegou em casa, Campbell estava pronta para uma briga. Ela estava com o filho de seis meses no colo quando Darlington a atacou e a estrangulou. “Não conseguia respirar. Ele me estrangulou até tudo ficar branco”. O que a salvou foi pensar que o bebê poderia cair no chão.

“Senti que não conseguiria mais segurar meu filho. Usei todas as minhas energias para não deixar isso acontecer”, afirma. Finalmente, Darlington a largou. Enquanto Campbell tossia violentamente e tentava recuperar o ar, ele deu beijo na testa dela e foi embora.

“Queria dizer que liguei na hora [para fazer uma denúncia]”, diz. “Mas eu estava com muito medo”. Medo dele, medo de que ninguém lhe desse ouvidos. Mas foi ao encontrar um grupo de esposas de militares no Facebook. Naquele mesmo dia, ela compartilhou com as integrante do grupo as mensagens ameaçadoras que recebeu e contou ter sido estrangulada pelo marido.

Campbell colocou um casaco de gola alta (para esconder os hematomas no pescoço) e foi ao USO, uma organização militar que ajuda familiares de soldados, já que Darlington não tinha deixado dinheiro para que ela comprasse presentes para os filhos.

Quando voltou para casa, a rua estava tomada por policiais armados, uma versão militar de uma equipe da SWAT, ela lembra. Uma das mulheres do grupo do Facebook havia denunciado o estrangulamento relatado por ela para seu filho, um policial do exército destacado na mesma base de Darlington.

Campbell disse que foi atendida por um paramédico naquele dia. “Ele disse que eu tinha de prestar queixa. ‘Sei que dá medo, mas não tenho dúvidas de que da próxima vez que me ligarem para vir aqui vai ser para retirar seu corpo. A culpa não é sua’, ele me disse.”

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Tamara Campbell diz que seu cachorro, Bandit, é seu protetor. Quando Darlington ameaçou dar um soco nela, Bandit pulou e mordeu o braço dele. Infelizmente, o cão foi a vítima da violência descontrolada de Darlington.

Darlington foi detido e declarou-se culpado de sete acusações, incluindo estrangulamento, adultério e colocar uma arma carregada na boca dela. Em 2015, um juiz militar o condenou a 11 anos de prisão.

Ele foi posto em liberdade em março de 2019, depois de servir menos de quatro anos e acumular diversas infrações enquanto esteve preso, incluindo manter contato com a ex-mulher – foram mais de 300 cartas ameaçadoras.

Darlington foi exonerado da Marinha e está vivendo com outra mulher. Mas Campbell ainda tem medo de que ele queira se vingar dela e dos filhos do casal. “Tenho medo de que ele me encontre”, disse ao HuffPost.

No final de novembro deste ano, Darlington foi preso no estado de Indiana por atacar o ex-marido de sua nova noiva. Depois de libertado, ele foi à casa da mulher, a agrediu e estrangulou. A vítima fez uma denúncia na polícia, mas Darlington segue em liberdade. O procurador local, Eric Hoffman, disse ao HuffPost que um mandado de prisão havia sido expedido.

Campbell conseguiu se distanciar do ex-marido nos últimos quatro anos. Ela está noiva, mas isso também a preocupa. Darlington lhe disse certa vez que, se ela encontrasse outro homem, “ele o mataria”. Mas ela não se esconde.

“Falo abertamente desse assunto porque acho que minha voz tem de ser ouvida. Preciso que me ouçam. Fui silenciada por muito tempo.”

Com reportagem de Tara Haelle e Melissa Jeltsen. 

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.