MULHERES
09/06/2019 01:00 -03 | Atualizado 09/06/2019 12:17 -03

Com ausência de Marta no 'trio', veteranas Formiga e Cristiane são apostas do Brasil

Seleção brasileira estreia na Copa do Mundo da França neste domingo (9), contra a seleção da Jamaica, que disputa seu 1º torneio.

ASSOCIATED PRESS
Marta abraça Formiga após marcar segundo gol nas quartas-de-final entre Brasil e Estados Unidos na Copa do Mundo de Dresden, Alemanha, em 2011.

É oficial. Marta está fora, pelo menos, do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo da França. A craque não conseguiu se recuperar a tempo da lesão que sofreu na coxa esquerda há duas semanas e ficará na torcida pelo Brasil, que entra em campo pela 1ª vez no mundial neste domingo (9) contra a Jamaica.

A ausência da atacante após a lesão coloca em risco a chance de ainda ver o “trio de ouro” da seleção brasileira em ação pela última vez num torneio dessa importância. Ao lado de Cristiane e Formiga, Marta faz parte do time de veteranas que são a grande aposta para esta Copa e cultivam o sonho de levar o troféu para casa.

″Óbvio que se você perde a melhor jogadora do mundo, você perde individualmente uma atleta acima da média, fora de série. Mas a gente sabe que está sujeito a isso. É uma perda considerável falando da qualidade individual da Marta, ela faz várias funções”, disse o técnico Vadão, em coletiva de imprensa neste sábado (8), segundo o Globo Esporte.

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Khadija Shaw (à esquerda), da Jamaica, luta pela bola com Yomira Pinzon (à direita), do Panamá, durante partida amistosa em seu país de origem.

Às 10h30 (horário de Brasília), a equipe brasileira entra em campo em Grenoble. Esta é a 8ª Copa no currículo das brasileiras ― que por isso têm uma responsabilidade a mais de passar para a próxima fase.

Já a Jamaica, por mais que seja estreante no torneio, conta com a jogadora Khadija Shaw, de 22 anos, que é atacante do Florida Krush (EUA) e que somou 19 gols nas eliminatórias.

O sonho brasileiro de levar a taça para casa, no entanto, tem se mostrado distante nos últimos anos. Até agora, o melhor resultado da seleção brasileira na história das Copas femininas foi em 2007, na China - quando conseguiu chegar na final, mas perdeu para a Alemanha, que já é dona de dois títulos mundiais. 

Aly Song / Reuters
Formiga, Cristiane e Marta comemoram após marcar contra os EUA durante a semifinal da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2007.

Hoje, sob o comando de Vadão ― que vai para a sua segunda Copa com a seleção brasileira ―, o time entra em campo com o peso de ser o 10º colocado do ranking, somando 12 vitórias, um empate e 10 derrotas acumuladas. A última vitória do Brasil foi em julho de 2018, contra o Japão.  

Além disso, o time já teve quatro baixas até o momento. Primeiro, a atacante Adriana, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho, e a lateral-direita Fabi Simões, que sofreu uma lesão na coxa direita. Érika foi a terceira baixa da seleção, com uma lesão em um músculo da panturrilha. A quarta foi Marta, mas ainda há expectativa que a atacante volte nos próximos jogos.

Por isso, alterações no time titular foram feitas. Entram em campo a zagueira Mônica, que fará dupla com Kathellen em função do corte da Érika, que foi substituída por Daiane. Também estão entre as titulares Letícia Santos (lateral direita), Tamires (lateral e meio-campo), Formiga (meio-campo), Thaísa (meio-campo), Andressa Alves (meio e ponta), Bia Zaneratto (centroavante), Cristiane (atacante) e Bárbara (goleira).

Entre os adversários da primeira fase na Copa, a Jamaica é considerada a mais fraca do grupo até o momento. Na sequência, o Brasil enfrenta a Austrália, que é uma das equipes favoritas para o mundial e ocupa o lugar de 6ª melhor seleção do mundo. O terceiro jogo é contra a Itália, que há 20 anos não se classificava para o campeonato.

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Debinha, Formiga e Marta em partida contra os Estados Unidos realizada no Estádio Nacional, em Brasília, em 2014.

