MULHERES
23/06/2019 01:00 -03

Seleção feminina enfrenta a anfitriã França, uma das favoritas no mundial

Federação francesa investiu em categorias de base e na profissionalização de atletas. Hoje, equipe ocupa o 4º lugar no ranking da Fifa.

ASSOCIATED PRESS
Aos 28 anos, Wendie Renard atua na defesa e se destaca pela técnica em campo.

Neste domingo (23), o Brasil terá pela frente um de seus principais desafios até agora na Copa de Futebol feminino da França. As jogadoras da seleção enfrentarão o time anfitrião pelas oitavas de final, e apenas a vitória garante o passaporte para a próxima fase.

Desde o início do campeonato, a França já era apontada como uma das equipes favoritas e, por isso, acumula pressão. Mas o favoritismo vai além de jogar em casa e com torcida própria.

Veterana na Copa do Mundo, a seleção francesa já participou de três torneios, e ocupa o quarto lugar no ranking mundial da Fifa do futebol feminino. No mundial, já enfrentou o Brasil duas vezes e teve seu melhor desempenho quando pegou a quarta colocação no campeonato de 2011.

O discurso da seleção brasileira, no entanto, tem sido otimista. “Acredito que o Brasil é um grande time, e nós não devemos ter medo da seleção da França. O Brasil tem nome também e vamos estar preparadas”, disse a zagueira da seleção brasileira Kathellen, em entrevista coletiva nesta semana.

“O peso está mais nas costas delas do que nas nossas”, avaliou a jogadora, ao destacar a pressão de ser anfitriã. 

Catherine Ivill - FIFA via Getty Images
Diacre orienta seleção francesa durante a Copa feminina da França.

Apesar de a França nunca ter ganho um Mundial, nos últimos dez anos, a Federação Francesa de Futebol voltou seus olhos para a modalidade e investiu no esporte: constituiu categorias de base e ligas nacionais e investiu na profissionalização de atletas.

Não à toa, elas colecionam resultados positivos construídos a longo prazo. Quando participou pela primeira vez do Mundial, em 2003, o time não avançou da primeira fase ― onde, inclusive, enfrentou o Brasil. Já em 2011, com investimento da Federação, as francesas alcançaram o quarto lugar no torneio. Hoje, como anfitriãs do evento, lotaram estádios com ingressos esgotados.

Outro efeito desse investimento a longo prazo é o fato de nomes de peso integrarem o time também em áreas táticas, como a atacante Amandine Henry, a defensora Wendie Renard e a técnica pioneira Corinne Diacre.

Henry é a “craque” delas e estava entre as finalistas ao prêmio de melhor do mundo da Fifa no ano passado, porém Marta levou o prêmio. Renard também esteve entre as melhores do mundo e, em campo, se destaca pela técnica. Já Diacre é conhecida por quebrar paradigmas: foi a primeira técnica mulher de um time masculino e há dois anos está à frente do time feminino na França.

Marcio Machado via Getty Images
Marta Silva durante partida contra a Itália, na última terça-feira (18).

Esta será a segunda vez que o Brasil enfrenta a França em uma Copa. Em 2003, as seleções empataram por 1 a 1 na terceira rodada da fase de grupos ― o que fez o Brasil avançar em primeiro lugar. Em amistoso no fim de 2018, o time anfitrião venceu o Brasil por 3 a 0, indicando amadurecimento da equipe.

Até o momento, o Brasil teve uma primeira fase irregular no campeonato: soma uma vitória sobre a Jamaica por 3 a 0, uma derrota de virada para a Austrália por 3 a 2, e uma classificação ao bater a Itália por 1 a 0. Pela pontuação de outras seleções, no geral da fase de grupos, o Brasil ocupa o nono lugar.

O time francês, por sua vez, fez uma estreia com direito a goleada contra a seleção da Coreia do Sul, por 4 a 0. Em seguida, bateu a Noruega por 2 a 1, e garantiu o 100% de aproveitamento vencendo a Nigéria, por 1 a 0. 

Para entrar com fôlego contra a França e seguir no campeonato, Marta será titular ― mas é provável que jogue só o primeiro tempo, assim como contra a Austrália e Itália. A jogadora ainda está se recuperando de uma lesão na coxa.

 

A Copa da visibilidade para as mulheres no futebol

Phil Noble / Reuters
Jogadoras do Brasil comemoram gol de Marta contra a Itália na última terça-feira (18).

Esta já é a maior Copa em termos de visibilidade e, por isso, o desempenho do Brasil nas quartas de final será visto por um maior número de pessoas no País. E, por isso, é importante para a modalidade que o time siga no campeonato. 

O jogo deste domingo (23) será transmitido ao vivo pela TV Globo e Bandeirantes, na TV aberta, e na SporTV e BandSports, na TV paga. Esta é a 8ª Copa no currículo da seleção brasileira.

Atualmente, sob o comando de Vadão ― que está em sua segunda Copa com a seleção ―, o time entra em campo com o peso de ser o 10º colocado do ranking, somando 12 vitórias, um empate e 10 derrotas acumuladas ― sendo 9 delas consecutivas. A última vitória foi em julho de 2018, contra o Japão.

A seleção já teve quatro baixas até o momento. A atacante Adriana, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho, a lateral-direita Fabi Simões, que sofreu uma lesão na coxa direita, Érika, com uma lesão em um músculo da panturrilha, e Andressa Alves, com uma lesão na coxa.