MULHERES
19/06/2019 07:50 -03 | Atualizado 19/06/2019 14:30 -03

As mulheres que decidiram acompanhar de perto todos os jogos do Brasil na Copa Feminina

Amigas de Curitiba programaram viagem para seguir – e torcer – pela seleção brasileira na França.

Ana Ignacio/Especial para o HuffPost Brasil
As amigas Ketellen França, 24 anos, agente comercial, e Laura Luzzi, 22 anos, estudante -- economizaram e mudaram rotina para ir à Copa da França.

VALENCIENNES, FRANÇA - Estão todas juntas, em círculo. Camisas do Brasil, muita conversa. Quando são abordadas por italianos, logo respondem com piada, sem dar trela: “É tetra”, “Giorgio Armani” ou “spaghetti” são as saídas mais usadas. Não ligam para comentários sem graça. O grupo espera o início da partida entre Brasil e Itália em Valenciennes, ocorrido na última terça-feira (18) – a seleção brasileira ganhou a partida garantindo o terceiro lugar no grupo e mais um recorde para Marta, agora maior artilheira da história das Copas. Mas nada disso precisa ser explicado para elas. Sabem bem do assunto.

Tanto que decidiram que iam acompanhar o evento de outra forma. No início do ano, as amigas Ketellen França, 24 anos, agente comercial, e Laura Luzzi, 22 anos, estudante, resolveram se programar, guardar dinheiro e usar seus dias de férias para acompanhar a seleção brasileira na França. “A gente se organizou para isso. A gente quis vir porque era a Copa feminina”, conta Laura.

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Ketellen, com a camisa da jogadora Tayla e Laura, com a da Marta.

As duas, que se conheceram jogando futebol, fecharam a viagem em fevereiro. O objetivo: acompanhar a seleção “até onde elas forem”. Após a vitória do Brasil contra a Itália, o próximo jogo será contra a França ou Alemanha, o adversário ainda será definido. E elas estão confiantes. “Vamos conseguir ingresso”, torce Ketellen. “Pago o que for”, emenda Laura.

As duas têm adorado a experiência e agora vão passar a planejar a viagem de acordo com o desempenho do Brasil. Mas estão muito animadas com isso. “Está sendo sensacional e, como os jogos do Brasil são em cidades menores, a gente interage, é um clima muito legal e vemos um incentivo, as pessoas interessadas”, diz Laura.

Ana Ignacio/Especial para o HuffPost Brasil
As jornalistas Marina Franco, 35 anos, e Camila Barbieri, 30 anos, já tinham o costume de viajar juntas.

Realmente têm interagido. Tanto que em Valenciennes encontraram outras duas meninas, amigas que também se planejaram para assistir à Copa na França. As jornalistas Camila Barbieri, 30 anos, e Marina Franco, 35 anos, já tinham o costume de viajar juntas. Desta vez, decidiram unir mais uma paixão que as duas têm – e vivem.

“Comecei a jogar futebol com 6 anos e não tinha time de menina. Cheguei a jogar o [campeonato] paranaense amador com 17 anos, mas não via como profissionalizar e pagar minhas contas”, conta Camila.

Foi quando deixou o esporte para lazer. Marina iniciou um pouco mais tarde. “Comecei a jogar com 30 anos, depois de velha”, brinca. Mas isso porque não havia nenhum time de meninas quando era pequena.

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Marina e Camila conheceram as também torcedoras viajantes Ketellen e Laura no caminho.

Mas agora na Copa, o papo é outro. Conversam sobre o desempenho das jogadoras, fazem comentários. Reconhecem também as mudanças na área.

“Quando começamos a falar disso pensamos em ir pra Doha [no Catar, sede da Copa Masculina de 2022] e aí mudamos e resolvemos ver as mulheres. A gente comprou passagem em dezembro, ingressos também, faz meses”, conta Carol, que lembra ainda que ninguém valorizou muito o projeto no início.

Mas as coisas mudaram. “Quando a gente planejou ninguém dava bola e quando começou a chegar foi um ‘nossa, vocês vão para a Copa? Que incrível’. Foi questão de meses para começarem a entender que é importante.”

Tanto é importante que os planos das duas era partir de Valenciennes para Paris assistir Argentina e Escócia e depois seguir viagem. Mas agora estão reavaliando os planos e querem tentar acompanhar o Brasil mais um pouco. Ketellen e Laura também estão nessa. As duas têm apenas passagem de volta para o início de julho.

Até lá, querem acompanhar os jogos. O futebol das meninas do Brasil. Foi para isso que vieram até aqui.