OPINIÃO
05/05/2019 08:16 -03 | Atualizado 05/05/2019 08:16 -03

E se... Um final alternativo para 'Vingadores: Ultimato' que seria histórico

O caminho da diversidade entre os super-heróis é ativismo ou pura jogada mercadológica?

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Capitão América vai surpreender?

ATENÇÃO: Se você ainda não viu Vingadores: Ultimato e não quer estragar nenhuma surpresa da trama, não leia este texto agora. Volte apenas depois de assistir ao filme.

Logo depois da primeira pré-estreia mundial de Vingadores: Ultimato, muito se fala sobre um momento em especial, quando por um breve (bem breve mesmo) instante, no meio da grande batalha contra Thanos e seu exército, é formado um time apenas de super-heroínas formado por Vespa, Valquíria, Mulher de Ferro, Feiticeira Escarlate, Shuri e Okoye.

Certamente uma piscadela sobre o caminho de diversidade que a Marvel indica trilhar no futuro. Mas seria essa uma decisão de ativismo ou puramente mercadológica? A impressão que fica é que a segunda opção é a que explica melhor essa escolha.

Por que a Viúva Negra, a única mulher do grupo original dos Vingadores no cinema, nunca ganhou um filme solo? Ela, que passou anos roendo o osso, sendo a principal coadjuvante do Capitão América, Thor, Homem de Ferro e Hulk?

Porque negócios são negócios.

Executivos de grandes estúdios não levantam de suas camas sem antes ter certeza de qual passo darão, apoiados em pesquisas de mercado e análises que apontam o que precisam fazer para lucrar. Mesmo que para tal tenham que lacrar.

É só ver o papel apagado da Capitã Marvel em Vingadores: Ultimato. A participação de Brie Larson no filme aconteceu antes mesmo da filmagem do filme solo da super-heroína, deixando ela visivelmente perdida. Claro que isso aconteceu por questões de agenda, mas fica evidente que sem saber ainda do sucesso na bilheteria da Capitã, o papel dela na história “mais importante” se limitou a um Deus ex machina, que só aparece para salvar a pele de todos em momentos bem específicos. 

Se antes - quando o público nerd era o grosso da audiência - não havia interesse da maioria em ver uma super-heroína como protagonista, hoje a realidade é diferente. Os nerds “das antigas” (tradicionalmente misóginos) não são mais o alvo principal dos estúdios. É só ver a bilheteria de Vingadores: Ultimato, que bateu U$ 1 bilhão apenas em seu  primeiro final de semana.

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A Viúva Negra roeu o osso por anos e se despediu sem um filme solo.

Se o público é plural, seus personagens/ídolos serão plurais. Em Hollywood, assim como em qualquer negócio, paradigmas serão questionados a partir do momento em que estes refletem no bolso.

Ou você acha que um Capitão América negro é fruto do sonho americano da igualdade racial?

Aliás, falando nisso...

É uma viagem totalmente minha o que vou dizer. Um sonho, um desejo.

Na cena em que o Falcão encontra um Steve Rogers velhinho lhe passando o escudo do Capitão América, ele pergunta algo assim ao colega quando vê uma aliança em sua mão esquerda: “Você poderia me falar sobre ela?”

Imagine o impacto e revolução que causaria se Rogers respondesse: “Quem disse que é ‘ela’?”

E nós nos despediríamos do bom e velho Capitão América com uma montagem mostrando seu reencontro, casamento e divórcio de Peggy Carter para depois encontrar a verdadeira felicidade com um homem.

Isso faria dele menos herói? Menos nobre? Menos patriota? Com certeza não.

Seria a quebra de um tabu histórico que agregaria muito mais que apenas dinheiro às contas correntes dos envolvidos na produção. Seria uma declaração de verdadeira pluralidade que ficaria para a História.

Mas os grandes estúdios não querem isso.

Não se engane, eles apontam para onde há mais grana. No dia em que a maioria achar natural um super-herói ser gay e feliz, o Capitão América (ou qualquer herói que seja) poderia sair do armário sem medo de ter seu caráter julgado por isso. Assim como agora acontece com as mulheres e negros no panteão dos deuses da Marvel.