NOTÍCIAS
29/01/2019 02:00 -02

Uso de celular ao volante aumenta em 400% risco de acidentes

Essa é a 3ª maior causa de mortes de trânsito no Brasil.

AndreyPopov via Getty Images
Usar o celular ao fone é ilegal e causa acidentes fatais.

Uma das cenas mais comuns para quem está acostumado a encarar o trânsito diariamente é olhar para os lados e ver motoristas utilizando os celulares com a maior naturalidade enquanto dirigem seus carros. Além de ilegal, o ato é extremamente perigoso. Segundo dados da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), essa atitude é a terceira maior causa de mortes no trânsito no País, vitimando cerca de 150 motoristas por dia e 54 mil anualmente.

A explicação está na falta de atenção que o uso do aparelho celular enquanto dirige causa nas pessoas, independentemente do aplicativo escolhido pelo condutor do carro.

O uso atual dos smartphones não está restrito somente a fazer ou receber ligações. Muitos motoristas são flagrados navegando pelas redes sociais ou respondendo a mensagens de WhatsApp enquanto dirigem.

O Detran informa que qualquer que seja a motivação, o uso do celular deveria ser evitado, pois aumenta em cerca de 400% as chances de o motorista se envolver em acidentes de trânsito. Para se ter uma ideia da gravidade da questão, esse percentual elevado é comparável ao perigo de dirigir sob o efeito de álcool.

Um estudo realizado pelo Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) revelou que alguns motoristas chegam a ficar entre 4 e 5 segundos sem prestar atenção na via enquanto manuseiam o celular.

Isso equivale, segundo o estudo, a percorrer uma distância de 12 carros populares enfileirados com os olhos completamente fechados — se o condutor estiver trafegando a uma velocidade de 80 km/h.

Responder a uma mensagem no WhatsApp é ainda mais perigoso. Estima-se que o tempo gasto para tal pode variar entre 12 e 23 segundos, o que equivaleria a percorrer uma distância de um campo de futebol com os olhos vendados ou fechados.

“Usar o celular ao volante tira completamente a atenção do motorista. A uma velocidade de 100 km/h, se percorre uma enorme distância em apenas poucos segundos, por isso uma distração pode ser fatal”, o advogado especialista em trânsito Renato Campestrini, gerente técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) à Agência Brasil.

 

Masanyanka via Getty Images
Atualmente, pessoas usam viva voz em vez de falar ao celular, mas ação também é arriscada no trânsito.

 

Perigo na estrada também para os outros

O uso do celular ao volante não é um perigo somente para os motoristas infratores. Os pedestres também são vítimas constantes de atropelamentos originados pela distração do condutor e seu smartphone.

Pequenas colisões também têm aumentado bastante por conta da distração causada pelo uso do celular, segundo Campestrini. “O motorista, às vezes, está parado atrás de outro veículo, fica olhando o celular, e quando arranca acaba colidindo com o carro da frente, porque perdeu a noção da distância. Isso é muito comum hoje em dia”.

Viva voz não diminui o problema

Engana-se quem imagina que o uso dos aparelhos no modo viva voz — aquele que dispensa o ato de ter de segurar o smartphone — diminui o problema da desatenção.

Os estudos apontam que ao conversar com alguém ao telefone, mesmo que por viva voz, você perde a noção auditiva do trânsito e desvia a atenção daquilo que está fazendo ao volante para o assunto da conversa.

Apesar de não serem proibidos pela lei (apenas fones de ouvido visíveis são passíveis de penalização), os dispositivos bluetooth e viva voz também devem ser evitados para uma direção segura.

Número de multas disparou em 2018

O uso do celular ao volante é proibido pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro), que estabelece a infração como gravíssima. A multa para esse tipo de irregularidade é de R$ 293,47, além da perda de 7 pontos na CNH.

Pelo Código de Trânsito, o motorista deve dirigir sempre com as duas mãos no volante, exceto quando for mudar a marcha, acessar equipamentos do veículo ou sinalizar com os braços (para troca de faixa, conversões etc).

O aumento do número de infrações pelo uso de celulares aumentou consideravelmente desde que ela passou a ser classificada como gravíssima pelo CTB, em 2016. Foram 759,7 mil apenas no primeiro semestre de 2018, um aumento de 33% em relação a todo o ano de 2017.