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VSCO Girls e E-Girls: Como saber a diferença entre as subculturas do TikTok

As garotas do TikTok estão criando novos rótulos estéticos. Para os que não entenderam nada, aqui está o que isso significa.

Zoe Holland é uma estudante de 19 anos da Universidade do Sul da Califórnia, onde vive cercada por meninas VSCO (ou VSCO Girls). Com seu cabelo preto, franja à la Bettie Page, delineador escuro e bochechas coradas de rosa, Holland é a e-girl por excelência, perdida em meio ao mar de Barbies Malibu tirando selfies.

Traduzindo: E-girls são a versão emo da geração Z. Elas ouvem e se vestem como Billie Eilish. E Holland, quando perguntada sobre que tipo de música ela toca, responde “música triste”.

E-girl é o estilo pessoal de Holland, mas quando ela vai para a aula, não é essa a maquiagem que ela usa. “Posso adicionar algo divertido, como um pequeno carimbo no rosto ou um delineador, mas é só isso.”

Ela não está sozinha. Mas se você não é adolescente, pode não ter ideia do que significa qualquer um dos termos mencionados.

E é por isso que vamos fazer uma revisão:

TikTok: É um aplicativo de vídeos curtos da empresa chinesa ByteDance.

O TikTok é o app em que os usuários (que são na maioria adolescentes) podem rapidamente passar por vídeos de 15 segundos de desafios diversos, sincronização labial e piadas satíricas.

É onde os memes como “meninas VSCO”, e-girls e soft girls nasceram. De acordo com a empresa de análise Sensor Tower, o TikTok ultrapassou 1,5 bilhão de downloads internacionalmente na App Store e no Google Play, provando sua vasta influência em adolescentes de todo o mundo.

VSCO Girls: As meninas VSCO são nomeadas por usarem o aplicativo de edição de fotos e vídeos VSCO (Visual Supply Company), conhecido por seus filtros suaves e quentes, o que faz com que as meninas VSCO pareçam que passaram o dia todo em meio a natureza (em vez de usarem todo o tempo para editar fotos delas mesmas.)

As meninas da VSCO são a versão de 2020 do “basic”: Predominantemente brancas e magras, usam colares de conchas, Birkenstocks e pulseiras de amizade escrito Pura Vida, que transmitem uma vibe despreocupada como se vivessem na praia.

Eles abrem mão de um rosto cheio de maquiagem para passar um pouco dos produtos da Glossier (marca de maquiagem), uma borrifada de água termal e um pouco de protetor labial Carmex. Com suas garrafinhas de água reutilizáveis, adornadas com adesivos “salvem as tartarugas”, e canudos de metal, somos levados a acreditar que as meninas VSCO são ambientalistas ou militam por alguma causa.

Mas ao rolar infinitamente pelos feed dos vídeos do TikTok com a tag #vscogirl, você verá principalmente vídeos de zoeira direcionados às frases que esse grupo de garotas costuma usar, como as tags #sksksksksk.

E-girls: Essa é uma abreviação de “eletronic girls”.

As e-girls sempre têm um olho com um delineador preto, um blush rosa brilhante nas bochechas e no nariz e um coração preto desenhado no rosto.

Soft girls: É uma versão mais feminina e mais similar aos animes de uma e-girl, Mais ou menos o resultado que teríamos se a Sailor Moon conhecesse a Ariana Grande.

De acordo com o Urban Dictionary, “e-girl” era originalmente um termo ofensivo e misógino para se referir as garotas do universo de games e, infelizmente, ele ainda é usado dessa maneira.

Mas não é assim que o termo costuma ser usado no TikTok.

“E-girl, soft girl, VSCO girl... Tudo isso faz parte da cultura da Internet e é principalmente uma piada”, diz Camden Forbes, 15 anos, de Monterey, Califórnia, e proprietária da conta do Instagram @WorldofEgirls.

