7 perguntas que o terapeuta provavelmente vai fazer na sua primeira sessão

O guia para você compreender o que esperar da sua primeira consulta.

Você finalmente decidiu marcar uma sessão de terapia. Talvez seja a primeira da sua vida ou talvez você já tenha conversado com um profissional antes, mas agora decidiu mudar para valer. Você sabe que essa decisão é positiva, mas mesmo assim está com um friozinho na barriga.

“Ficar nervoso é normal. Você vai conhecer uma pessoa nova, que provavelmente vai fazer perguntas muito pessoais e delicadas, relacionadas a emoções, e que precisam de respostas honestas e abertas”, explica Gina Delucca, psicóloga clínica em São Francisco, ao HuffPost. “É uma situação nada natural, que deixa as pessoas nervosas, e os terapeutas sabem disso.”

Para te tranquilizar antes da sua consulta, pedimos para alguns terapeutas contarem sobre o que eles costumam conversar com os pacientes na primeira sessão.

Veja abaixo as dicas desses profissionais da saúde para você começar (ou recomeçar) a terapia com o pé direito.

Perguntas que você provavelmente vai precisar responder

Estas são algumas perguntas que os terapeutas costumam fazer aos clientes novos na primeira consulta.

Antes da primeira sessão, é provável que o terapeuta envie alguns documentos para você preencher. Um deles será um questionário perguntando suas informações de contato, o histórico médico (incluindo todos os remédios que você está tomando), os serviços de saúde mental que você já buscou antes, e os problemas ou motivos de estresse que você espera resolver na terapia.

Depois de conferir as respostas, o terapeuta pode pedir para você explicar melhor alguma delas durante a sessão. Confira algumas perguntas que o profissional pode fazer e por quê:

1. Por que você decidiu fazer terapia neste momento?

O terapeuta quer saber se está acontecendo alguma coisa na sua vida que impulsionou você a marcar a consulta. Pode ser qualquer coisa, talvez o término de um relacionamento, uma briga com um parente, níveis de ansiedade descontrolados, violência sexual ou uma grande mudança, como o nascimento de um filho ou o início de uma nova carreira.

“Queremos saber qual foi o acontecimento ou a experiência que fez o paciente decidir buscar ajuda. Assim, podemos entender a natureza do problema e qual é o objetivo dele”, explica Kate Stoddard, terapeuta familiar e de casais em São Francisco.

2. Como você está enfrentando os problemas que fizeram você procurar a terapia?

Gina faz essa pergunta aos clientes novos para saber como eles lidam com situações de estresse e emoções complicadas. Eles fazem algo produtivo, como meditar ou passear ao ar livre? Ou recorrem a hábitos prejudiciais à saúde, como beber em excesso ou usar drogas?

“É útil saber quais são as habilidades e recursos do paciente para enfrentar problemas, assim podemos utilizá-los no tratamento”, explica ela. “Isso também me ajuda a avaliar se o paciente recorre a mecanismos de defesa prejudiciais à saúde, que podem estar exacerbando o problema e também podem afetar o tratamento, como fugir do problema, usar drogas ou se autoflagelar.”

3. Você já fez terapia antes?

Se o paciente já fez terapia antes, provavelmente gostou de alguns aspectos e não de outros. O terapeuta atual pode usar essas informações para ajudar aumentar a eficácia do tratamento, explica Danny Gibson, terapeuta familiar e de casais de Los Angeles.

“Se a experiência foi positiva, o que deu certo? Se foi negativa, por que isso aconteceu e o que o paciente gostaria de mudar?”, explica ele. “Quem controla a sessão de terapia é o cliente, eu sou só um guia.”

Se a resposta a essa pergunta for “não”, Kate conta que “o terapeuta pode passar mais tempo orientando o paciente acerca da estrutura e do processo da terapia, e de como ela funciona”.

4. Como foi a infância na sua família?

Muitas pessoas começam a fazer terapia para se entender melhor e aprender a se relacionar com outras pessoas. Saber mais sobre a infância e a dinâmica familiar do paciente pode nos ajudar a compreender como essa pessoa é hoje, conta Zainab Delawalla, psicóloga clínica em Atlanta.

“Nem sempre as pessoas repetem os papéis que adotaram durante a infância, mas, muitas vezes, os padrões de relacionamento que elas desenvolvem têm a ver com a forma como elas internalizaram certas expectativas no passado”, explica ela.

5. Você já pensou em se machucar ou cometer suicídio?

No caso de quem já teve ideias suicidas ou autodestrutivas, essas questões podem provocar emoções difíceis, mas é essencial que o terapeuta saiba disso desde o início.

“A maioria dos terapeutas quer saber desde a primeira sessão se você luta contra pensamentos autodestrutivos, para poder garantir que o nível adequado de cuidado seja recomendado”, completa Zainab.

Se você responder “sim” à pergunta acima, Gina conta que as seguintes perguntas podem ser feitas: “Você continua com ideias suicidas?,” “Você tem um plano para cometer suicídio?,” “Você pretende colocar essas ideias em prática?” e “Você tem um método para colocar esse plano em prática?”

