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24/09/2019 16:28 -03

Alinhados na ONU, Trump e Bolsonaro atacaram imprensa, socialismo, Cuba e Venezuela

Presidentes aproveitaram para exaltar a soberania e o patriotismo, demonstrando afinidade ideológica.

Foto: Alan Santos/PR
Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, em Nova York

Chamado de Trump Júnior, o presidente Jair Bolsonaro e o mandatário dos Estados Unidos adotaram tons semelhantes em seus respectivos discursos nesta terça-feira (24), na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Ambos se voltaram mais a seus apoiadores do que aos chefes de Estado presentes ao plenário da sede da entidade em Nova York.

Foram retóricas recheadas de ideologias, defesas do patriotismo, ataques à imprensa e acusações a países. Foi justamente o contrário do que prega o evento das Nações Unidas, um local de busca de acordos e consensos, mas que demonstra o alinhamento ideológico entre os dois chefes de Estado. 

Com falas seguidas uma da outra - primeiro o brasileiro, conforme a tradição no evento, depois o americano, anfitrião -, ambos teceram críticas à Cuba e Venezuela, exaltaram a soberania nacional e criticaram o socialismo. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou o venezuelano Nicolás Maduro de “marionete cubana, protegido por seguranças cubanos” e se disse comprometido em apoiar “pessoas oprimidas como as que vivem em Cuba, Nicarágua e Venezuela”. 

Disse também que não reconhece a autoridade de Maduro e que aguarda “o dia em que a democracia será restaurada” na região para que os milhões de dólares em ajuda humanitária sejam entregues ao país. 

Ao atacar o que chamou de “espectro do socialismo”, Trump destacou que o regime jamais terá espaço nos EUA e acrescentou: “A Venezuela nos lembra de que o socialismo e o comunismo não se tratam de justiça, não versam sobre igualdade, nem sobre a ajuda aos pobres. (...) O socialismo e o comunismo tratam de uma única coisa: do poder da classe dirigente.”

Como Bolsonaro, o mandatário norteamericano investiu contra vários países - além da Venezuela, China e Irã também foram alvos -, o presidente dos Estados Unidos fez questão de reforçar a soberania militar do país, mas destacou a preferência pela “busca parceiros, não adversários”. 

O líder americano também apelou à exaltação da soberania e do patriotismo, uma das tônicas da fala de Jair Bolsonaro. “O futuro não será dos globalistas. Será dos patriotas”, afirmou Trump. “Se você quer liberdade, tenha orgulho de seu país. Se quer democracia, defenda sua soberania. Se quer paz, ame sua nação”, completou. 

Também como o mandatário do Brasil, o chefe de Estado dos EUA mencionou questões internas de seu governo, como baixos números de desemprego e queda da pobreza em sua gestão, o que também teria beneficiado negros e hispânicos.    

Enquanto o brasileiro citou Trump nominalmente, este, por sua vez, não fez nenhum gesto ao Brasil ou ao presidente Bolsonaro em sua fala.

Antes de discursar, os dois presidentes de cumprimentaram na sala anexa ao palco no plenário da sede da ONU em Nova York. Na ocasião, Donald Trump elogiou a fala de Bolsonaro. 

Jair Bolsonaro ainda tem esperança de um encontro privado com o mandatário estadunidense nesta terça, antes de retornar ao Brasil. Por ordens médicas, sua agenda nos EUA foi encurtada - o presidente foi submetido a uma cirurgia em 8 de setembro para correção de uma hérnia abdominal. 

A reunião particular, porém, não está confirmada. O que já se sabe é que Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle, devem comparecer ao jantar oferecido por Trump aos chefes de Estado presentes na Assembleia Geral antes de seguir para o aeroporto.