Tamo Junto

Quando contar para o seu parceiro que você faz terapia

Saiba como abordar as suas experiências quando começa a sair com uma pessoa nova.

Katie Roscher é escritora e mora em Nova York. Ela não tem vergonha de falar sobre terapia quando vai a um encontro.

“A terapia é uma parte muito importante da minha vida, por isso eu sempre tento puxar o assunto nos primeiros três ou cinco encontros”, conta Katie, que tem 31 anos. “Não de um jeito sério, mas fazendo piada. Não quero constrangimentos por admitir que faço terapia.”

Quando o assunto é terapia, algumas conversas funcionam bem melhor que outras: “Meu último namorado sério ficou na defensiva quando eu contei, como se a terapia fosse uma resposta direta a algum comportamento dele que me incomodava.”

Mas, na maioria dos casos, a reação é positiva. Muitas vezes, a pessoa acaba contando a Katie que também faz terapia, e ela adora: “Isso significa que essa pessoa está em sintonia com as próprias emoções e sabe que precisa de ajuda para entender as coisas.”

Nos dias de hoje, a experiência de Katie é muito comum. Cada vez mais millennials buscam a psicoterapia. Não é à toa que eles são chamados de “geração da terapia”. Por isso, as sessões com o terapeuta passaram a ser um assunto normal nos encontros.

De acordo com um relatório de 2017 do Centro de Saúde Mental da Penn State University, que compilou dados de 147 faculdades e universidades, o índice de alunos que frequentavam centros de aconselhamento aumentou muito nos últimos 5 anos. Então, estatisticamente falando, é muito provável que você esteja saindo com uma pessoa que faz terapia.

Antigamente, a busca por ajuda na área da saúde mental era estigmatizada (“Terapia por quê? O que aconteceu?”), mas hoje em dia as pessoas reconhecem o valor das sessões, ainda mais para enfrentar os altos e baixos de um relacionamento.

“Ano passado, saí com um cara que estava muito empolgado com a forma como a terapia mudou a vida dele. Mais recentemente, outro rapaz me disse que a terapia ajudou muito quando ele saiu do exército”, conta Micki Cordova, assistente de pesquisa de neurociência comportamental em Portland, Oregon.

Para os jovens que foram testemunhas das vidas pessoais instáveis dos pais (que, algumas vezes, incluíram vários divórcios), a terapia é como uma medalha de honra.

“Vimos o que traumas coletivos não resolvidos fizeram com nossos pais”, explica Micki. “Muitas pessoas estão tentando acabar com esses ciclos de dor cuidando melhor das necessidades de saúde mental.”

“Quem valoriza a honestidade e a transparência nos relacionamentos deveria contar já nas primeiras saídas.””

- Kelifern Pomeran, psicóloga

Em São Francisco, onde Kelifern Pomeranz trabalha, ter um terapeuta é como ter um personal trainer, algo muito comum para quem consegue pagar. (A terapia pode ser cara, mas se você estiver procurando alternativas mais baratas, leia este artigo.)

A terapia já é muito comum, mas Kelifern sempre diz aos clientes que falar sobre isso com a pessoa com quem saímos depende dos objetivos da relação.

“É só uma ficada? Então esse assunto não deve ser relevante”, explica ela. “Pode virar um relacionamento sério? Quem valoriza a honestidade e a transparência deve contar já nas primeiras saídas. Se a terapia for um problema, é melhor saber logo no início.”

Não sabe como puxar o assunto? Pode ser em uma conversa casual, tipo “Sabe, hoje meu terapeuta me disse algo legal”, ou talvez contando sobre alguma descoberta que você fez na última sessão.

No caso de quem faz terapia por algum trauma, é bom ter um pouco mais de cuidado com essa conversa. Assim como qualquer assunto delicado, é importante pensar em como a outra pessoa pode reagir, explica Alicia H. Clark, psicóloga de Washington, D.C.

Para ter uma ideia de como a outra pessoa vai responder, aproveite algum tema de cultura popular. Por exemplo: “Li um artigo muito legal sobre como a Kristen Bell enfrentou a depressão com a ajuda da terapia” ou “O que você achou das cenas de terapia em ‘Big Little Lies’? Será que só tem uma terapeuta naquela cidade?”

“Essas conversas são úteis para saber o que o possível parceiro acha da terapia”, explica Alicia. “Assim, a outra pessoa pode dizer o que acha com toda a honestidade, sem a pressão de saber que precisa dizer a coisa certa.”

Mas o principal é não se estressar. Você não precisa explicar em detalhes por que faz terapia.

“Não há nada de errado em fazer terapia, então não é necessário inventar desculpas nem se sentir mal por isso”, explica Kelifern.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.