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24/04/2020 07:15 -03 | Atualizado 24/04/2020 10:06 -03

Bolsonaro exonera diretor-geral da PF e permanência de Moro no governo é incerta

Ministro da Justiça foi informado na quinta da decisão de Bolsonaro e disse que sairia se presidente seguisse com seu plano; ministros do Planalto tentaram conter crise.

Adriano Machado / Reuters

O presidente Jair Bolsonarocumpriu o que disse ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e exonerou Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24).

Moro foi comunicado pelo presidente na manhã de quinta (23), em uma reunião no Palácio do Planalto, sobre a substituição de seu homem forte na PF e pediu demissão. Ministros palacianos passaram a tarde e a noite tentando fazer tanto o presidente quanto o ministro recuarem.

Até o início da madrugada de sexta, nenhum dos dois havia expressado intenção de ceder e Bolsonaro seguiu com seu plano.

Por volta das 10h da manhã, Bolsonaro tuitou a reprodução do Diário Oficial com o registro da saída de Valeixo e um grifo em “exoneração, a pedido”. Ainda colou um trecho da lei que versa sobre as classes da carreira policial federal, deixando em caixa alta que o cargo de diretor-geral, é “nomeado pelo Presidente da República”. O texto diz ainda que o cargo é “privativo de delegado de Polícia Federal integrante da classe especial”.

Não foi a primeira vez que o presidente partiu pra cima da Polícia Federal, mas dessa vez decidiu não recuar.

Entre os nomes cotados para a vaga de Valeixo, estão o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, que é próximo de Alberto Fraga, um antigo amigo de Bolsonaro, e também o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem.

A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça não confirmou o pedido de demissão de Moro.

Ele porém afirmou a Bolsonaro e reafirmou ao general Augusto Heleno, com quem falou por telefone durante a quinta: ” Se Valeixo sair, eu saio”.

Do outro lado, segundo fontes palacianas, em um ato inclusive pouco comum, Bolsonaro deixou seu gabinete nesta sexta e foi à sala do ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência da República) dizer-lhe para se preparar para uma nova missão. Há quem aposte que o mandatário pode colocá-lo no Ministério da Justiça caso Moro, de fato, peça demissão.

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