OPINIÃO
30/03/2020 03:00 -03 | Atualizado 30/03/2020 03:00 -03

'The Circle Brasil' é um experimento antropológico divertido e viciante

Reality show da Netflix é uma das grandes pedidas para quem precisa de umas boas risadas no período de quarentena.

Isoladas em seus apartamentos, pessoas conversam via chat, “stalkeam” crushes e selecionam suas melhores fotos para impressionar nas redes sociais. O que parece ser o dia a dia de tanta gente em tempos de quarentena, é, na verdade, o reality show brasileiro mais viciante da atualidade: The Circle Brasil.

A série original da Netflix que nasceu no Reino Unido - e já conta com uma edição americana disponível na plataforma por aqui - teve sua versão brasileira lançada no dia 11 de março. Os 4 últimos episódios entraram no ar na última quarta (25).

Confinados em um prédio em um local desconhecido (que a Netflix não revela nem sob ameaça de morte), 9 pessoas disputam um prêmio de R$ 300 mil que eles mesmo decidem quem vence.

Como? Todos só se comunicam usando uma rede social chamada The Circle, em que eles montam seus perfis como foto, características pessoais e um texto de apresentação. Depois de um dia de papos via chat e uma dinâmica coletiva proposta pelo reality, eles têm de ranquear seus adversários em ordem de preferência. Os dois mais bem votados se transformam em “influencers” e decidem quem será sumariamente “bloqueado”, ou melhor, eliminado do jogo.

A graça é que todos eles só se comunicam via texto e não fazem a mínima ideia se, de fato, aquela pessoa a quem eles estão julgando, fazendo amizade ou a caveira são realmente quem aparentam ser. É como um Big Brother em que você é o brother, o Big Boss e o público ao mesmo tempo.

A premissa da impessoalidade é levada tão a sério que a própria apresentadora do reality, Giovanna Ewbank, só aparece mesmo no primeiro e último episódios. Na maioria do tempo ela participa apenas com uma narração em off recheada de comentários um tanto inúteis e sem graça. 

O jogo é feito de estereótipos e, como bem descreveu um de seus participantes, cheios de “hashtags xexelentas e frases de efeito”, mas é MUITO divertido e EXTREMAMENTE viciante.   

Divulgação
O potiguar Duraserq, a carioca Marina, o baiano JP e paranaense Lorayne são alguns dos participantes do The Circle Brasil.

Tem a gay cheia de opinião e glitter, o bombadão topzera, a carioca sangue bom, o gamer youtuber, a modelo que diz sofrer preconceito por ser muito bonita... Todos personagens reais ou não, que tentam formar alianças ou lacrar para ficar bem na fita na hora das avaliações.

Eles são como ratinhos de laboratório no que parece ser o experimento antropológico mais engraçado dos últimos tempos. Não há dúvidas que The Circle Brasil será tema de muitas teses de mestrado daqui para frente.

Mesmo com uma edição ágil muito bem-vinda, rara em realities da TV brasileira (Masterchef que o diga!), o segredo do sucesso de The Circle Brasil é mesmo a seleção dos participantes. Alguns deles foram escolhas que acertaram na mosca, gerando constantes e impagáveis situações de humor involuntário.

O único ponto fraco do programa é que você fica tão viciado que, se não se policiar, termina uma temporada de ponta a ponta em dois dias. Quiçá em um só!  

Aos já órfãos, a Netflix ainda não se pronunciou sobre uma nova temporada, mas isso tem muito mais a ver com a questão da pandemia do coronavírus do que com o sucesso do reality, que está no Top 10 da plataforma desde sua estreia. Além disso, já há uma versão francesa engatilhada para entrar no catálogo por aqui. Então, clama, sua quarentena ainda terá mais um gostinho de The Circle.