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30/04/2020 19:50 -03

'Não é porque tem essa alteração do número de mortes que uma política vai mudar', diz ministro da Saúde

Número de mortes chega a 5.901, sendo que 1.258 foram confirmadas nos últimos 3 dias.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou nesta quinta-feira (30) que lamenta a escalada de mortes por covid-19 no Brasil, mas que a atuação do governo federal não irá mudar em função desses números. De acordo com o oncologista, os critérios que orientam as políticas da pasta são a evolução da curva de contaminação e os recursos das cidades e estados.

“O número de mortes adicional é muito triste, mas não é porque tem essa alteração do número de mortes que uma política vai mudar. Não adianta ficar escalando quantos morrem a mais todo dia. A política não é em função disso. É em função do grau de crescimento e da heterogeneidade do País”, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta.

Em seguida, Teich disse “nesse momento a gente tem uma definição clara: o distanciamento permanece como orientação e a gente vai estar avaliando cada lugar, cada região, cada cidade para avaliar como está evoluindo a curva de contaminação, qual o recurso que cada cidade tem para tratar das pessoas”. “Isso que vai definir como isso vai caminhar”, completou.

Sobre o aumento de óbitos, o ministro afirmou ainda que é possível alcançar mais de mil casos por dia.“Hoje a gente está perto de 500 mortes, 400. O número de 1.000, se estivermos num movimento, num crescimento significativo da pandemia, é um número que é possível acontecer. Não quer dizer que vai acontecer. A gente tem que acompanhar a cada dia para ver o que está acontecendo para tomar as decisões”, disse.

Estudo do Imperial College de Londres divulgado nesta semana prevê que o Brasil poder atingir 10 mil vítimas da pandemia até domingo (3).

O número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil chegou a 5.901, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (30), sendo que 1.258 foram confirmadas nos últimos 3 dias. Os casos confirmados somam 85.380, e a taxa de letalidade é de 6,9%. 

Na terça, o País bateu um novo recorde do avanço da pandemia, com 474 novos óbitos confirmados em 24 horas, que levou o número total a 5.017. Horas depois da divulgação do dado, o ministro da Saúde, reconheceu o agravamento da crise sanitária, mas não anunciou qualquer ação específica. 

A expectativa é que o número atual de óbitos seja maior devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

ASSOCIATED PRESS
"O número de 1.000, se estivermos num movimento, num crescimento significativo da pandemia, é um número que é possível acontecer", disse ministro sobre mortes em 24 horas.

Isolamento social 

O Ministério da Saúde prometeu anunciar nesta semana uma nova diretriz para orientar estados e municípios sobre possível flexibilização do isolamento social. Teich admitiu que a diretriz está pronta, mas disse que não há previsão para que ela seja divulgada. “Tenho uma preocupação muito grande de como essa veiculação pode ser usada, de forma que não se torne uma ferramenta de discórdia mais que um auxílio à população”, disse. “Ninguém está pensando em relaxamento o isolamento. A gente está criando uma diretriz”, completou.

Questionado sobre o aumento de casos em Santa Catarina após a abertura do comércio, Teich afirmou que é difícil dizer se é uma relação de causa e efeito. “Eu esperaria outros exemplos em outros lugares para ver se existe uma correlação, se existe essa causa e efeito entre relaxar a distância [social] e ter o aumento dos casos”, disse.

Em seguida, o assessor especial do ministro, Denizar Viana, afirmou que esse não é o “momento adequado” para divulgar a nova diretriz porque a curva de contaminação está em ascensão. Ele também afirmou que não é o governo federal, mas os estados e municípios que decidem sobre esse tipo de medida e que cabe ao Ministério da Saúde “instrumentalizar o processo decisório”.

De acordo com Denizar, a nova diretriz foi desenhada a partir de evidências científicas e experiências internacionais e irá orientar como entes federados devem elaborar uma classificação de risco e qual a periodicidade para avaliar aa situação e avançar na flexibilização do isolamento social. 

Usado para conter o ritmo de contaminação do novo coronavírus e evitar um colapso de saúde, o isolamento social é criticado pelo presidente Jair Bolsonaro. Esse foi um dos principais pontos de discordância entre ele e Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde demitido em 16 de abril.

Sobre a situação dos hospitais, Teich disse que a “a prioridade absoluta é ajudar estados e municípios a ter a estrutura necessária para tratar das pessoas”.

A secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde,Mayra Pinheiro, informou que no próximo domingo o Ministério da Saúde levará para Manaus (AM), uma das cidades mais afetadas, 581 profissionais da saúde.