LGBT
10/08/2020 13:30 -03 | Atualizado 11/08/2020 12:23 -03

Marilia Mendonça pede desculpas após ser acusada de transfobia: 'Preciso melhorar'

Em live realizada no último sábado, a cantora fez piada sobre caso de colega com uma mulher trans e foi criticada nas redes sociais.

Marília Mendonça, 25, pediu desculpas após ser acusada de transfobia nas redes sociais. “Aceito que fui errada e que preciso melhorar. Mil perdões. De todo o coração. Aprenderei com meus erros. Não me justificarei”, escreveu.

Durante novo show transmitido online no último sábado (8), o tecladista que acompanha a artista pediu que ela contasse a história de uma das músicas apresentadas no repertório; a história envolvia um de seus músicos e teria acontecido em uma boate conhecida pelo público LGBT em Goiânia (GO). 

“Sabe o que ‘tô’ achando estranho. O que a gente combinou no ensaio, que a gente ia falar, não saiu nada ainda (...) eu sei que a próxima música aí tem história, e ninguém quer falar a história, é um acontecimento”, disse o músico.

Marília desconversou, mas depois continuou a conversa. “Eu acho que ‘tô’ lembrada, foi quando um integrante nosso falou que tocava num lugar? Quem é de Goiânia lembra da boate Diesel, que tinha aqui em Goiânia.”

Os músicos da cantora começaram, então, a rir da situação. “E aí não vou falar quem e nem vou falar o porquê, vou ficar calada. Quem lembra da boate Diesel, lembra da boate Diesel. Disse... que lá foi o lugar que ele beijou a mulher mais bonita da vida dele. É só isso. O contexto vocês não vão saber.”

O guitarrista da banda afirmou então que “era mulher mesmo”, enquanto os outros davam risada. Em seguida, outro músico disse: “Calma, ninguém falou nada.”

Após os comentários, o nome da cantora chegou a ficar entre os mais comentados nas redes sociais. Fãs e críticos reclamaram da atitude não só de Marília, mas de seus companheiros de banda e apontaram transfobia na postura deles, por tratar a identidade de uma mulher trans como piada.

Nas redes sociais, a influenciadora Bruna Andrade, que é uma mulher trans, fez um vídeo intitulado: “Marília Mendonça e a transfobia explícita”, em que mostra porque os comentários feitos na live são um problema. 

 

Outros, ainda nesta segunda, criticaram a cantora nas redes sociais:

Outros lembraram o caso do cantor Nego do Borel, semelhante ao de Marília Mendonça e apontaram “seletividade”:

E outras pediram que Marília inclua pessoas trans em seus trabalhos:

Já outros apoiaram a cantora e elogiaram o posicionamento dela:

Em resposta às atitudes da cantora e dos membros de sua banda, a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) emitiu uma nota em que disse repudiar os comentários e questiona:

“Imaginem as pessoas rirem porque alguém ficou com uma mulher negra? Com uma mulher gorda ou com uma pessoa com deficiência? Isso é aceitável? Zombar de uma característica que não define a pessoa? Porque que no caso das pessoas trans, a gente deveria aceitar isso?”

“Não achamos que a cantora Marília Mendonça deve ser cancelada. Ela deve ser acolhida e responsabilizada. Ela tem milhões de seguidores e tem acesso à informação e a formação que a maior parte dos brasileiros não têm. Ela influencia milhões de pessoas que a seguem”, diz a Antra que, após o pedido de desculpas, se colocou à disposição para dialogar com a cantora.

Desde que o isolamento social começou a ser adotado para conter a pandemia de coronavírus, foram registrados 26 casos de assassinatos de mulheres trans e travestis no país. Um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Antra.

Ainda segundo a Antra, em 2019, a transfobia fez pelo 124 vítimas no Brasil, contabilizando a média de uma morte de pessoas trans a cada três dias no País. Foi uma redução de 24% em relação a 2018, quando foram assassinadas 163 pessoas.

Os números mostram diminuição gradual dos assassinatos de pessoas trans no Brasil, um movimento apresentado desde 2017, mas que não é vista como positiva para a organização. Em 2019, o País ainda continua líder no ranking de nações mais violentas para essa população, segundo entidades internacionais.

Em 2017, foram contabilizados 179 casos - o maior índice em 10 anos, comparando com dados do relatório realizado pelo Grupo Gay da Bahia. 

Após a repercussão, a cantora disse, também em seu perfil do Twitter, que “passou o dia todo refletindo” e que gostaria de reiterar o seu pedido de desculpas. Marília afirmou que se retratará na próxima live “com a mesma visibilidade que teve a piada sem graça”.

“Muito obrigada a todas as mensagens de carinho, mas isso n apaga meu erro. Somos humanos, mas não é por isso que não devemos buscar sermos melhores a cada dia”, completou. “O debate é necessário. o linchamento de nada serve. obrigada a quem teve paciência de explicar.”

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