NOTÍCIAS
17/09/2019 10:12 -03 | Atualizado 17/09/2019 11:13 -03

'Jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe', diz Temer

Em entrevista ao programa Roda Viva, ex-presidente disse que não conspirou pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Reprodução/TV Cultura
michel temer

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, exibida nesta segunda-feira (16), o ex-presidente Michel Temer negou ter articulado o impeachment de Dilma Rousseff e chamou o processo de golpe

“O pessoal dizia ‘o Temer é golpista’ e que eu teria apoiado o golpe. Diferente disso, eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”,  disse Temer. O emedebista afirmou ainda que não imaginava que viraria presidente por essas vias”.

Questionado pelo jornalista Ricardo Noblat sobre uso da palavra golpe e se ele entendia que houve um golpe, Temer recuou. “Só se eu entender que a Constituição faz previsão expressa de golpe. (...) Trabalhei muito para evitar qualquer espécie de impedimento”, disse. 

O jornalista insistiu e perguntou se o ex-presidente “não havia conspirado nem um pouquinho?”. Temer negou mais uma vez. 

Apontado como operador financeiro de propinas do MDB, Lúcio Funaro afirmou, em sua colaboração premiada, que Temer e o deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) “confabulavam diariamente” para “tramar” a aprovação do impeachment de Dilma. Presidente da Câmara dos Deputados à época, Cunha foi responsável por aceitar o pedido de impeachment.

O fato do ex-presidente ter usado a palavra golpe foi explorado pela oposição. Vice na chapa presidencial com Fernando Haddad (PT) em 2018, Manuela D`Ávila (PCdoB) perguntou “O Temer já reconheceu que foi golpe. E você?”.

Presidenciável pelo PSol em 2018, Guilherme Boulos escreveu que “o Roda Viva parece estar provocando lampejos de sinceridade nos entrevistados”.

Na entrevista, Temer também disse acreditar que, se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse sido nomeado ministro da Casa Civil de Dilma, o impeachment poderia não ter se concretizado. “Ele (Lula) tinha bom contato com o Congresso”, destacou o emedebista.

O ex-presidente também reconheceu uma tentativa de aproximação com o petista, à época.“Recentemente, o jornal Folha (de S.Paulo) detectou um telefonema que o ex-presidente Lula me deu onde ele pleitava, e depois esteve comigo, para trazer o MDB para impedir o impeachment. E eu tentei. Mas a esta altura, a movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos já estavam vocacionados para esta ideia. Mas veja que, até o último momento, e este telefonema revela, que eu não era, digamos, adepto ao golpe”, afirmou.

A reportagem da Folha também coloca em xeque a hipótese de que a nomeação de Lula teria como objetivo travar as investigações sobre ele, transferindo seu caso de Curitiba para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi esse o motivo para o STF barrar que o petista assumisse a Casa Civil, após o então juiz Sergio Moro divulgar, de maneira ilegal, uma ligação entre Lula e Dilma. À época, as mensagens não foram divulgadas.