LGBT
15/10/2019 13:44 -03 | Atualizado 15/10/2019 15:28 -03

Modelo trans e brasileira, Valentina Sampaio é estrela da capa de outubro da Elle francesa

Revista de moda consagra modelo cearense como "o símbolo de uma época".

Valentina Sampaio, top model transgênero e brasileira, é considerada a voz de uma geração e o símbolo de uma época pela revista Elle francesa. Neste mês, a modelo cearense é destaque da revista de moda: foi fotografada por Sebastian Kim para a capa da publicação e foi perfilada pela jornalista Maud Gabrielson.

Sampaio estreou nas passarelas em 2014, no Dragão Fashion Brasil, evento de moda tradicional do Ceará ― e desde então sua carreira deslanchou. Natural de Aquiráz, em Fortaleza (CE), ela é a primeira mulher trans a integrar o time de modelos da Victoria’s Secret ― ela está no novo catálogo da linha “Pink”.

Antes, ela já tinha quebrado barreiras ao ser a primeira transexual a ser garota-propaganda da marca L’Oréal Paris, em 2016. Neste mesmo ano, estreou na São Paulo Fashion Week (SPFW). Em 2017, foi novamente pioneira ao ser a primeira modelo trans na capa da Vogue Paris. 

“Imagine um mundo em que não seja novidade uma modelo transgênero ser garota propaganda ou desfilar por alguma marca. Isso não seria incrível? Significaria que é algo normal e que está acontecendo o tempo todo”, disse Sampaio em entrevista ao HuffPost Brasil, em setembro.

Divulgação
Valentina Sampaio é estrela da Elle francesa deste mês.

“Eu obviamente estou muito feliz com as mudanças na indústria. E não apenas para a comunidade trans. É inspirador ver muitas minorias representadas, seja pelo gênero, biotipo ou etnia. Todos precisam ser representados na moda e na sociedade. Me sinto orgulhosa e inspirada por fazer parte dessa evolução e planejo usar minha voz para continuar a ultrapassar limites”, disse.

Limites estes que, diante de um cenário social, se tornam cada vez maiores. O Brasil é o País que mais mata pessoas trans no mundo, segundo a ONG Transgender Europe. De acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em conjunto com o Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE), 163 pessoas trans foram assassinadas no País em 2018.