OPINIÃO
22/02/2020 13:41 -03 | Atualizado 22/02/2020 13:41 -03

Transe

"Transe. É isso que você deveria fazer no carnaval? Talvez. Mas certamente é o que você está vivendo agora. Transe. Coletivo."

SERGIO LIMA via Getty Images
Ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, chegou a sugerir abstinência sexual como método de prevenção à gravidez precoce. 

Transe. É isso que você deveria fazer no carnaval? Talvez. Mas certamente é o que você está vivendo agora. Transe. Coletivo. Em que momento a gente perde completamente a capacidade de se chocar? E de agir?

Um senador da República avançou com uma retroescavadeira sobre um grupo de policiais. Sim, um trator. Policiais que horas antes, com armas em punho e dentro de viaturas, ordenaram fechamento de comércio e que depois se amotinaram dentro do quartel. Dois disparos para matar, sem sucesso. A gincana desse colégio chamado Brasil escolhe lado e troca farpas, como se houvesse possibilidade de alguém estar certo nessa história. Enquanto isso, memes. Aos milhares. Podemos rir disso? Talvez, em algum grau.

Mas quando a única mobilização social é rir... É transe. Um apresentador avisa para uma mãe, ao vivo, que a filha fora assassinada. A mãe desmaia. Se no outro dia, esse apresentador se mantém no emprego, é transe. O presidente do país e seu filho, deputado federal, dizem que uma jornalista queria “dar o furo a qualquer preço”. Se essa postura é normalizada para um político do mais alto escalão, mesmo que a Lei o impeça, é transe. Isso tudo em uma semana. Histeria.

A ministra defende abstinência. Não transe! Que momento incrível para praticar a desobediência civil? Talvez. Ou não. Nesse carnaval, transe não. Transe, não! Saia dele. Acorda, porra! Teu barraco tá pegando fogo. E você tá dentro.

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