OPINIÃO
14/02/2019 19:36 -02 | Atualizado 14/02/2019 19:36 -02

Saiba o que achamos de 'The Umbrella Academy', nova série da Netflix

Produção estreia nesta sexta (15) na plataforma de streaming.

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Baseada em minissérie de quadrinhos de Gerard Way e Gabriel Bá, The Umbrella Academy conta a história de família disfuncional de super-heróis.

Baseada em uma premiada minissérie de quadrinhos escrita pelo ex-vocalista da banda emo My Chemical Romance, Gerard Way, e desenhada pelo brasileiro Gabriel Bá (10 Pãezinhos e Daytripper), The Umbrella Academy estreia nesta sexta-feira (15) na Netflix.

Mas e aí, o que esperar dela?

Além de participar de uma mesa redonda de jornalistas com o elenco e os criadores da história, Way e Bá, o Huffpost Brasil também teve acesso a quatro episódios da série antes de sua estreia na plataforma de streaming.

O veredito? The Umbrella Academy tem potencial para estourar, mas fica no meio do caminho. Pelo menos é a impressão que deixa em seus primeiros quatro episódios. Mas ainda há muito material a se analisar. A série - que quase virou um filme anos atrás - soma quase 10 horas de duração, algo que é tido pelo próprio Way como uma grande vantagem.

Agora somos um filme de 10 horas. Uma história que pode se aprofundar mais que a original, dos quadrinhos. Podemos desenvolver mais os personagens. Se fosse um filme, teríamos que cortar muitas coisas. Uma série com 10 episódios nos dá o tempo e espaço que precisamos”, disse Way.

E nesse período tivemos um monte de filmes e séries de super-heróis e a audiência já está mais acostumada com esse gênero. Acho que é o momento certo para nós e o nosso jeito estranho de contar uma história de super-heróis”, completou Bá.

 

Qual é a história de The Umbrella Academy?

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Sir Reginald Hargreeves e seus "filhos" superpoderosos.

Passada em uma realidade paralela bem parecida com a nossa, mas com algumas particularidades históricas, tecnológicas e visuais, The Umbrella Academy conta a história de uma família disfuncional formada por crianças com poderes especiais.

No mesmo dia em 1989, 43 mulheres espalhadas pelo mundo deram à luz mesmo não estando grávidas. Sir Reginald Hargreeves, milionário excêntrico conhecido como O Monóculo, consegue adotar 7 das crianças geradas nesse incidente misterioso.

Seu objetivo é apenas estudar e treinar o grupo, que possui poderes extraordinários. Tanto que ele nem se dá ao trabalho de dar nome a seus “filhos”, identificando-os por números de 1 a 7.

O time é formado pelo superforte Spaceboy/Luter Hargreeves (Tom Hopper), por Diego Hargreeves (David Castañeda), que tem uma habilidade sobrehumana com facas; Allison Hargreeves (Emmy Raver-Lampman), a manipuladora Rumor; Klaus Hargreeves (Robert Sheehan), que fala com os mortos; Número 5 (Aidan Gallagher), que tem a capacidade de se teletransportar e viajar pelo tempo; Ben Hargreeves (Ethan Hwang), que se transforma em um monstro ao estilo Cthulhu; e Vanya Hargreeves (Ellen Page), que a princípio não desenvolve nenhuma habilidade especial além de tocar violino.

A história em si começa com a morte de Reginald Hargreeves, fato que força os integrantes do grupo, já adultos, se reunir muitos anos depois de não formar mais um grupo de super-heróis.

O reencontro traz à tona uma série de feridas não cicatrizadas e também a volta de um dos integrantes da família, que estava desaparecido há anos.

 

Impressões sobre a série

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Vanya (Ellen Page) com Pogo, o mordomo chimpanzé de Sir Reginald Hargreeves.

The Umbrella Academy traz um elemento interessante às batidas histórias de super-herói, o drama familiar. Porém, essa característica tão particular, ao invés de acrescentar profundidade à trama, “briga” com as sequências de ação obrigatórias dentro do gênero.

Outra característica que chama a atenção nos quadrinhos é seu estilo esquisito. Seus heróis são retratados de forma menos óbvia e que vivem em uma realidade paralela que é tão estranha quanto familiar a nós. Um clima que a série consegue reproduzir na tela em algumas cenas, mas não em todas elas.

Essa irregularidade é vista também no elenco. Alguns atores estão bem, como Ellen Page, Emmy Raver-Lampman e até Tom Hopper, enquanto outros… Robert Sheehan exagera e cai na caricatura e David Castañeda é simplesmente ruim.

Além disso, suas tramas paralelas, que são interessantes até, ao invés de convergir, colidem, travando a narrativa.

Ou seja, The Umbrella Academy pode ser uma série muito boa, mas ainda não é. Pelo menos até decidir, de forma definitiva, que caminho vai priorizar. O de drama familiar “esquisitão” ou das tramas de ação. Até aqui o sentimento é que estamos vendo um novo Heroes, série que fez muito sucesso em 2006, mas que sucumbiu por não saber para onde ia.