OPINIÃO
08/08/2019 08:07 -03 | Atualizado 08/08/2019 08:07 -03

Engraçada e sórdida, 'The Boys' mostra o lado baixo dos super-heróis

Série da Amazon serve de contraponto à visão idealizada desses heróis fantasiados que fazem tanto sucesso no cinema.

A marca de maior bilheteria de todos os tempos - sem correção de inflação, que fique claro - alcançada por Vingadores: Ultimato(2019) é o ápice da ascensão de um subgênero que vem dominando o cinema na última década: os filmes de super-heróis.

Mas esse sucesso vem atrelado a uma fórmula criada pelo próprio MCU (Universo Cinemático Marvel), que pasteurizou as aventuras desses deuses modernos, transformando tudo em uma grande massa homogênea com um gosto bem sem graça, mas de fácil digestão. 

E é aí que a TV chega para salvar os fracos e oprimidos que querem algo a mais, mostrando uma outra visão desses heróis fantasiados. Isso não é nenhuma novidade nos quadrinhos, mas ainda é raro no audiovisual.

Um desses (bons) exemplos é a nova série veiculada na Amazon Prime, The Boys. A produção é uma crítica das mais ácidas e escatológicas ao universo dos super-heróis que só poderia ter saído da cabeça do norte-irlandês Garth Ennis, criador de outra HQ polêmica: Preacher. O quadrinho controverso também virou série de TV, mas não tão boa quanto The Boys.

Na trama, os Estados Unidos são habitados por pessoas com superpoderes, consideradas “escolhidas por Deus”. Enquanto alguns desses super-heróis se transformam em celebridades locais, um grupo chamado de Os Sete é formado pelos mais famosos deles. O time, liderado pelo Capitão Pátria (Antony Starr), é gerenciado por um grande conglomerado chamado Vought International.

Hughie Campbell (Jack Quaid) vive sua vida comum de atendente de uma loja de eletrônicos até que sua namorada é atropelada por Trem-Bala (Jessie T. Usher), o homem mais rápido do mundo. Devastado, Hughie é abordado por Billy Bruto (Karl Urban), um suposto agente do FBI que tem um ódio mortal pelo Capitão Pátria. Este último oferece ajuda para que ele possa se vingar de Trem-Bala.

Enquanto isso, Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue), chefe da divisão de super-heróis da Vought, faz de tudo para fechar um acordo bilionário com o exército dos Estados Unidos, e Os Sete ganham uma nova integrante, a caipira e inocente Luz-Estrela (Erin Moriarty). Logo ela aprende que o mundo dos super-heróis não era nada do que fantasiava. 

A série não economiza nas situações mais bizarras para fazer uma crítica pesada a tudo de mais podre na América personificada na figura dos super-heróis. Nada escapa da visão cínica vislumbrada por Ennis. Assédio sexual, mercantilização da religião, corrupção do Estado e das corporações, racismo… The Boys não deixa pedra sobre pedra.

Mas nunca, porém, deixando de rir de tudo isso. Tanto que um uma de suas mais divertida referências mostra Haley Joel Osment, o  ex-astro mirim de O Sexto Sentido, como um super (como eles são chamados na série) com poderes psíquicos. 

The Boys é tão dura e violenta quanto engraçada. Uma visão extremamente sarcástica e sórdida que contrapõe à imagem idealizada dos super-heróis do cinema. A série nos apresenta um dos mais assustadores vilões dos últimos tempos, um tipo de super-homem psicopata da era Trump, o Capitão Pátria.

Ou você acredita que seres tão poderoso seriam incorruptíveis?

Independentemente de sua resposta, uma coisa é certa, você vai rir muito, e muitas vezes de nervoso.