NOTÍCIAS
03/02/2019 15:08 -02

Vale volta a tentar explicar o motivo pelo qual as sirenes não tocaram em Brumadinho

Na quinta-feira, a empresa disse “que a sirene que ia tocar foi engolfada pela queda da barragem”.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images

Em meio à crise de imagem, a Vale voltou a tentar explicar o motivo pelo qual as sirenes não tocaram quando ocorreu o rompimento fatal da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro. Em uma nova declaração, a empresa afirmou que o sistema de alerta sonoro é acionado manualmente, a partir de um Centro de Controle de Emergências e Comunicação, com funcionamento 24 horas por dia, que fica localizado fora da área da mina.

A Vale, porém, não informou onde fica esse centro de controle, quem são os responsáveis por acionar o alarme e como essa decisão é tomada.

Na última quinta-feira (31), o diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, havia afirmado “que a sirene que ia tocar foi engolfada pela queda da barragem antes que ela pudesse tocar”.

A Vale manteve a informação inicial que indica que, devido à velocidade com que ocorreu o rompimento da barragem não foi possível que as sirenes de emergência fossem acionadas.

“Pelas informações iniciais, que estão sendo apuradas pelas autoridades, devido à velocidade com que ocorreu o evento, não foi possível acionar as sirenes relativas à Barragem 1. As causas continuam sendo apuradas”, disse o comunicado enviado à imprensa na noite de sábado.

A barragem da Vale em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, que continha 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro, despejou uma avalanche de lama em área administrativa da mineradora, comunidades, rios e matas.

O desastre deixou pelo menos 121 mortos, dos quais 93 identificados, e 226 desaparecidos, informou a Defesa Civil no sábado.

No comunicado, a Vale voltou a ressaltar que a Barragem 1 “estava inativa desde 2016 e tinha todas as declarações de estabilidade aplicáveis, pois passava por constantes auditorias externas e independentes”.

Segundo a empresa, havia inspeções quinzenais, reportadas à Agência Nacional de Mineração (ANM), sendo a última datada de 21 de dezembro de 2018. “A estrutura passou também por inspeções nos dias 8 e 22 de janeiro deste ano, com registro no sistema de monitoramento da Vale. Foram realizados ainda um simulado externo de emergência em 16 de junho de 2018, sob coordenação das Defesas Civis e com o apoio da Vale, e um treinamento interno com os empregados em 23 de outubro de 2018”, disse a empresa.

A Vale destacou ainda que a rota de fuga prevista no Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) foi executada. “O treinamento interno com empregados foi realizado em outubro de 2018. Pelas informações iniciais, que estão sendo apuradas pelas autoridades, devido à velocidade com que ocorreu o evento, não foi possível acionar a sirene de segurança.”

Danos à imagem

A  maior produtora global de minério de ferro  tem tentador construir a imagem abalada após o rompimento da barragem. De acordo com o G1, a Vale perdeu R$ 51 bilhões em valor de mercado desde a tragédia. As notas de classificação de risco da empresa também já foram atualizadas de forma negativa por consultorias de rating como a Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s.

Entre as tentativas para preservar a imagem, a Vale suspendeu  pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, a recompra de ações de sua própria emissão e os pagamentos de remuneração variável a executivos, ofereceu doação de R$ 100 mil a cada família de vítima e também prometeu fechar todas as barragens que usam mesma técnica de contenção de Brumadinho.

Ao dizer que fecharia outras unidades de mineração, Schvartsman afirmou que era um “plano drástico e definitivo”. “Nós temos os laudos de estabilidade e auditorias recentes que comprovam que nossas estruturas são seguras. Mas resolvemos não aceitar apenas esses laudos.”

 

Drenos na barragem

Ainda faltam explicações sobre o rompimento da barragem. A companhia ainda não apontou causas para o colapso de sua estrutura.

Em entrevista à Reuters, o subsecretário de Regularização Ambiental, da secretaria do meio ambiente do Estado, Hidelbrando Neto, afirmou que o desastre pode ter sido causado por liquefação, o que já ocorreu em outros grandes desastres no mundo em estruturas com o mesmo método de construção de Brumadinho (MG), com tecnologia de alteamento a montante.

O sistema a montante custa cerca de metade de outras barragens, mas apresenta maior risco de segurança, porque suas paredes são construídas sobre uma base de resíduos, em vez de em material externo ou em terra firme.

No entanto, seria preciso entender por que a liquefação teria acontecido, segundo o subsecretário, uma vez que dados entregues pela Vale mostram que equipamentos chamados piezômetros não detectaram movimentação de água interna na estrutura.

No comunicado da noite de sábado, a Vale explicou ainda sobre a utilização de dutos de drenagem de água na barragem que se rompeu. Segundo a empresa, a presença desses dutos também é medida padrão para garantir a segurança de barragens e trata-se de procedimento rotineiro, utilizado mundialmente. “No caso específico da Barragem 1, além dos já existentes, foram instalados, em 2018, drenos adicionais como medida complementar antes do início do processo de descomissionamento. Cabe lembrar que se tratavam de medidas preventivas, dado que os laudos técnicos indicavam a total estabilidade da estrutura”, afirmou.

 

(Com Reuters)