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27/08/2020 15:58 -03

Violência policial do Wisconsin desencadeia protestos nos esportes e na política dos EUA

Jogadores da NBA liderados pelo Milwaukee Bucks entraram em greve para protestar contra a injustiça racial durante os playoffs, colocando o resto da temporada em risco.

KEREM YUCEL via Getty Images
Cerca de 200 manifestantes marcharam em reação aos sete tiros disparados contra Jacob Blake, de 29 anos, no domingo na presença de seus três filhos pequenos.

A paz voltou a Kenosha, no Estado norte-americano do Wisconsin, durante uma noite, mas as ondas de choque desencadeadas pelos disparos de policiais que paralisaram um homem negro reverberaram em todo o país, polarizando ainda mais a campanha presidencial e causando uma interrupção nos grandes esportes.

Após três noites de tumultos civis que incluíram incêndios criminosos, vandalismo e um ataque a tiros que matou duas pessoas, a calma pareceu ter imperado na noite de quarta e na manhã desta quinta-feira (27).

Cerca de 200 manifestantes que desafiaram um toque de recolher marcharam pacificamente pelas ruas da cidade, bradando “Vidas negras importam” e “Sem justiça, não há paz” em reação aos sete tiros disparados contra Jacob Blake, de 29 anos, no domingo na presença de seus três filhos pequenos.

Na quarta-feira, o Departamento de Justiça do Wisconsin revelou que investigadores encontraram uma faca no guarda-volumes lateral do carro de Blake. Eles também disseram que a polícia usou uma arma de choque em Blake durante uma tentativa de prendê-lo em meio a uma briga doméstica e que ele admitiu a eles que tinha uma faca.

As forças da lei mantiveram uma presença discreta durante a manifestação, e chamou atenção a ausência de manifestantes opositores e de membros de milícias armadas.

As noites anteriores testemunharam vários civis munidos de rifles, como o ativista pró-polícia de 17 anos que foi preso na quarta-feira e acusado de homicídio por um ataque a tiros que matou duas pessoas e feriu outra.

Como os EUA veem protestos desde a morte de George Floyd, um negro que sufocou depois que um policial branco de Mineápolis se ajoelhou sobre seu pescoço no dia 25 de maio, os acontecimentos de Kenosha ressuscitaram debates sobre o racismo no sistema de justiça criminal.

Autoridades declararam um estado de emergência em Mineápolis na quarta-feira para conter os tumultos provocados pela morte de um suspeito de assassinato de um negro que a polícia diz ter atirado em si mesmo.

A polícia de Oakland, na Califórnia, disse que centenas de pessoas participaram de manifestações que incluíram incêndios, vitrines quebradas e negócios vandalizados. Policiais e manifestantes continuaram a se chocar em Portland, no Oregon, onde os protestos ocorrem há quase três meses seguidos.

Jogadores da Associação Nacional de Basquete (NBA) liderados pelo Milwaukee Bucks entraram em greve para protestar contra a injustiça racial durante os playoffs, colocando o resto da temporada em risco. Milwaukee fica cerca de 60 quilômetros ao norte de Kenosha.

A convenção republicana que ocorreu na noite de quarta praticamente ignorou os atos. O vice-presidente Mike Pence fez uma breve apresentação dos protestos que ocorreram em todo o país. Mas ele não reconheceu o incidente que provocou a mais recente onda.

“A violência deve parar - seja em Minneapolis, Portland ou Kenosha”, disse Pence. “Demasiados heróis morreram defendendo nossas liberdades para ver os americanos atacarem-se uns aos outros”.