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06/07/2020 18:30 -03 | Atualizado 06/07/2020 18:35 -03

Pandemia de covid-19 pode atrasar em 10 anos luta contra a aids, alerta ONU

Preocupação é que a covid-19 dificulte acesso a medicamentos e interrompa tratamentos no mundo todo, aponta estudo da Unaids divulgado nesta segunda (6).

O número de mortes causadas pela aids continua diminuindo e o acesso aos tratamentos melhorando gradualmente, mas esses avanços podem estar comprometidos  devido à pandemia de COVID-19, alertou relatório da agência UNAIDS, da ONU (Organizações das Nações Unidas) nesta segunda-feira (6).

“As metas globais para o HIV estabelecidas para 2020 não serão atingidas”, aponta o relatório. “Até os ganhos obtidos podem ser perdidos e o progresso pode estagnar ainda mais se não agirmos”.

O documento mostra que o mundo não vai conseguir cumprir metas críticas para 2020, incluindo a redução de 50% das mortes relacionadas ao HIV entre 2015 e o final de 2020. Este objetivo, entre outros, foi acordado por todos os Estados Membros da ONU na Declaração Política de 2016 sobre HIV e AIDS.

A pandemia, que entrou em erupção na China em janeiro, já “impactou seriamente” a luta contra a doença no mundo, diz a UNAIDS. Paradoxalmente, a quarentena e o isolamento social necessários para a contenção da doença,  atrasaram ou interromperam tanto o tratamento, quanto testes de HIV.

Os dados mais recentes de 2019 mostram que 38 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que causa a aids, um milhão a mais do que em 2018, segundo o relatório.

REUTERS

690 mil pessoas morreram de causas relacionadas ao HIV em 2019, número mais baixo desde 1993. O relatório mostra que o mundo está atrasado na prevenção de novas infecções, com 1,7 milhão de novos casos em 2019.

Até o final de 2019, 67% das pessoas (25,4 milhões) que precisam de tratamento com antirretrovirais (ARVs) tinham acesso aos medicamentos. Segundo o estudo, isso deixa uma lacuna de 12,6 milhões de pessoas vivendo com HIV que ainda precisam de tratamento e não têm acesso a ele.

“Na próxima década, é necessária uma ação decisiva todos os dias para colocar o mundo de volta aos trilhos e acabar com a epidemia de aids até 2030”, disse Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.

As regiões com a maior disseminação do HIV são a Europa Oriental e a Ásia Central, que juntas registraram um aumento “chocante” de 72% em novas infecções desde 2010, segundo o estudo. Os contágios também aumentaram no Oriente Médio e no norte da África em 22% e 21% na América Latina.

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