Mesmo diante do cenário que parece não ser dos melhores para a seleção brasileira, Formiga e Cristiane continuam sendo as grandes apostas.

Conheça abaixo mais das jogadoras veteranas que podem brigar por um título mundial com a camisa do Brasil pela última vez:

Marta, atacante (a melhor do mundo)

Naomi Baker - FIFA via Getty Images
Qualquer gol protagonizado por Marta no torneio na França promete elevar ainda mais seu recorde.

Mesmo fora da competição até o momento, vale lembrar que Marta Vieira da Silva, aos 33 anos, é dona da marca de 15 gols marcados em Copas, o que faz dela a maior goleadora dos mundiais femininos. Caso se recupere da lesão, qualquer gol protagonizado por ela promete elevar ainda mais seu recorde.

Há ainda a expectativa que ela supere o alemão Miroslav Klose para se tornar a maior goleadora - mulher ou homem - em Copas do Mundo. Mas fique de olho também na canadense Christine Sinclair: ela está a apenas quatro gols de distância de um recorde de gols marcados em partidas internacionais.

Versátil, Marta pode jogar de meia-atacante, atacante, ponta ― e é responsável por mudar a história do futebol feminino no Brasil, ao lado de Formiga.

A alagoana rouba a cena desde que tinha 17 anos e começou a jogar na Suécia. Aos 20, conquistou seu primeiro prêmio na Fifa e hoje, defendendo as cores do Orlando Pride, nos Estados Unidos, entrou para a história ao ser eleita melhor jogadora do mundo pela 6ª vez ― desbancando os craques internacionais Messi e Cristiano Ronaldo.

Marta é grande estrela da seleção brasileira, mas é também a maior estrela do futebol feminino mundial.

 

Cristiane, atacante 

Naomi Baker - FIFA via Getty Images
Natural de Osasco (SP), ela é a jogadora que forma o trio estrelado ao lado de Marta e Formiga.

Aos 34 anos, Cristiane Rozeira de Souza Silva vai para sua quinta Copa como atacante. Considerada a maior artilheira da história dos Jogos Olímpicos, com 14 gols, ela chega perto de Formiga em copas disputadas: esta é a quinta vez que disputa um mundial. 

Cristiane já jogou na Alemanha, nos EUA, na China, na França e hoje veste a camisa do São Paulo.

Ela foi a primeira das três veteranas a falar abertamente sobre uma possível aposentadoria. Na última sexta-feira (7), em coletiva de imprensa, ela afirmou que esta será a ”última busca pelo sonho”, referindo-se ao título.

“Sempre tem uma pressão quando disputamos a Copa, de ter que trazer o título, ter que ganhar. Isso sempre existiu”, disse a atleta, segundo o Globo Esporte. “Vai ser a última Copa para mim, não sei para a Marta. Mas temos que tentar contribuir enquanto estamos aqui. Vai ser a nossa última busca pelo sonho. Meu, da Formiga, dessa geração que está terminando”, completou.

Marta e Formiga ainda não falaram sobre o futuro. Mas é fato: poucos países tiveram o privilégio de participar de todas as Copas do Mundo de Futebol feminino como o Brasil e a história delas se confunde com a do time.

 

Formiga, meio-campo

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Aos 41 anos, Formiga completa 24 vestindo a camisa da seleção.

Miraíldes Maciel Mota, a Formiga, é uma referência para a seleção brasileira feminina ― e sua história e a do time praticamente se confundem. É quase impossível imaginar o time sem a baiana, natural de Salvador.

O apelido não veio à toa: Formiga atua por todo o meio de campo - marca, desarma, avança, chuta. Segundo a CBF, ela percorre a maior distância nos jogos: em média, 10,5 km, sendo que 1,6 km são em corridas intensas.

Aos 41 anos, Formiga completa 24 vestindo a camisa da seleção. Ela será a atleta mais velha a disputar o torneio e esta também será sua sétima Copa do Mundo (ela será a primeira jogadora - mulher ou homem - a fazê-lo). No Paris Saint-Germain, time que atua há dois anos, é a capitã e tem a confiança do treinador, Patrice Lair, dentro de campo. No PSG ela fica até 2020.