Terapia: Preciso de ajuda, e agora? Como encontrar o terapeuta ideal

Conversamos com profissionais da saúde mental, que nos contaram mais sobre os diferentes tipos de terapeutas e abordagens.

Trabalhar com um bom terapeuta pode produzir mudanças positivas na sua vida, mas o caminho para encontrar o profissional certo pode ser tortuoso. O ideal é que o consultório seja de fácil acesso para você, que aceite novos pacientes e que o terapeuta tenha experiência com problemas como os seus, deixe você tranquilo e, se possível, atenda pelo seu plano de saúde ou tenha um preço acessível.

Para simplificar esse processo tão complexo de início à terapia, conversamos com profissionais da saúde mental, que nos contaram mais sobre os diferentes tipos de terapeutas e abordagens, e como definir a opção ideal de acordo com as suas necessidades.

Tipos de terapeutas

Para começar, qualquer profissional da saúde mental que pratique a psicoterapia, seja um psicólogo, psiquiatra, terapeuta familiar e de casais, assistente social ou orientador psicológico profissional, pode ser considerado um “psicoterapeuta”, explica Tara Griffith Baker, terapeuta familiar e de casais e diretora executiva da Wellspace SF.

Psicoterapeuta é qualquer pessoa que trata problemas de saúde mental e ajuda os pacientes a trabalhar problemas emocionais e fatores de estresse conversando sobre esses problemas e incentivando mudanças comportamentais. É basicamente a ideia que todo mundo tem de uma terapia.

Outra diferença importante é a seguinte: os psiquiatras podem oferecer serviços de psicoterapia assim como os psicoterapeutas, mas o foco principal deles costuma ser o diagnóstico de condições mentais e a prescrição de medicamentos.

Como são médicos formados, normalmente os psiquiatras são os únicos profissionais da saúde mental que podem prescrever medicamentos (no entanto, em vários estados dos Estados Unidos, os psicólogos com treinamento avançado também podem fazer isso).

Apesar do nome “terapeuta familiar e de casais”, o trabalho desses profissionais não está limitado a famílias e casais.

“Assim como outros psicoterapeutas, eles também trabalham com indivíduos e estão qualificados para avaliar, diagnosticar e tratar vários tipos de questões de saúde mental”, explica Griffith Baker. “O diferencial desses profissionais é que eles recebem treinamento específico para examinar a influência da dinâmica familiar sobre as pessoas e trabalhar com elas no contexto das relações interpessoais.”

Terapia é um tratamento para nossos problemas emocionais e comportamentais do cotidiano.
Terapia é um tratamento para nossos problemas emocionais e comportamentais do cotidiano.

Abordagens da terapia

Depois de conhecer os tipos de terapeutas, você pode explorar também os diferentes tipos de terapias que esses profissionais podem utilizar.

Os profissionais da saúde mental costumam indicar as abordagens que usam em seus sites e em seus currículos. Muitos até combinam vários tipos de terapia no seu trabalho, e a abordagem escolhida pode variar de acordo com as necessidades de cada paciente.

A Terapia Cognitiva Comportamental — ou TCC — é uma das abordagens terapêuticas mais usadas na atualidade. O foco é identificar os padrões de pensamentos negativos que influenciam o nosso humor e o nosso comportamento e, com isso, desenvolver ferramentas para enfrentar essas ideias nocivas. Essa abordagem pode ser usada para lidar com o estresse ou tratar problemas como ansiedade, depressão, transtornos alimentares ou fobias. Ela costuma ser voltada para soluções a curto prazo.

Então, por exemplo, o terapeuta pode pedir para você identificar um pensamento de derrota, como “Minha chefe não respondeu ao e-mail que mandei com sugestões, então minhas ideias devem ser péssimas. Não sou bom no meu trabalho, então nem vou tentar mais”. Então, ele vai trabalhar com você para avaliar essas ideias — Você sabe que foi por isso que ela ainda não respondeu? Ela não tinha elogiado o seu trabalho na semana passada? — assim, você pode ganhar mais confiança para apresentar suas ideias no futuro.

“A técnica pode ser mais estruturada, com exercícios e tarefas que ajudam a reforçar as ferramentas”, conta Shannon Chavez, psicóloga e sexóloga.

A Terapia Comportamental Dialética (TCD) é um subtipo da Terapia Cognitiva Comportamental, desenvolvido originalmente para tratar pessoas com pensamentos suicidas, mas que depois passou a ser usado para tratar o Transtorno da Personalidade Borderline. Esse tipo de terapia também pode ser usado para ajudar pessoas com transtornos alimentares e problemas de abuso de drogas, entre outros. A TCD foca em desenvolver quatro habilidades essenciais para ajudar as pessoas a lidar melhor com emoções difíceis e conflitos: mindfulness, tolerância ao sofrimento, controle emocional e eficácia interpessoal. A técnica combina terapia individual, grupal e orientação por telefone entre as sessões.

