6 tendências de 'autocuidado' que gostaríamos de deixar para trás em 2019

Vamos começar um ano novo sem esses modismos de "saúde", certo?

Mais um ano está chegando e, com ele, também há uma série de tendências bizarras de bem-estar que entram na moda.

Enquanto algumas tendências parecem até trazer alguns benefícios para algumas pessoas - olá, dieta cetogênica - outras estão cheias de promessas vazias, informações falsas e efeitos colaterais perigosos. Ou, na melhor das hipóteses, eles ainda precisam de mais pesquisas científicas antes que conclusões definitivas possam ser feitas.

E assim, achamos que é hora de fechar a porta para algumas dessas tendências por enquanto.

Sites de bem-estar de celebridades

No início deste ano, Kourtney Kardashian estreou o Poosh, um site com a missão de promover um “estilo de vida moderno, alcançável por todos”.

A plataforma é basicamente uma outra versão do Goop, a marca de Gwyneth Paltrow que pretende fazer a mesma coisa.

Aqui está o problema: embora esses sites possam definitivamente ser divertidos, não podemos seguir os conselhos de saúde deles. Não são apenas dicas desnecessárias, mas algumas são absolutamente arriscadas. (Lembra quando Goop queria que os leitores colassem uma pedra de jade de US$ 66 em suas vaginas? Sim, não há necessidade.)

Lembre-se de que algumas celebridades postam sobre produtos que estão recebendo muito dinheiro para fazer publicidade. Alguns desses produtos têm o potencial de prejudicar seriamente nosso corpo e desencadear maus hábitos. (Lembra dos pirulitos supressores de apetite de Kim Kardashian?)

Por fim, muitas das receitas não são realistas - a maioria de nós não pode comprar todos os alimentos e produtos sofisticados que essas celebridades atestam. Se você estiver procurando maneiras de melhorar sua saúde, procure seu médico, não uma Kardashian.

Microdosagem não supervisionada

Pode parecer absurdo, mas pessoas começaram a tomar pequenas doses de LSD, cogumelos mágicos e outros psicodélicos para obter efeitos mentais mais sutis - também conhecidos como microdosagem.

Um estudo recente descobriu que, embora a microdosagem tenha se tornado mais popular, ainda não há muita literatura científica sobre ela, principalmente quando se trata de efeitos à saúde a longo prazo. (Sem mencionar, os psicodélicos são difíceis de estudar, pois são ilegais nos EUA e no Brasil.)

Enquanto algumas pessoas relataram efeitos positivos - como melhora no humor e no foco - outras experimentaram aumento da ansiedade e desconforto fisiológico.

“O uso de psicodélicos não regulamentados em qualquer dose está repleto de desafios devido a preocupações com o fornecimento, falta de eficácia demonstrada para condições médicas específicas e potencial efeitos adversos”, disse David A. Fiellin, médico da Yale Medicine especializado em medicina para dependentes químicos. “Como todas as substâncias controladas, são necessárias pesquisas para ajudar a identificar condições específicas, dosagem adequada, segurança e eficácia”.

Embora essas substâncias pareçam ser curativas para alguns, qualquer forma de automedicação pode ser perigosa, e a microdosagem não deve substituir os tratamentos médicos padrão.

Jejum excessivo

O CEO do Twitter, Jack Dorsey, virou notícia em abril, quando compartilhou seus “hábitos de bem-estar” em uma entrevista à CNBC. Um dos pontos mais notáveis? Sua rotina alimentar, que envolvia jejum intenso. Dorsey disse que costumava passar fins de semana inteiros sem comer e, durante a semana, tentava manter uma refeição por dia.

Esse “hábito de bem-estar” é melhor comparado ao jejum intermitente, como apontou o artigo da CNBC. O programa faz com que as pessoas comam apenas em horários específicos.

Como a maioria das tendências da dieta, há pontos positivos e negativos no jejum intermitente. Também precisa haver mais pesquisas sobre isso. Mas uma das descobertas notáveis ​​é que o jejum tem uma alta taxa de abandono - 38% das pessoas que tentam sair do jejum.

O jejum - que pode reduzir a inflamação quando feito corretamente - tem duas falhas principais: uma, as pessoas que jejuam tendem a se recompensar depois se entregando a uma refeição grande e prejudicial à saúde, de acordo com uma publicação do Harvard Health. Segundo, alguns jejuadores vão longe demais e acabam privando seu corpo de comida por muito tempo e acabam em estado de desnutrição.

“Fazer dieta com um corte severo de calorias na tentativa de perder peso pode ser prejudicial ao corpo. Freqüentemente ocorre exatamente o oposto do esperado - o metabolismo diminui ”, disse Kecia Gaither, uma médica de medicina fetal materna e OB-GYN de Nova York, que acrescentou que, quando seu metabolismo diminui, você armazena gordura e ganha mais peso.

Os riscos são especialmente preocupantes com mulheres que jejuam, ela disse, pois o jejum pode interferir nos hormônios e na menstruação e fazer com que algumas pessoas parem de menstruar completamente.

Aplicativos de bem-estar

OK, não estamos dizendo que os aplicativos de bem-estar precisam sumir por completo - muitas ferramentas, como rastreadores de condicionamento físico e nutrição, podem realmente incentivar as pessoas a viver uma vida mais saudável. Mas vários especialistas em saúde dizem que a maioria das ferramentas de saúde disponíveis, incluindo rastreadores do sono, são imprecisos.

Além disso, algumas pessoas começaram a usar aplicativos relacionados à saúde no lugar de um médico real. E os profissionais não estão entusiasmados com isso, especialmente quando se trata de diagnósticos ou condições graves de saúde que exigem uma avaliação física.

“Os aplicativos têm seu lugar, mas não podem substituir um profissional de saúde vendo você frente a frente, obtendo um histórico médico, examinando e realizando testes de diagnóstico específicos para avaliar, diagnosticar e tratar a sua doença”, afirmou Gaither.

Óleos essenciais

Lavanda, hortelã-pimenta, limão - eles cheiram bem, mas ainda não se sabe o quão eficazes são os óleos essenciais quando se trata de nossa saúde. Apesar disso, as pessoas usam óleos para tratar várias condições de saúde, incluindo ansiedade, enjôo e até o câncer.

“Cheiros agradáveis podem nos ajudar a relaxar ou ser tranquilizadores, mas não têm efeitos duradouros em nossa saúde”, disse Keith Humphreys, psiquiatra da Stanford Health Care em Stanford. “Os óleos essenciais não curam doenças. Por outro lado, eles também não podem prejudicá-lo, a menos que você gaste muito dinheiro com eles.”

Vaping

Este ano, o vaping passou rapidamente de uma das maiores tendências para uma epidemia direta. Agora temos evidências mais do que suficientes (e histórias terríveis) sugerindo que o vaping não é bom para o nosso corpo - os adolescentes estão morrendo, os vapes estão explodindo no rosto das pessoas e os pulmões das pessoas estão se esgotando. E essas são apenas as consequências a curto prazo. Nem sabemos quais serão os efeitos a longo prazo.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.