NOTÍCIAS
27/03/2019 12:56 -03 | Atualizado 27/03/2019 12:59 -03

Na Câmara, Vélez relativiza influência de Olavo de Carvalho em sua gestão

Ministro da Educação afirmou que presidente do Inep, de ala oposta à de Olavo, caiu porque ‘puxou o tapete’.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Indicado por Olavo de Carvalho ao presidente Jair Bolsonaro para ocupar o comando o Ministério da Educação, o ministro Ricardo Vélez minimizou a influência do guru ideológico na pasta. Em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que valoriza “apenas” as ideias gerais de Olavo de Carvalho, em especial a formação humanística por meio de leitura de obras literárias.

“As brigas políticas do professor para mim são outros 500. Não tomo conhecimento disso. Só me interessa essa postura humanista”, disse. “Ideia que não é exclusiva dele”, acrescentou o ministro.

Na terça-feira (26), após vai e vem sobre avaliação do nível de alfabetização, o ministro demitiu Marcus Vinicius Rodrigues do comando do Inep, órgão ligado ao MEC. À imprensa, Rodrigues afirmou que um dos motivos de seus desentendimentos com Vélez foi não aceitar indicações ideológicas, ligadas à ala olavista, para as diretorias do Inep.

“O ministro me fez várias indicações de profissionais que tinham uma postura ideológica não adequada para a gestão. E eu entendi que isso não seria adequado para a Educação do Brasil”, disse Rodrigues ao jornal O Globo.

Segundo Vélez, Rodrigues foi demitido porque “puxou o tapete”. “A última demissão no MEC ocorreu porque o diretor-presidente do Inep puxou o tapete. Ele mudou de forma abrupta o entendimento que já tinha sido feito para a preservação da Base Nacional Curricular”, disse.

Rodrigues afirma que a mudança ocorreu por pedido formal da Secretaria de Educação Básica do ministério, depois de três semanas de discussão no ministério.

As declarações de Vélez foram feitas em audiência pública da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados. Além da demissão no Inep, Vélez foi questionado pelos parlamentares sobre a dança das cadeiras no primeiro escalão da pasta. Em meados de março, o ministro demitiu seis pessoas do ministério e está com o comando da Secretaria Executiva vago —  o cargo é considerado o número dois da pasta.

Segundo Vélez, não houve nenhuma demissão de cunho político, só administrativo.

 

Pedido de desculpa

Pressionado pelos deputados por ter criticado o Brasil e dado declarações como “o brasileiro viajando é um canibal”, Vélez pediu desculpas. “Desculpa pelas palavras infelizes que proferi, as quais já tinha me arrependido.”

Ele também pediu desculpa por ter enviado às escolas uma carta com slogan da campanha de Bolsonaro e ter pedido para que os diretores fizessem a leitura do comunicado antes da execução do Hino Nacional.

“Foi uma falha, e toda falha a gente corrige na hora. Causou repercussão negativa e me traria problemas jurídicos, retifiquei imediatamente. Se é fraqueza pedir desculpa, tenho essa fraqueza, mas fiz isso duas vezes.”

O ministro também foi cobrado para entregar o cargo, mas afirmou que permanece até que o presidente Jair Bolsonaro o peça para sair.