Outra abordagem é a terapia psicodinâmica, que tem sua origem em conhecimentos piscoanalíticos e se concentra em como nossas experiências e relações anteriores, como as da infância, por exemplo, afetam nosso presente por meio de padrões, emoções e comportamentos. Ela pode ser usada para tratar a depressão, processar traumas ou trabalhar problemas familiares ou de relacionamento.

“É uma abordagem que ajuda a trazer o inconsciente para a consciência, usando ferramentas que facilitam o diálogo entre o paciente e o terapeuta para curar feridas do passado e promover o autoconsciência”, explica Shannon.

Uma forma de terapia um pouco controversa que está ganhando popularidade é a Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares ― ou EMDR. Esse método de oito fases foi desenvolvido para tratar o transtorno do estresse pós-traumático, mas agora também é usado para tratar outras condições de saúde mental, como fobias, estresse agudo e problemas de vínculos, de acordo com Lois Kirk, orientadora psicológica profissional com treinamento em EMDR.

Durante a sessão, o terapeuta movimenta o dedo (ou uma varinha) para frente e para trás diante do rosto do paciente e pede para ele acompanhar esse movimento com os olhos, pensando na memória traumática. Alguns clínicos podem optar por usar sinais táteis, como um toque na mão, ou sinais auditivos, como notas musicais que alternam da esquerda para a direita em um padrão rítmico. Durante as sessões, as emoções angustiantes ligadas à situação traumática devem diminuir e ser substituídas por crenças mais positivas.

“Quando o paciente se lembrar de uma memória mais tarde, o conteúdo da memória não terá mudado, mas o sofrimento emocional ou físico e as ideias negativas associadas a ela não estarão mais presentes”, explica Kim Strong, assistente social da Wellspace SF, treinada em EMDR.

“No fim das contas, a experiência do paciente com qualquer terapeuta será muito influenciada pela confiança e a segurança que ele sente no consultório.”

- Kathleen Dahlen Devos, psicoterapeuta

Então, qual é o tipo de terapia ideal para você?

Para começar, pense no motivo pelo qual você está buscando ajuda profissional, pois isso vai ajudar a definir o resultado esperado da terapia, explica Griffith Baker.

Se você quer entender melhor como o fato de ter vivenciado o casamento pouco saudável dos seus pais quando criança afeta o seu comportamento nos relacionamentos hoje, procure um terapeuta que use uma abordagem psicanalítica.

Se quiser aprender habilidades práticas para lidar com um transtorno de ansiedade, a abordagem comportamental cognitiva pode ser mais útil.

“Por exemplo, uma pessoa que quer trabalhar conflitos relacionados à identidade sexual precisa de um tipo de terapia diferente de uma pessoa que gostaria de perder o medo de avião”, esclarece Griffith Baker.

Fazer uma pesquisa sobre as diferentes abordagens pode ser útil, mas não se assuste com os jargões da psicologia. O fator mais importante é que o paciente se sinta à vontade para se abrir com o terapeuta, explica Kathleen.

“No fim das contas, a sua experiência com um determinado terapeuta será muito influenciada pela confiança e a segurança que você sente no consultório, assim como a força da relação que vocês criam juntos ao longo do tempo, e talvez isso não tenha nada a ver com a forma como ele caracteriza o trabalho dele”, completa ela.

Como encontrar um terapeuta

A seguir, compilamos algumas dicas de especialistas para encontrar o profissional da saúde mental ideal para as suas necessidades:

  • Primeiro, se você tem plano de saúde, entre em contato com ele para ver uma lista de terapeutas da região que atendem pelo convênio. As consultas serão mais baratas dessa forma. Confira também se a empresa onde você trabalha oferece algum Programa de Assistência ao Funcionário, pois assim pode disponibilizar uma lista de profissionais de acordo com as suas preferências.
  • Peça indicações a terapeutas com quem você tenha consultado, amigos ou conhecidos.
  • Acesse sites de conselhos federais e regionais de Psicologia e Psicanálise, que trazem diretórios on-line para a busca de profissionais.
  • Pesquise bastante. Acesse o site do terapeuta. se ele tiver. Confira a biografia e o currículo dele. Leia todos os artigos que ele publicou e com os quais contribuiu, assista ou ouça os programas de TV, podcasts ou painéis dos quais ele participou.
  • Muitos terapeutas oferecem uma consulta gratuita. Aproveite. Depois de restringir a pesquisa, envie um e-mail ou ligue para todos para marcar uma conversa. Prepare uma lista de perguntas. Durante a ligação, preste atenção na atitude do terapeuta e em como você se sente com ele. “A ideia é que você se sinta à vontade com a abordagem e o estilo dele”, conta Shannon. “Se você se sentir desconfortável durante a conversa pelo telefone, talvez esse terapeuta não seja a melhor opção.”
  • Por último, vá ao consultório. A ligação pode dar uma ideia de como o terapeuta é, mas a melhor maneira de saber se vocês combinam é conhecendo-o pessoalmente. “Não tem problema se você quiser ‘testar’ vários terapeutas antes de escolher um com quem continuar”, diz Kathleen. “Sério, estamos acostumados.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.