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14/11/2019 15:29 -03 | Atualizado 14/11/2019 15:30 -03

Veneza, devastada pela pior enchente dos últimos 50 anos, em 15 imagens

Enchente atingiu a máxima de 1,87m no dia 12, fazendo a cidade italiana enfrentar um cenário de destruição.

Manuel Silvestri / Reuters

O governo da Itália decidiu nesta quinta-feira (14) decretar estado de emergência em Veneza e nas áreas do Vêneto atingidas por tempestades e inundações nos últimos dias.

A decisão foi tomada em uma reunião do Conselho dos Ministros em Roma, presidida pelo premier Giuseppe Conte. Além disso, o governo aprovou a destinação de 20 milhões de euros para Veneza, que enfrentou na terça passada (12) sua maior inundação desde fevereiro de 1966. 

O fenômeno -chamado em italiano de “acqua alta” - dessa vez atingiu a máxima de 1,87m no dia 12. O município ainda vai contabilizar os danos dos alagamentos, mas a expectativa é de que sejam avaliados em centenas de milhões de euros.

O prefeito Luigi Brugnaro já havia afirmado que a “La Serenissima” precisa imediatamente de apoio e recursos financeiros para gerenciar a situação e preservar o patrimônio cultural.

Diante disso, o premier também anunciou que o Comitê Interministerial para a proteção de Veneza será realizado em 26 de novembro. “Discutiremos a governança para os problemas estruturais de Veneza, grandes navios, Mose e maior coordenação entre as autoridades competentes”. Sobre o Mose - acrônimo para Módulo Experimental Eletromecânico -, um projeto de engenharia civil e hidráulica ainda em fase experimental que deveria proteger Veneza da maré alta, o premier informou que o governo pretende integrar a “nomeação do Consorzio Veneza Nova, além de consultar uma autoridade hídrica competente”.

Para o prefeito de Veneza, é primordial que o Mose seja finalizado, porque “a água não para com mãos ou discurso”. O projeto, que começou a ser debatido em 1984, prevê a construção de 78 comportas do tipo basculante, posicionadas em pontos que se conectam com o Mar Adriático. As obras começaram em 2003, mas uma investigação anticorrupção em 2014 atrasou a construção.

Flavio Lo Scalzo / Reuters

Mudanças climáticas

Para Brugnaro, a segunda maior inundação que atingiu a cidade italiana em mais de 50 anos é “efeito das mudanças climáticas”.

Em uma publicação no Twitter, o político ressaltou que a enchente “deixará uma marca permanente” na região, porque “a situação é dramática”. “Pedimos ao governo que nos ajude. O custo será alto. Esse é o resultado da mudança climática”, escreveu Brugnaro ao compartilhar imagens e vídeos da maré alta.

Pedimos ao governo que nos ajude. O custo será alto. Esse é o resultado da mudança climática.

Muitas fotos registraram a Praça San Marco e pessoas caminhando pelas ruas tomadas pela água. A água invadiu algumas partes da Basílica de San Marco, e especialistas temem danos provocados pelo sal na estrutura. A cripta da igreja, inclusive, está totalmente alagada. “Veneza está de joelhos.

A Basílica de São Marcos sofreu sérios danos como toda a cidade e as ilhas”, afirmou o prefeito da cidade. Em 2018, o centro histórico de Veneza já havia batido seu recorde anual de inundações. Segundo dados oficiais, a “acqua alta” se repetiu 121 vezes ao longo do ano passado, quase o dobro do número verificado em 2017.

Manuel Silvestri / Reuters

Estudos apontam que a capital do Vêneto, uma das joias turísticas da Itália, está ameaçada pelas mudanças climáticas e pela contínua erosão do solo lagunar, especialmente em função da passagem de grandes navios.

A enchente é o mais recente incidente em meio aos desastres ambientais possivelmente decorrentes das mudanças climáticas registrados em todo o mundo. Atualmente, a Prefeitura de Veneza constrói o chamado “sistema Mose”, uma rede de barreiras para proteger a cidade de inundações. Já envolvida em escândalos de corrupção, a obra começou em 2003, mas caminha a passos lentos e deve ser concluída apenas em 2021.

“Pedimos ao governo que participe e entenda em que nível está o Mose, porque arriscamos não conseguir mais”, cobrou Brugnaro.

Aqui estão outras 12 imagens que refletem a situação de Veneza. 

Manuel Silvestri / Reuters
Flavio Lo Scalzo / Reuters
Flavio Lo Scalzo / Reuters
Manuel Silvestri / Reuters
Manuel Silvestri / Reuters
FILIPPO MONTEFORTE via Getty Images
FILIPPO MONTEFORTE via Getty Images
Simone Padovani/Awakening via Getty Images
Simone Padovani/Awakening via Getty Images
MARCO BERTORELLO via Getty Images
MARCO BERTORELLO via Getty Images
MARCO BERTORELLO via Getty Images