“Sim, as VSCO Girls algumas vezes são ridicularizadas, mas elas também não levam isso muito a sério.”

Segundo Forbes, todos esses termos estão mais relacionados a um tipo de estética do que a uma comunidade. “Ninguém se identifica como e-girl, soft girl ou VSCO. É mais uma aparência que os perfis estão criando para ganharem espaço no TikTok”.

Imagem é tudo

“As meninas da VSCO realmente não se preocupam em salvar o meio ambiente”, declarou Grace Weinbach, uma estudante de 15 anos de Miami.

Evidentemente, a bandeira do ambientalismo é apenas mais um item no “starter pack” dessa estética.

“Elas seguem a tendência, e salvar as tartarugas faz parte disso. As pessoas não querem ser chamadas de garota VSCO, porque agora é uma grande piada. Definitivamente, havia garotas que pareciam garotas VSCO antes, mas não eram chamadas assim até que o TikTok lhes deu um nome e as pessoas começaram a tirar sarro delas”, completou.

Enquanto as VSCO girls são formais e divertidas, as e-girls são uma mistura grunge e gótica.

As VSCO girls sempre usam o mesmo visual, já as e-girls mudam todos os dias. Uma hora, a e-girl pode imitar o estilo japonês Harajuku (auge da moda adolescente de Tóquio), usando uma minissaia xadrez, um top curto e uma peruca rosa. No outro, ela pode estar usando preto da cabeça aos pés.

Em alguns casos, esse estilo levanta a discussão se as e-girls ou soft-girls poderiam se acusadas de apropriação cultural.

“Se os vídeos de garotas que estão imitando as culturas de anime e mangá se tornam grandes piadas, isso pode ser visto como apropriação cultural, já que o artista pode usar a cultura para se beneficiar comercial ou socialmente dela, mas não necessariamente para celebrar as suas raízes culturais ou homenagear os seus significados culturais no Japão ”, disse Jung-Whan de Jong, professor associado de sociologia no Instituto de Tecnologia da Moda em Nova York.

De Jong está atualmente trabalhando em um livro chamado “Apropriação Cultural de Moda e Entretenimento” com a colega do FIT Yuniya Kawamura.

Embora De Jong enxergue as e-girls e as soft-girls como um possível caso de apropriação cultural, ele também reconhece que há uma linha tênue nisso tudo.

“A apropriação cultural é um conceito tão difícil e subjetivo”, disse ele. “Por exemplo, o cosplay é promovido ativamente pelo governo japonês como parte da diplomacia de soft power e cultura pop, assim como o mangá, anime e Harajuku. Nesse sentido, se o país de origem exportar a cultura com o objetivo de expor uma grande população às culturas japonesas, pode ser mais difícil falar em apropriação cultural”, argumenta.

A autoproclamada cosplay Devin Feheley, 25 anos, vê seu conteúdo no TikTok como uma homenagem à cultura japonesa - tanto que ela se mudará para Osaka, no Japão, no final deste mês.

“Eu absolutamente amo e respeito a cultura japonesa acima de tudo!”, Exclamou Feheley via mensagem no Instagram. “Estou tão apaixonada pela moda japonesa que admito que meu estilo tem evoluído mais para esse gênero ultimamente. Mas eu sempre tento permanecer respeitosa e permanecer no mundo da moda, especialmente quando for morar lá”, conta.

Embora Feheley não veja seu conteúdo como uma apropriação cultural, ela reconhece que outros TikTokers podem ser culpados por isso.

“Eu vi a apropriação japonesa com outras garotas do TikTok e Instagrammers e é honestamente bastante difícil e frustrante para mim, porque elas ganham muitos seguidores, além de fazer grandes quantias de dinheiro com isso. Embora seja confuso e frustrante, acho que nunca cruzaria essa linha. Prefiro ter a oportunidade de assimilar a cultura japonesa do que desrespeitá-la”, diz.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.