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30/07/2019 16:21 -03 | Atualizado 30/07/2019 16:45 -03

Trump elogia filho de Bolsonaro e diz não considerar nepotismo a indicação para embaixador

O presidente dos Estados Unidos, no entanto, não sabia que Eduardo havia sido indicado para a embaixada brasileira em Washington.

Paola de Orte/Agência Brasil/Washington (EUA)
Indicação de Eduardo está sendo avaliado pelos EUA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não considera nepotismo a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington. Ele, no entanto, não sabia que Eduardo havia sido indicado para o posto de embaixador.

Ao ser indagado pela  repórter Raquel Krähenbühl, da GloboNews, nesta terça-feira (30) sobre a possível nomeação do deputado, Trump o elogiou.

“Eu conheço o filho dele [Jair Bolsonaro] e considero que o filho dele é extraordinário, um jovem brilhante, incrível, estou muito feliz pela indicação”, disse.

Os elogios seguiram. 

Não acho que é nepotismo porque o filho ajudou muito na campanha. O filho dele é extraordinário, ele realmente é.Donald Trump, presidente dos EUA

Ao ser questionado sobre a possibilidade de se tornar embaixador, Eduardo defendeu seu currículo. Disse não ser apenas “um filho de deputado que vindo do nada” iria ser nomeado embaixador.

“Tenho um trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine, no frio do Colorado, aprimorei meu inglês, vi como é o trato receptivo do americano com os brasileiros”, defendeu.

“Então é um trabalho que pode ser desenvolvido. Precisaria contar com a ajuda dos colegas do Itamaraty, os diplomatas, porque vai se um desafio grande, mas acho que tem tudo que dar certo.”

Indicação de Eduardo, cujo nome está sendo avaliado pelos EUA, porém, quebra tradição e causa indignação no Itamaraty. Nos 114 anos da embaixada brasileira nos Estados Unidos — desde 1905 —, 31 embaixadores passaram pelo cargo. Apenas seis não trilharam carreira diplomática, ou seja, foram indicações pessoais dos presidentes da República da época.

O último deles assumiu em 1964. Foi o ex-governador baiano Juracy Magalhães, que ficou na vaga até o ano seguinte. A prática não foi quebrada nem mesmo durante os anos de chumbo da ditadura militar. 

 

Após a resposta dos EUA — cuja expectativa é que seja positiva —, o presidente poderá formalizar a indicação, publicando a mensagem presidencial no Diário Oficial da União. 

Se for confirmada sua indicação, Eduardo tem que passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado e ser aprovado na comissão em uma votação secreta e, depois, pelo plenário, também em votação secreta.

Acordo

Trump também disse que sua administração vai buscar um acordo comercial com o Brasil, abrindo portas para uma possível solução de disputas comerciais anteriores entre os dois países.

“Vamos trabalhar em um acordo de livre comércio com o Brasil”, disse Trump a repórteres na Casa Branca sem dar mais detalhes.

O governo Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio ao Brasil e a outros países no ano passado, ao tentar fortalecer a indústria de metais dos EUA em meio à sua agenda “América Primeiro”.

Desde então, o presidente Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais com uma vitória muitas vezes comparada a de Trump, com sua política conservadora e populista, e já visitou a Casa Branca.

“O Brasil é um grande parceiro comercial. Eles nos cobram um monte de tarifas, mas, fora isso, nós amamos o relacionamento”, disse Trump a repórteres nesta terça-feira, quando também elogiou Bolsonaro.