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19/12/2019 01:02 -03 | Atualizado 19/12/2019 08:52 -03

Senado decide em janeiro destino de Donald Trump após impeachment na Câmara

Processo contra republicano foi aberto por maioria dos deputados. Ele é acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso.

ASSOCIATED PRESS
Donald Trump discursa em comício em Michigan, enquanto seu impachment era aprovado pela Câmara dos Deputados dos EUA.

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na noite desta quarta-feira (18) o impeachment do presidente Donald Trump, com 230 votos a favor e 197 contra por abuso de poder e 229 votos a favor e 198 contra por obstrução do Congresso.

Trump agora é o 3º presidente norte-americano a sofrer um processo de impeachment na Câmara. Antes dele, foram investigados formalmente Andrew Johnson (1868) e Bill Clinton (1998). O processo dos dois foi aberto na Câmara, mas rejeitado pelo Senado.

Agora, cabe justamente aos senadores decidirem se Trump será removido da Casa Branca ou não. A nova etapa de julgamento está marcada para janeiro.

Dos 100 senadores dos EUA, 53 são republicanos — o que aponta para um prognóstico favorável a Trump. Enquanto espera pelo processo, o republicano continua no poder.

Para Trump ser impedido, 2/3 dos senadores precisariam condená-lo. Ou seja, ao menos 20 senadores republicanos — algo descartado pela maioria dos analistas políticos nos EUA.

As acusações formais contra o presidente são decorrentes das ações de Trump em relação à Ucrânia.

A primeira é a suspeita de abuso de poder, que começa na ligação do presidente americano para o mandatário ucraniano, Volodymyr Zelensky. No telefonema, Trump pede a Zelensky para investigar se o ex-vice-presidente democrata Joe Biden acabou com uma investigação sobre companhia em que o filho dele, Hunter Biden, era funcionário. Biden está na frente de Trump nas pesquisas eleitorais para 2020.

Segundo a acusação, Trump estava condicionando enviar ajuda militar à Ucrânia em cerca de US$ 400 milhões em troca do apoio de Zelensky.

A segunda acusação é a de que Trump obstruiu os trabalhos do Congresso na medida em que teria proibido funcionários do governo de depor em comissão da Câmara — mesmo as que haviam sido intimadas.

O presidente Donald Trump foi ao Twitter atacar o processo de impeachment na Câmara. “Mentiras que são atrocidade da esquerda radical não fazem nada, Democratas. Essa é uma agressão à América e ao Partido Republicano.” 

No momento da aprovação do impeachment, Trump estava em um comício em Michigan. Ele disse aos eleitores que não parecia que estava sofrendo um impedimento. “O país está indo melhor do que nunca. Não fizemos nada de errado”, defendeu-se.

Mais cedo, a presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, disse que Trump era “uma ameaça permanente à democracia norte-americana”. 

“Hoje estamos aqui para defender a democracia para o povo”, disse a democrata, aplaudido pelos correligionários.

Para o vice-presidente, Mike Pence, Nancy Pelosi e a Câmara democrata venceram na noite passada, mas o Senado de maioria republicana dará seu recado em janeiro.

* Texto elaborado com agências.