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10/10/2019 13:34 -03 | Atualizado 11/10/2019 00:53 -03

Depois de prometer apoio ao Brasil na OCDE, Trump prioriza outros países

Estados Unidos dão aval primeiro as candidaturas da Argentina e da Romênia. Brasil fica para a próxima.

Kevin Lamarque / Reuters

Depois de se comprometer em apoiar o Brasil a ingressar na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o governo dos Estados Unidos decidiu priorizar as candidaturas da Argentina e da Romênia. A informação é da agência de notícias Bloomberg, que teve acesso a uma carta do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, enviada ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria.

Segundo o G1, o governo americano continua a defender o ingresso do Brasil, mas em outro momento. “Apoiamos o aumento [gradual no número de integrantes da] OCDE e um convite ao Brasil, mas estamos trabalhando primeiro com a Argentina e a Romênia”, afirmou um alto funcionário da administração dos EUA à repórter Raquel Krähenbühl.

O argumento para escolher primeiro esses países, segundo informações do G1, foi a ordem cronológica. Esses países teriam iniciado o processo de ingresso ao grupo mais cedo. 

No documento ao qual a Bloomberg teve acesso, de 28 de agosto, o governo de Donald Trump fez suas declarações de apoio aos dois países aliados. “Os EUA continuam a preferir a ampliação a um ritmo contido que leve em conta a necessidade de pressionar por planos de governança e sucessão”, diz o documento.

Em março deste ano, em visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington, Trump afirmou publicamente que apoiava à adesão do Brasil ao seleto grupo. Nesta quinta-feira (10), a embaixada americana voltou a reforçar o compromisso.

“A declaração conjunta de 19 de março do presidente Trump e do presidente Bolsonaro afirmou claramente o apoio ao Brasil para iniciar o processo para se tornar um membro pleno da OCDE e saudou os esforços contínuos do Brasil em relação às reformas econômicas, melhores práticas e conformidade com as normas da OCDE. Continuamos mantendo essa declaração”, afirmou.

Em sua live semanal, Bolsonaro reiterou o acordo com Trump e criticou a imprensa, que inicialmente afirmou que o Brasil foi ignorado pelo governo americano. “Não depende só de Trump. Tem que procurar todos os países e ter unanimidade. Nossa equipe está trabalhando, estamos chegando quase lá, mas Argentina e Romênia estavam na frente”, disse Bolsonaro. 

“Não é chegou vai entrando… Eles fazem uma seleção e é a conta-gotas. (...) Vai chegar a hora do Brasil. O Brasil começou a tentar em 2017, leva mais de ano essa entrada, com o presidente [Michel] Temer (...). No governo do PT nem tentavam e não iam conseguir de jeito nenhum”, pontuou.

Na visita, em março, o governo brasileiro comemorou a atitude do aliado e a endossou como uma de suas principais bandeiras para a política externa. Na época, em entrevista ao HuffPost, o especialista da FGV em Relações Internacionais Matias Spektor explicou que fazer parte deste seleto grupo de países que integram a OCDE significa que o país respeita “boas práticas” de nações interessadas em abrir a economia, algo que está em convergência com a política econômica atual dirigida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Resumidamente, é uma amarra que se dá no sentido de se adequar à abertura comercial”, disse. Aos investidores, isso significaria que o Brasil está comprometido com a saúde de sua economia.

Por ora, o governo de Trump cumpriu a promessa de designar o Brasil como um aliado extra-Otan. O acordo permite que o País tenha acesso à material bélico com custo menor.