POLÍTICA
21/03/2019 11:31 -03 | Atualizado 21/03/2019 16:13 -03

Ex-presidente Michel Temer é preso pela Polícia Federal

Também a pedido da Lava Jato no Rio, a PF prendeu ex-ministro Moreira Franco.

Xinhua News Agency via Getty Images
A operação contra o ex-presidente Michel Temer estava prevista para iniciar mais cedo, mas a PF teve dificuldade em localizar com precisão o ex-presidente.

O ex-presidente Michel Temerfoi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (21) em sua casa, em São Paulo. O mandado foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Temer é o segundo ex-presidente do Brasil preso em desdobramento da Lava Jato.

A PF também prendeu Moreira Franco, ex-ministro de Minas Energia do governo Temer, e o amigo de Temer, coronel João Baptista Lima Filho. Ao jornalista Kennedy Alencar, Temer considerou a prisão uma “barbaridade”. 

Em nota, o Ministério Público afirmou que as prisões preventivas “decorrem de elementos colhidos nas Operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade deflagradas pela PF anteriormente e, notadamente, em razão de colaboração premiada firmada pela Polícia Federal”. 

A operação estava prevista para iniciar mais cedo, mas a PF teve dificuldade em localizar com precisão o ex-presidente. Depois de ser preso em casa, ele foi levado ao aeroporto de Guarulhos, onde ficou por mais de 4 horas. Pouco depois das 16h, Temer foi levado, de avião, pela polícia para o Rio de Janeiro.

Segundo a Folha de S.Paulo a prisão levou em consideração a delação premiada do executivo da empreiteira Engevix, José Antunes Sobrinho. Ele teria afirmado que foi cobrado para fazer um pagamento de R$ 1 milhão em troca da  subcontratação da empreiteira para executar serviços de um contrato da Eletronuclear com empresa ligada ao amigo de Temer, coronel João Baptista Lima Filho. O dinheiro teria sido destinado para campanha de 2014. 

Está prevista para às 16h uma coletiva do MP sobre os 2 mandados de prisão temporária e 26 mandados de busca e apreensão nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná e no DF. 

 

Defesa

Em nota, o MDB lamentou “a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco”.

“O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa.”

A defesa do ex-ministro Moreira Franco manifestou “inconformidade com o decreto de prisão cautelar”. “Afinal, ele encontra-se em lugar sabido, manifestou estar à disposição nas investigações em curso, prestou depoimentos e se defendeu por escrito quando necessário.”″

A nota ressalta que “causa estranheza o decreto de prisão vir de juiz de direito cuja competência não se encontra ainda firmada, em procedimento desconhecido até aqui”.

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Michel Temer e Moreira Franco, proeminentes políticos do MDB, presos nesta quinta-feira (21)

Investigações

Temer é alvo de 10 investigações, por crimes como corrupção passiva, chefiar organização criminosa, obstrução à Justiça e lavagem de dinheiro. 

Entre as investigações, estão a que é ele é investigado por corrupção passiva. a. A suspeita é que ele era o destinatário dos R$ 500 mil apreendidos com o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.

Temer, no entanto, afirmou à Polícia Federal que nunca pediu ou autorizou Loures a receber em seu nome recursos de campanha “ou de qualquer outra origem”.

Outra é relativa à declaração “tem que manter isso aí”, na qual ele é acusado de chefiar uma organização criminosa e de tentar obstruir a Justiça comprando o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Na época, a Secretaria Especial de Comunicação da Presidência disse que o presidente “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha” e que Temer não participou ou autorizou “qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”.

Há ainda uma investigação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que apura se houve ilegalidade em decreto que beneficiou empresas do setor de portos, assinado em maio de 2017. Segundo a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o esquema movimentou R$ 32,6 milhões entre 2016 e 2017, e Temer teria recebido propina.

E um inquérito sobre crime de corrupção, que é investigado junto com dois ex-ministros, Moreira Franco (Minas e Energia) e Eliseu Padilha (Casa Civil), envolvendo dinheiro ilícito da Odebrecht em 2014.

De acordo com as investigações, o repasse ilícito de R$ 10 milhões ao MDB foi acertado em jantar no Palácio do Jaburu em maio de 2014 com Temer, Padilha, o então presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e o ex-executivo Cláudio Melo Filho.

Segundo delatores da empresa, o montante seria uma forma de pagar por interesses da empreiteira atendidos pela Secretaria de Aviação Civil, comandada entre 2013 e 2015 por Padilha e Moreira Franco. Temer admitiu que houve o jantar mas negou a negociação.