6. Qual é o seu nível de conexão com as pessoas ao seu redor?

A solidão pode ter sérias consequências para a saúde física e mental. Por isso, o terapeuta vai querer saber se você já tem uma boa rede de apoio. Caso contrário, ele pode ajudar você a construir uma.

“Existem muitas pesquisas que demonstram a importância do apoio social para manter o bem-estar psicológico”, conta Zainab. “Entender bem a vida social do paciente ajuda o terapeuta a entender como usar melhor os recursos de apoio social para potencializar o tratamento, e se reforçar o lado social deve ser um dos objetivos da terapia.”

7. O que você espera conseguir com a terapia?

“É bom explorar essa pergunta de forma mais profunda durante a primeira sessão para saber quais são as expectativas do paciente na terapia e também para ajudá-lo a lidar com as expectativas quanto ao funcionamento do processo de mudança”, conta Kate.

Para definir os seus objetivos para a terapia, descreva da forma mais específica possível como seriam as melhorias na sua vida. Em vez de dizer “quero ser mais autoconfiante”, pense em como seria essa mudança de forma concreta.

“Por exemplo, como você saberia se está mais autoconfiante? O que você faria diferente?”, explica Gina. “Com objetivos mais perceptíveis e mensuráveis, será mais fácil acompanhar o seu progresso e saber se a terapia está funcionando.”

Outras formas de se preparar para a sua primeira sessão

Para se preparar para a sua primeira sessão, faça uma lista de perguntas para o terapeuta.

Agora você já tem uma noção dos tipos de perguntas que provavelmente terá que responder na primeira sessão. Você também já deve ter preenchido os documentos iniciais (vale lembrar que a maioria dos terapeutas disponibiliza esses documentos on-line para facilitar o processo, destaca Zainab).

Se você quiser se sentir ainda mais preparado antes da primeira sessão, confira o que mais deve levar em conta, de acordo com os especialistas que entrevistamos:

Pense nas características que você procura em um terapeuta.

Os profissionais da saúde mental têm estilos e abordagens diferentes à terapia. Pense em como você gostaria que fossem as sessões, depois conte para o terapeuta para que ele saiba qual é a melhor forma de trabalhar com você.

“O terapeuta é o profissional, mas se você sabe que quer chegar e ser ouvido por alguém, é importante comunicar isso a ele”, explica Kate. “E se você prefere ser guiado durante as sessões e não sabe muito bem de que falar, também é importante dizer isso ao terapeuta.”

Prepare-se para falar bastante.

Na primeira sessão, é necessário abordar muitas questões, então prepare-se para passar muito tempo falando, e não ouvindo.

“Faço muitas perguntas abertas nas primeiras sessões porque quero que os clientes me contem tudo o que se sentem à vontade para contar”, explica Zainab. “Não costumo fazer perguntas muito invasivas durante a primeira sessão, a menos que sejam relacionadas às questões de que o cliente quer tratar na terapia, porque não quero que ele se sinta exposto.”

E lembre-se sempre: se você quiser que o terapeuta saiba de qualquer coisa, é só falar. “Somos profissionais da saúde mental, mas não lemos pensamentos”, completa Zainab.

Mas se você não quiser se abrir logo de cara, não tem problema.

É bom que o paciente seja o mais aberto e honesto possível na primeira sessão, mas é normal que as pessoas precisem de um pouco de tempo antes de mergulhar em questões muito pessoais ou traumáticas.

“Sabemos que, às vezes, pode levar um tempo para construir uma relação de confiança e deixar os pacientes à vontade”, explica Gina. “Portanto, se você achar que ainda não está pronto para falar de um determinado assunto, basta avisar o terapeuta.”

A terapia é um lugar em que você será ouvido, sem julgamentos.

O terapeuta nunca deve fazer o paciente se sentir julgado ou criticado pelo que está pensando, sentindo ou pela situação que está enfrentando. A presença do terapeuta deve tranquilizar o paciente, não fazer com que ele queira se fechar.

“É importante prestar atenção em como você se sente quando está no consultório com o terapeuta”, diz Zainab. “Se você se sente à vontade para se abrir com essa pessoa sem medo de julgamentos, e se você acha que o estilo da terapia combina com a sua personalidade.”

Se o terapeuta não combinar com você, não tem problema. Encontrar o terapeuta ideal pode levar um tempo.

Faça uma lista de perguntas para o terapeuta.

Se você quiser saber mais sobre a filosofia, o currículo e a formação do terapeuta, e também sobre a duração e a frequência das sessões, a primeira consulta é o momento ideal, diz Danny.

Às vezes, o paciente se sente mal antes de melhorar.

A terapia não é uma solução rápida. O processo terapêutico leva tempo, então tenha paciência. Muitos problemas não podem ser resolvidos em apenas uma ou duas sessões.

“A terapia pode revelar certos pensamentos e sentimentos que estavam reprimidos, e isso pode fazer alguns sintomas piorarem temporariamente”, explica Zainab. “Mas, no fim das contas, a ideia da terapia é que o paciente aprenda mecanismos efetivos para aliviar esses sintomas.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.