OPINIÃO
25/04/2019 18:45 -03 | Atualizado 25/04/2019 18:45 -03

'Vingadores: Ultimato', uma despedida agridoce do Universo Marvel

Fim de uma importante etapa do MCU surpreende quando foca nos dramas humanos, mas é previsível em sua grandiosidade.

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Os vingadores nunca serão mais os mesmos depois deste filme.

Se despedir de todo um universo que cativou milhões de fãs mundo afora não é uma tarefa nada fácil. E, em boa parte, a complicada missão dada aos irmãos Russo — em seu 4.º filme do universo Marvel — foi cumprida com louvor.

Em alguns momentos, Vingadores: Ultimato surpreende com um tom totalmente diferente (e muito bem-vindo) de tudo que Marvel produziu no cinema até hoje. Mais adulto, melancólico e duro. Algo que é jogado na nossa cara logo na primeira sequência do filme, que é de cortar o coração.

A primeira (e longa) metade é o grande trunfo do filme. É nela que o inesperado acontece e é quando temos uma boa noção do quão humano os super-heróis são. Mesmo um Deus como Thor (Chris Hemsworth), que desde Ragnarok (2017) assumiu de vez sua veia cômica. Quem diria que um filme da Marvel traria uma referência aos irmãos Coen...

É quando os protagonistas estão mais fragilizados, quando não há esperanças, que o filme brilha. Exatamente por abandonar, mesmo que por alguns (bons) minutos, a batida fórmula de sempre.

Tudo bem que qualquer tipo de redenção vem depois de uma derrota. Essa é a espinha dorsal de qualquer trajetória de herói, mas é raro termos tempo para ver essa queda em filmes desse gênero. As sequências de ação megalomaníacas acontecem, claro, mas é dado ao espectador boas pausas para sofrer com seus personagens preferidos. Entender seus dramas e motivações.

No entanto, quando chegamos no momento em que a história precisa ser concluída, a trama volta aos lugares comuns. 

Isso quer dizer que aí o filme fica ruim? Não, só muito previsível em sua metade final.

É verdade que as batalhas são espetaculares, mas não são nada que nós já não tenhamos visto antes em aventuras anteriores dos Vingadores. Baixas são esperadas, mas são bem menos impactantes do que em Vingadores: Guerra Infinita (2018). Sejamos francos: quem acreditou que os super-heróis que viraram pó não voltariam?

Outro problema é o foco nas personagens. É verdade que em uma história com um grupo tão grande isso é praticamente impossível. Mesmo que personagens como o Homem-Formiga (Paul Rudd), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Hulk (Mark Ruffalo), Rocket (Bradley Cooper), Gavião Arqueiro/Ronin (Jeremy Renner) sejam muito importantes para a trama, a história é bem mais centrada no Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Thor.

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Gavião Arqueiro/Ronin (Jeremy Renner) surpreende ao ganhar um bom espaço na trama, mesmo que o trio Capitão América, Thor e Homem de Ferro ainda sejam os maiores protagonistas.

E desse trio, apenas Hemsworth se destaca, mostrando que tem mais talento do que se esperava dele. Downey Jr. segue sendo ele mesmo, o que não é tão ruim; e Evans é simplesmente sem graça. Mas seu personagem não ajuda muito mesmo.

Já pensando no futuro, temos algumas boas dicas do que nos espera, e a palavra da vez é diversidade. Sem dar muitos detalhes, espere mais destaque para personagens negros e femininos. Um caminho bem legal por parte da Marvel. E corajoso, já que o público nerd/geek mais “raiz” não é muito chegado a mudanças de paradigmas.

Mas voltando ao presente... Vingadores: Ultimato entrega o que promete. É previsivelmente grandioso, mas surpreende quando se volta ao lado mais humano de sua história. Uma bela despedida de uma fase que se encerra. E como toda despedida, deixa um sentimento agridoce no coração de quem fica.