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22/03/2019 17:39 -03 | Atualizado 22/03/2019 17:39 -03

Temer fica em silêncio em interrogatório; Habeas corpus será julgado na quarta

Ex-presidente está preso em sede da PF no Rio, em uma sala com "cama, banheiro e chuveiro".

Ricardo Moraes / Reuters
Michel Temer é escoltado ao chegar à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde segue preso.

O ex-presidente Michel Temerpermaneceu em silêncio durante interrogatório, nesta sexta-feira (22), na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, onde está preso desde a quinta (21). A informação foi divulgada nesta sexta pela procuradora da República Fabiana Schneider, integrante da força-tarefa da Lava Jato no Rio.

Segundo Fabiana, dos 8 presos na operação, apenas o ex-ministro Moreira Franco aceitou falar, negando ter recebido ou oferecido propina. De acordo com a procuradora, Temer apenas informou, por meio de seus advogados, que não iria falar.

Questionada se os fundamentos dos mandados de prisão eram suficientemente sólidos para justificar a prisão de Temer, Moreira e os demais presos, Fabiana disse que sim, por se tratar de membros de uma organização criminosa estável, que vinha ocultando patrimônio e atuando há cerca de 40 anos.

“A força-tarefa do Rio de Janeiro tem sido bastante comedida nos seus pedidos de prisão. Se não houvesse motivos suficientes para prisão preventiva, com toda certeza, nós não faríamos esses pedidos”, disse Fabiana.

“Nós estamos absolutamente convencidos da necessidade da manutenção da prisão. A gente está falando de uma organização criminosa que assalta o erário há quase 40 anos, em valores muito superiores aos quais estamos acostumados, de R$ 1,8 bilhão, pelo menos.” 

Segundo a procuradora, uma eventual soltura dos presos, por força de habeas corpus impetrados no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) poderia atrapalhar as investigações. “Não é a expectativa que nós temos. Gostaríamos que o nosso pedido continuasse vigente, mas aí é o entendimento de cada magistrado. Pode atrapalhar, tanto que a força-tarefa pediu a prisão.”

 

Análise de habeas corpus fica para quarta

Nesta sexta-feira, o desembargador Ivan Athié decidiu que a análise do habeas corpus pedido pela defesa de Temer ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) será feita na próxima quarta-feira (27).

Athié também solicitou uma manifestação do juiz federal Marcelo Bretas, que determinou a prisão de Temer, sobre o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente. 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério Público Federal denunciará Temer, na próxima semana, por “peculato, corrupção e lavagem de dinheiro”.

Segundo a procuradora Fabiana Schneider, o ex-presidente teve telefonemas monitorados durante um período anterior à sua prisão. O conteúdo ainda não teria sido analisado.

Integrantes do Ministério Público e da Policia Federal afirmaram à imprensa na quinta-feira (21) que Temer orquestrou a negociação de R$ 1,8 bilhão em propina. A possibilidade de que o recebimento da vantagem indevida ainda esteja em andamento foi um dos argumentos usados para a expedição do mandado que resultou na prisão do ex-presidente.

Além da suspeita de recebimento contínuo da propina, a tentativa de um depósito em espécie de R$ 20 milhões em uma das contas ligadas a Temer em outubro do ano passado foi apontada pelos responsáveis pela operação como indício de que o esquema continua em andamento.

 

“Cama, banheiro e chuveiro”

Temer está desde a noite de quinta-feira preso em uma “sala previamente preparada e segura” na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, de cerca de 20 metros quadrados. Segundo documento assinado pelo superintendente regional da PF, Ricardo Andrade Saadi, a sala tem “cama, chuveiro e banheiro”. 

“Na ocasião, caso a custódia seja realizada por esta Polícia Federal, solicita-se orientação sobre itens mínimos que podem ser colocados na referida sala, como frigobar, televisão etc.”, diz o texto.

Foi autorizado que Temer ficasse na sede da PF no Rio por uma questão de “tratamento isonômico” para os ex-presidentes detidos. 

“Entendo que o tratamento dado aos ex-presidentes deve ser isonômico, uma vez que o ex-Presidente Lula está custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba”, escreveu o juiz Bretas na decisão.

Inicialmente, o magistrado havia determinado que Temer ficasse no Unidade Especial Prisional em Niterói, para onde foram levados o ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Moreira Franco, e o coronel aposentado João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente. É nessa unidade que está preso o ex-governador do Rio Luiz Fernando Pezão.

Segundo a Folha de S. Paulo, a sala onde está Temer teve as janelas vedadas com chumbo derretido e cobertas de película negra. Sem iluminação natural, o local ficaria o tempo inteiro com as luminárias ligadas.

“O chumbo é para impedir fuga. Já o revestimento preto impede que seja visto e tenha acesso ao pátio do prédio”, diz reportagem do jornal.

O ex-ministro Carlos Marun afirmou à Folha, após visitar Temer, que a cela é um escritório adaptado. “Não é o ideal. Mas ele está sendo bem tratado”.