COMPORTAMENTO
03/10/2019 02:00 -03 | Atualizado 03/10/2019 09:26 -03

6 maneiras de encaixar a terapia em seu orçamento

Cuidar da sua saúde mental é importante. Este guia vai te ajudar a conciliar as suas prioridades e gastos mensais.

fizkes via Getty Images

Não há como negar que fazer terapia pode ser um peso financeiro para algumas pessoas. Segundo uma pesquisa da Administração de Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, a maior razão pela qual as pessoas evitam procurar assistência de saúde mental é o custo.

Dependendo de onde você vive e do tipo de plano de saúde que tem, uma sessão de 45 a 60 minutos de duração pode custar entre R$ 100 a R$ 400. 

Isso ocorre por várias razões. Os planos de saúde têm um papel importante. Muitos planos não aceitam os diagnósticos de terapeutas ou não garantem cobertura adequada para a terapia.

Mas a verdade é que a terapia deveria ser uma prioridade em seu orçamento. E não, ela não precisa custar caro para funcionar bem. Existem múltiplas opções para conseguir a ajuda e o tratamento que você merece.

Leslie Swanson, professora clínica de psiquiatria na Universidade do Michigan, disse ao HuffPost: “As doenças mentais não desaparecem por conta própria e geralmente não melhoram com o tempo sem tratamento adequado. Um dos maiores benefícios da terapia é que você aprenderá a usar meios para administrar sua saúde e bem-estar mental ao longo da vida.”

Veja a seguir algumas ideias de como fazer a terapia caber em seu orçamento.

Escolha um profissional que tenha um valor flexível para as sessões

Uma das maneiras mais comuns de reduzir os custos é buscar um terapeuta que aceite ser pago segundo uma escala flexível – ou seja, cujo preço por sessão é essencialmente negociável, dependendo de seu orçamento no momento.

Swanson recomenda que na sessão inicial ou quando você telefonar para marcar uma consulta, você pergunte se o terapeuta trabalha com essa opção.

Outra opção é pesquisar um pouco para ver se você encontra alguma organização, como por exemplo um programa de formação em psicoterapia, que ofereça tratamento a preços calculados segundo uma escala flexível.

Busque centros de atendimento psicológico de universidades

Algumas faculdades têm clínicas de saúde mental que atendem a comunidade, disse Swanson. Nesses programas, o atendimento geralmente é prestado por alunos que estão fazendo pós-graduação em psicoterapia e são supervisionados por profissionais de saúde mental.

“Uma vantagem dessas clínicas é que, por serem clínicas de treinamento de terapeutas, é provável que ofereçam psicoterapia baseada em evidências”, disse Swanson. “Algumas delas usam terapias mais de vanguarda do que se encontra na comunidade.”

Esses centros às vezes atendem estudantes gratuitamente e cobram valores baixos de pacientes que não sejam estudantes.

Pesquise opções de terapia gratuita

Swanson diz que é raro, mas não impossível, conseguir atendimento gratuito. “Alguns psicoterapeutas com clínicas particulares oferecem atendimento gratuito para uma parcela de seus pacientes”, ela explicou. Como é o caso com todas as opções de tratamento, o importante é pesquisar as organizações.

Procure uma organização que trabalha com sua comunidade

A saúde mental é importante para a estrutura de uma comunidade. Por essa razão, organizações religiosas ou sem fins lucrativos às vezes oferecem consultas a preços acessíveis a pessoas em busca de atendimento.

“Em algumas comunidades, oferecem serviços de psicoterapia de base não religiosa, pagos por escala flexível de honorários, à comunidade geral, independentemente de sua filiação religiosa”, explicou Swanson.

Experimente participar de terapia de grupo ou um grupo de apoio

Se você não se incomoda em se abrir em um grupo, uma terapia de grupo pode ser uma opção mais acessível a seu bolso. “A terapia de grupo às vezes custa menos que a individual, porque o custo é dividido entre os participantes do grupo”, explicou Swanson.

Grupos de apoio às vezes são uma solução semelhante, de baixo custo. Estudos revelam que pessoas que participam de grupos de apoio acham o processo todo empoderador e se sentem menos isoladas. Você estará numa sala com outras pessoas que estão passando por dificuldades semelhantes. Todos os participantes são incentivados a compartilhar sua história.

Mas não se esqueça de fazer uma pesquisa prévia: alguns grupos de apoio não são liderados por profissionais formados em saúde mental. Vale a pena procurar um grupo liderado por um terapeuta.

Procure um programa online

Acredite ou não, os programas de saúde mental online podem trazer benefícios reais.

As sessões virtuais geralmente só empregam técnicas de terapia comportamental cognitiva, que é uma das formas mais eficazes de terapia falada. As opções online não devem ser usadas para substituir a terapia presencial, cara a cara com o terapeuta, mas podem complementar outras terapias, reduzindo o custo geral.

Há desde consultas individuais pagas com terapeutas até aplicativos que você pode usar sozinho.

Se você quiser entender melhor sobre opções de terapia e análise pela internet no Brasil, leia esta reportagem.

Em última análise, cabe a você decidir como procurar terapia, com base em seu orçamento disponível. O importante, disse Swanson, é que você estará adotando medidas para melhorar sua saúde mental.

“As doenças mentais são como as doenças físicas. Do mesmo modo que ninguém opta por ter câncer, ninguém escolhe ter depressão – nem ansiedade, transtorno bipolar ou esquizofrenia”, ela explicou. “Felizmente, temos ótimos tratamentos para problemas de saúde mental, tratamentos que possibilitam às pessoas com doenças mentais terem seus sintomas aliviados.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.