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01/07/2019 16:27 -03 | Atualizado 01/07/2019 16:38 -03

Na mira de manifestantes, STF se defende; ‘Todos aqui têm couro para aguentar pressão’, diz Toffoli

Para o presidente do Supremo, protestos "amenizaram muito" os ataques à corte.

EVARISTO SA via Getty Images
Presidente do STF, ministro Dias Toffoli nega que pressão da população interfira na pauta da corte.

“Quem vem para o STF (Supremo Tribunal Federal), quem se torna ministro do STF, ele está absolutamente, todos aqui têm couro suficiente para aguentar qualquer tipo de crítica e de pressão.”

Esta foi a resposta do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, às constantes queixas de manifestantes em relação à postura da corte. Nas últimas manifestações pró-governo, o Supremo, assim como o Congresso Nacional, tem sido acusado de não deixar o presidente Jair Bolsonaro governar e de compactuar com atos de corrupção.

Na última semana, manifestantes se irritaram com a possibilidade aventada de a corte questionar o trabalho do ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça, e de soltar provisoriamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

“Quem vem para cá [STF] tem couro e tem de aguentar qualquer tipo de crítica. O próprio processo de sabatina (no Senado, onde onde os indicados pelo presidente da República a uma vaga no STF são sabatinados e precisam ganhar aval dos senadores) é um bom teste para isso. (…) Todo dia aqui é um ‘Tropa de Elite’, um ‘pede para sair’.”

Todo dia aqui é um ‘Tropa de Elite’, um ‘pede para sair’.Dias Toffoli, presidente do STF

De acordo com Toffoli, as manifestações fazem parte da democracia. Na sua avaliação, o tom das críticas ao trabalho do Supremo amenizou muito em relação a atos passados.

“Se você for olhar os vários movimentos que convocaram para as ruas, não são todos eles que comungam dessas críticas ao Supremo. Se você for na Avenida Paulista, cujos carros de som são colocados de acordo com os movimentos específicos que convocam esses atos, foi um ou dois, no máximo, entre tantos movimentos que fizeram crítica ao STF”, disse.

Grasielle Castro/HuffPost Brasil
Cartaz com crítica ao STF exibido na manifestação de 26 de maio. 

Embora negue pressão, o ministro adiantou que não há previsão para a corte julgar os processos que discutem a prisão em 2ª instância, o que poderia levar a soltura de Lula. Ele, entretanto, disse que “tem janela, se for o caso”. “É possível. É algo que ainda vamos analisar.”

Ainda assim, existe a possibilidade de a Segunda Turma seguir o julgamento dos pedidos de liberdade do ex-presidente. O retorno da análise do caso está previsto para agosto.

“Os casos que vierem vão ser julgados, sempre o Supremo julga e a maioria decide. A questão se vai ser solto ou não vai ser solto, essa não é uma questão que está colocada na pauta do Supremo, a gente vai decidir no caso concreto”, disse.