OPINIÃO
15/05/2019 03:00 -03 | Atualizado 15/05/2019 17:40 -03

'This is Us' precisa se reinventar para sobreviver a mais 3 temporadas

Fórmula se mostra desgastada na terceira temporada da série, que apelou para um truque decepcionante.

Divulgação
Golpe baixo dos roteiristas é um mau sinal com relação ao futuro da série que antes misturava tão bem melodrama com um narrativa não linear.

ATENÇÃO: Se você ainda não viu a terceira temporada de This is Us e não quer estragar nenhuma surpresa da trama, não leia este texto agora. Volte apenas depois de assistir a todos os episódios.

Desde quando teve seu 1º episódio exibido, no dia 20 de setembro de 2016, a série This is Us chamou muita atenção por conta de uma mistura inusitada. Era uma melodrama tradicional, mas contado de uma forma diferente, com saltos temporais não lineares que acrescentavam uma inesperada pitada de mistério à trama.

Quem era filho de quem? Quem é irmão de quem? Como assim, este aqui é irmão daquele? O pai está morto? Quando? Como? Essas eram algumas das muitas perguntas que iam sendo respondidas lentamente enquanto conhecíamos a história da família Pearson em, basicamente, 4 momentos.

Na década de 1970, um pouco antes e no começo do casamento de Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca (Mandy Moore); já com seus 3 filhos gêmeos Kevin, Kate e Randall crianças nos anos 1980; com eles adolescentes na década seguinte; e com Kevin (Justin Hartley), Kate (Chrissy Metz) e Randall (Sterling K. Brown) adultos, nos dias atuais.

Nas duas primeiras temporadas esse estilo narrativo deu muito certo, mas perdeu totalmente o fôlego na terceira, que aqui no Brasil é exibida pelo canal pago Fox Premium. Algo muito preocupante, já que foi anunciado, no último domingo, que This is Us foi renovada para mais 3 temporadas.

Isso mesmo, 3!

Enquanto a série conseguia manter foco na relação direta entre duas linhas temporais, focando em Jack no núcleo do passado e nos dramas do trio de irmãos e agregados no presente, o formato se sustentava. Mas o mistério sobre a morte de Jack foi (finalmente) resolvido no final da segunda temporada e tudo ruiu na terceira.

Isso aconteceu muito por conta da opção dos roteiristas em não desapegar de Jack, preferindo insistir em contar sua história na Guerra do Vietnã, revelando que seu irmão mais novo, Nicky (Michael Angarano), não morreu em combate. Esse arco, além de não ter qualquer relação direta com os acontecimentos do presente (e não uma desculpa esfarrapada para uma recaída de Kevin), é simplesmente muito chato.

Nos poucos momentos em que This is Us resolveu parar com seu vício em cliffhangers, a série voltou a brilhar. Como no episódio Our Little Island Girl (o 13º), em que (aleluia!) conta a história de Beth (Susan Kelechi Watson), disparado o melhor da temporada; e quando mostrou uma longa e dolorida DR entre ela e Randall.

Aliás, a crise na relação de Beth e Randall poderia ser uma salvação para a temporada, mas um truque dos roteiristas mandou tudo por água abaixo. Por mais que o público torcesse pela manutenção do casal, todos os indícios apontavam o caminho da separação. Algo doloroso, é verdade, mas que tinha tudo para dar um fôlego novo à série, que já tirou tudo que Jack poderia dar.

Mas… surpresa! Na verdade eles não se separaram. Era tudo pegadinha do Malandro.

Isso sim foi triste.

Se This is Us quer se sustentar por mais 3 temporadas, é bom os roteiristas da série reverem seus conceitos. Abandonar de vez Jack e focar nos vivos. Os saltos temporais para o futuro podem ser a solução mais rápida e fácil, mas não é pelo caminho mais fácil que as séries sobrevivem por muito tempo. E é bom parar com golpes baixos como esse dado no final desta terceira temporada.

O público não gosta de ser feito de bobo, mesmo que tenha ficado com o coração apertado por conta do suposto fim do casamento de Randall e Beth.