MULHERES
02/07/2020 17:36 -03 | Atualizado 02/07/2020 18:13 -03

Pandemia de covid-19 força empresas a protegerem vítimas de abuso doméstico

A violência doméstica muitas vezes afeta o desempenho das vítimas no trabalho, leva ao absenteísmo e atrapalha as carreiras.

O aumento global da violência doméstica durante a quarentena provocada pelo surto do novo coronavírus destaca a necessidade de as empresas promoverem ações para proteger vítimas e ajudá-las a recuperar sua vida.

Empresas devem oferecer às mulheres que enfrentam abuso doméstico um trabalho flexível, licença extra para que possam se mudar e cuidar dos filhos. Além disso, deve ser considerado realocá-las mesmo dentro da empresa para algum local distante de seus agressores, para mantê-las seguras.

Estas são afirmações presentes em relatório realizado pela organização Led By HER e pela Fundação Kering, que trabalha para combater a violência contra as mulheres no mundo. 

A violência doméstica muitas vezes afeta o desempenho das vítimas no trabalho, leva ao absenteísmo e atrapalha as carreiras, de acordo com o relatório liderado por Led By HER e pela Fundação Kering, 

Publicado nesta quinta-feira (2), o estudo compara leis e políticas em seis países - Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá - destinadas a proteger vítimas de abuso doméstico no local de trabalho.

″É crucial que as vítimas de abuso doméstico não percam o emprego, pois isso pode deixá-las presas em situações violentas”, disse Chiara Condi, fundadora da Led By HER, organização que ajuda as vítimas a reconstruir suas carreiras.

Quase um terço das mulheres em todo o mundo sofreu violência de um parceiro, de acordo com informações da ONU (Organizações das Nações Unidas).

Relatório divulgado nesta quinta, pede ações para combater um aumento “horripilante” do abuso doméstico durante a pandemia, exacerbado por tensões econômicas e restrições que deixaram as mulheres lado a lado com o agressor e isoladas de sua rede de apoio.

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“Ser capaz de manter o emprego e ter um local de trabalho que entenda é realmente importante”, acrescentou Condi.

O trabalho, segundo o estudo, muitas vezes pode ser um santuário e uma salvação para as mulheres que sofrem abuso doméstico, disseram eles. “Ser capaz de manter o emprego e ter um local de trabalho que entenda a situação vivida é realmente importante”, acrescentou Condi.

“Se a violência doméstica afetar a capacidade de uma mulher de realizar seu trabalho e ela for demitida, ela cairá em uma precariedade econômica ainda maior, o que tornará ainda mais difícil para ela deixar o ciclo de violência doméstica”.

Mulheres que sofrem violência doméstica são mais propensas a fazer trabalho casual e em regime de meio período, e seus ganhos são até 60% inferiores aos de outras mulheres, afirmou o relatório, que também foi apoiado pelo escritório de advocacia global Dentons e pelo pro bono legal da Thomson Reuters Foundation, pela rede TrustLaw.

Proteção legal

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“Tornar o local de trabalho o mais seguro possível e garantir que o funcionário tenha um lugar em que se sinta seguro é fundamental”, afirmou o relatório.

Condi afirmou que as empresas precisam criar um clima de confiança onde os funcionários possam falar em total confidencialidade sobre seus problemas, sem medo de repercussões ou estigmas.

“A violência doméstica aumentou muito por causa do COVID, então mais locais de trabalho terão que considerar o que farão pelos funcionários que foram afetados”, acrescentou.

À medida que os bloqueios diminuem, Condi sugeriu que as empresas onde os funcionários trabalham em grande parte em casa poderiam priorizar as vítimas de violência doméstica que chegam ao escritório.

O relatório instou os governos a aprovar leis obrigando todas as empresas a salvaguardar as mulheres que sofrem violência doméstica, em vez de deixar que cada empregador elabore políticas.

As leis na Austrália, Nova Zelândia, Itália e província canadense de Ontário oferecem proteções, como trabalho flexível e licença remunerada ou não remunerada, mas a França e a Grã-Bretanha não.

A Austrália também protege as vítimas contra demissões sem justa causa. Ontário foi a única jurisdição estudada que obriga os empregadores a aumentar a conscientização sobre a violência doméstica e proteger ativamente as vítimas no local de trabalho.

As medidas de segurança podem incluir a triagem de chamadas e e-mails das vítimas, fornecendo escoltas entre o local de trabalho e o carro, oferecendo estacionamento próximo à entrada e realocando-as para outro trabalho.

“Tornar o local de trabalho o mais seguro possível e garantir que o funcionário tenha um lugar em que se sinta seguro é fundamental”, afirmou o relatório.

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