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02/05/2019 18:10 -03 | Atualizado 02/05/2019 20:59 -03

Forças leais a Maduro mataram ao menos 4 em protestos na Venezuela

Confrontos que deixaram mais de 200 feridos arrefeceram nesta quinta. Maduro publicou vídeo marchando à frente de militares e pedindo 'coesão'.

Bloomberg via Getty Images
Ao menos 4 pessoas morreram nos conflitos da semana entre manifestantes a favor e contra Maduro.

Pelo menos 4 pessoas foram mortas por forças leais ao ditador Nicolás Maduro nos últimos três dias na Venezuela. Dois deles eram adolescentes, de 14 e 16 anos, que foram atingidos por tiros disparados por militares contra manifestantes.

O mais jovem, Jhoufer Hernández Vásquez, estava com o pai em uma manifestação na praça Altamira, em Caracas, na última quarta (1º) e foi baleado nas costas, segundo o jornal El Nacional. Ele morreu nesta manhã. 

No mesmo protesto, Jurubith Rausseo Garcia, 27, foi atingida por um tiro na cabeça e não resistiu. As outras 2 mortes foram em outras cidades. 

Pelas redes sociais, o líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela e reconhecido por mais de 50 países, entre eles EUA e Brasil, disse se comprometer a fazer com que os responsáveis pela morte de Garcia paguem.

Nesta quinta-feira (2), Maduro madrugou em um quartel de Caracas, de onde transmitiu um discurso pela TV e pediu “união e coesão” aos militares - grupo que tem registrado deserções.

Ao lado do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, ele ressaltou os “valores dos militares venezuelanos” para o “combate contra o imperialismo, os traidores e golpistas”.

Padrino é um dos citados pelo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, em um tuíte no qual sugeriu que aliados de Maduro teriam concordado em participar do movimento para depor o ditador.

“Vocês sabem o papel que tiveram nas movimentações de hoje em direção à democracia na Venezuela. Agora vocês devem permanecer firmes e fazer o que é certo para a Venezuela”, escreveu Bolton, mencionando também o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno, e o comandante da Guarda de Honra de Maduro, Ivan Hernández.

De acordo com autoridades dos EUA, o alto comando militar estava em discussões com a Suprema Corte e representantes de Guaidó sobre a saída de Maduro, o que envolveria garantias de que os membros das Forças Armadas poderiam manter seus empregos em um governo de transição.

Ao lado de Maduro, no entanto, o ministro da Defesa sugeriu fidelidade ao ditador. “Não venham comprar uma oferta enganosa... como se vocês não tivessem dignidade. Aqueles que tenham caído em vender sua alma deixam de ser soldados, não podem estar entre nós”, disse Padrino, na transmissão.

Há fortes dúvidas de que a oferta de anistia feita por Guaidó e as promessas dos Estados Unidos de retirar sanções diante de uma eventual troca de governo serão suficientes para fazer com que um expressivo número de militares dê as costas a Maduro.

Em seu discurso nesta quinta, Maduro disse que a oposição quer colocar, “com metralhadoras e fuzis”, um presidente no poder e “violar a Constituição”.

“Sim, estamos em combate. Máximo moral para desarmar qualquer traidor e golpista”, declarou.

Mais tarde, em outra transmissão, ele discursou e marchou em frente a fileiras de soldados.

Handout . / Reuters
Maduro marcha à frente de militares nesta quinta-feira, para demonstrar o apoio que ainda tem entre as Forças Armadas.

Na última terça-feira (30), Guaidó também divulgou um vídeo, a partir da base aérea  de Caracas, ao lado de militares dissidentes para dizer que contava com o apoio de parte das Forças Armadas.

“Hoje, valentes soldados, valentes patriotas, valentes homens apegados à Constituição vieram ao nosso chamado. Nós também viemos ao chamado, definitivamente nos encontraremos nas ruas da Venezuela”, disse Guaidó.

Naquele dia, manifestantes contrários a Maduro saíram às ruas e foram duramente reprimidos por forças leais ao regime. A Guarda Nacional Bolivariana chegou a avançar com tanques contra os manifestantes. Um vídeo mostra algumas pessoas sendo atropeladas. 

Segundo a ONG Foro Penal, mais de 200 pessoas ficaram feridas desde terça-feira e pelo menos 205 foram presas.

 

Justiça decreta prisão de Leopoldo López

Nesta quinta-feira (2), um tribunal de Caracas decretou a prisão do líder opositor Leopoldo López, que está abrigado com a mulher, Lilian Tintori, e sua filha mais nova, Federica, na residência do embaixador da Espanha na capital, Jesús Silva, após ter conseguido sair da prisão domiciliar com a ajuda de membros da polícia.

López havia sido preso em fevereiro de 2014 e condenado em setembro de 2015 a uma pena de 13 anos sob a acusação de conspiração para cometer um crime, instigação e destruição de propriedade pública. Em julho de 2018, ele obteve direito a prisão domiciliar, em um processo que teve a negociação do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. 

Após a decisão da justiça, López falou com os jornalistas do lado de fora da residência do embaixador. Disse ter se encontrado com “comandantes e generais” em sua casa nas últimas três semanas. 

Ele não deu os nomes dos militares com quem se reuniu, mas disse que falou com “muitos”. “Claro que vai haver mais movimentos no setor militar”, indicou.

“Estamos nos preparando com muita seriedade para a próxima fase, que será o governo de transição”, disse.

O governo espanhol disse, em comunicado, não ter intenção de entregar López às autoridades do país “em nenhum caso”. 

 

* Com informações da Reuters

ASSOCIATED PRESS
Leopoldo López fala com jornalistas do lado de fora da embaixada da Espanha em Caracas.
Galeria de Fotos Guaidó convoca manifestantes e há confrontos em Caracas, na Venezuela Veja Fotos