LGBT
13/07/2020 18:50 -03 | Atualizado 13/07/2020 21:15 -03

Tinder bane pessoas trans sem justificativa do app e é acusado de transfobia

"Reconhecemos que a comunidade trans enfrentou desafios - incluindo ser injustamente denunciada por possíveis matches", diz o app em nota ao HuffPost.

Pessoas trans estão sendo banidas do Tinder sem justificativa. Em vídeo publicado nas redes sociais neste domingo (12), a influencer e mulher trans Romagaga expôs situação que vive ao utilizar o aplicativo. Em seguida, outras pessoas trans compartilharam experiências semelhantes e a hashtag #TinderTransfóbico ficou entre os assuntos mais comentados nas redes sociais.

Romagaga afirma que desde 2018 é constantemente banida no aplicativo. “Faço uma conta lá e em um minuto sou banida. Isso não é justo, isso é crime, e as pessoas estão passando o pano (...) isso não é só um aplicativo, é um direito.”

Ela também reclama do fato de a empresa usar a bandeira LGBT, se dizer aliada da causa, mas ainda assim “banir” pessoas trans. “Está lá o Tinder usando a bandeira LGBT, usando a causa, se promovendo, sendo que nós, trans, não temos o direito de estar no aplicativo. Isso não é justo, isso é crime.”

Em seguida, outros usuários expuseram que sofreram com o mesmo problema que Romagaga, e relataram que entraram em contato com a plataforma para entender o porquê da exclusão de seus perfis, já que estavam de acordo com as políticas da plataforma. Outras cobraram um posicionamento da empresa.

Nesta segunda-feira (13), após a repercussão, Romagaga publicou um outro vídeo em seu perfil em que continua a cobrar um posicionamento da empresa. “Inacreditável que a gente continua se mantendo invisível mesmo com toda a visibilidade que tivemos. Isso não pode continuar acontecendo”, diz.

Nas redes sociais, usuários levantaram a hipótese de que os perfis, de modo geral, são banidos por transfobia de outros usuários e que o Tinder não tem políticas de verificação para entender de forma aprofundada as denúncias e, então, por uma questão de segurança, bane os usuários para fazer análise. 

Em resposta ao HuffPost Brasil, o Tinder frisou que não bane usuários por conta de sua identidade de gênero, mas afirmou que reconhece “que a comunidade trans enfrentou desafios no Tinder - incluindo ser injustamente denunciada por possíveis matches” e que estão “totalmente comprometidos em fomentar inclusão no nosso aplicativo”.

Questionado sobre o caso específico de Romagaga, o aplicativo afirmou que “não comenta informações privadas de usuários, como o status das contas, a fim de proteger sua privacidade” e reforçou que está entrando em contato com todos os usuários que reportaram problemas à plataforma. 

A empresa ainda informou que “qualquer pessoa que acredite que sua conta foi banida devido a denúncias por conta da sua identidade de gênero pode entrar em contato conosco pelo e-mail questions@gotinder.com.”

Em texto institucional, em que explica como “cuida da comunidade” de usuários, o Tinder reconhece o problema. “Pessoas trans continuam a ser denunciadas com maior frequência por membros cisgêneros simplesmente por ser quem são. Embora nossa intenção fosse ser mais inclusivos, entendemos que muitos membros da comunidade trans sentiram o contrário.”

Nova funcionalidade pode diminuir o problema, diz app

EVARISTO SA via Getty Images
Em resposta ao HuffPost Brasil, o Tinder frisou que não bane usuários por conta de sua identidade de gênero, mas afirmou que reconhece “que a comunidade trans enfrentou desafios."

Recentemente, o Tinder anunciou que vai adicionar duas novas ferramentas para promover a inclusão de identidade de gênero e orientação sexual no aplicativo: o usuário poderá escolher por mais opções de gênero e poderá escrever a própria identidade, de acordo como se identifica. A funcionalidade deverá entrar no ar ainda neste mês de julho, segundo a plataforma.

A iniciativa é resultado da parceria do app com Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e chega ao Tinder em julho deste ano. Além do Brasil, países como França, Alemanha, Espanha, Itália, Suécia, Taiwan, Vietnã e Tailândia também terão as funcionalidades disponíveis. 

Além das duas opções de gênero já existentes no app, homem e mulher, os usuários também poderão utilizar outros 26 termos de identificação, como trans, não-binário e assexual. A opção de escrever manualmente a própria identidade também será disponibilizada, assim como a funcionalidade de habilitar ou não que a informação seja vista por quem interagir no app.

No Brasil, atualmente, as pessoas só podem escolher entre duas opções de gênero no Tinder: homem e mulher. Pessoas trans e não binárias, por exemplo, são as mais impactadas com essas limitações de identificação no app.

Leia a nota do Tinder na íntegra:

“Reconhecemos que a comunidade trans enfrentou desafios no Tinder - incluindo ser injustamente denunciada por possíveis matches - e estamos totalmente comprometidos em fomentar inclusão no nosso aplicativo.

 

Este mês, nosso recurso Identidade de Gêneros será lançado no Brasil, o que expandirá a funcionalidade disponível para membros que se identificam além dos gêneros  binários. Esse recurso nos permite ser mais vigilante para que as contas pertencentes a membros da comunidade trans não sejam banidas injustamente. À medida que aprimoramos nosso produto com recursos como este, incrementamos nossa capacidade de gerenciar melhor situações multifacetadas como esta. Este é um passo importante e continuaremos trabalhando na experiência da comunidade trans no Tinder.

 

Qualquer pessoa que acredite que sua conta foi banida devido a denúncias por conta da sua identidade de gênero pode entrar em contato conosco pelo e-mail questions@gotinder.com e nossa equipe analisará a solicitação. Para obter mais informações sobre os nossos esforços para cuidar da nossa comunidade, convidamos você a visitar esta postagem no nosso blog.”