OPINIÃO
25/08/2019 05:00 -03 | Atualizado 25/08/2019 05:00 -03

Líder em conectividade, Brasil carece de profissionais capacitados

Ainda em 2019, 160 mil vagas estarão abertas na área de tecnologia sem mão de obra qualificada para atender à demanda.

marrakeshh via Getty Images
Brasil é o 3º maior mercado de internet do mundo em termos de horas gastas na rede.

Ao menos quando o assunto é usar internet, podemos dizer que somos campeões. Brasileiros entre 16 e 64 anos gastam, em média, nove horas diárias no mundo virtual, atrás apenas da Tailândia e das Filipinas, de acordo com o estudo “Panorama da Transformação Digital no Brasil“, realizado pelo BrazilLAB em parceria com a Fundação Brava e o Center for Public Impact.

O Brasil é, então, um dos países mais conectados do mundo. E isso se deve também às condições de cobertura de internet. Dados das empresas de telecomunicações mostram que 94% dos brasileiros estão em municípios com 4G, e 100% da população tem pelo menos uma rede 2G à disposição.

Mais do que isso: o custo da internet é relativamente baixo, se comparado ao de outros países. O brasileiro paga, em média, US$ 3,50 pelo gigabyte de internet para celulares, valor muito menor que o cobrado no México (US$ 7,38) e nos Estados Unidos (US$ 12,37), de acordo a pesquisa “Global Mobile Data Price“, feita pelo site Cable.co.uk em parceria com a consultoria britânica BVA BDRC.

Se por um lado estamos bem quando o assunto é conectividade, o estudo do BrazilLAB, Fundação Brava e Center for Public Impact aponta que ainda há vários desafios para que a tecnologia contribua para desenvolvimento do País.

O volume de dados que esse “trânsito” produz necessita de profissionais que saibam lidar com tecnologia. O problema é que, infelizmente, temos um grande desafio nesse último quesito. O estudo “Panorama da Transformação Digital no Brasil“ mostra que, ainda em 2019, teremos 160 mil vagas abertas na área de tecnologia sem profissionais capacitados para atender à demanda. Ou seja: 160 mil vagas que não serão preenchidas.

De acordo com os dados levantados, 75% das empresas afirmam enfrentar dificuldades para contratar profissionais com as habilidades necessárias. Se a proporção de especialistas na área não crescer, a modernização do País será limitada.

Soma-se a isso a ineficiência dos serviços públicos, que se reproduz no universo digital. Os cidadãos esperam processos simples, rápidos e fáceis de usar, mas não é isso o que acontece, a começar pelo design das páginas governamentais. A versão on-line, muitas vezes, é uma cópia fiel do mundo físico, com navegação difícil e confusa.

Assim, a burocracia acaba sendo transferida para o virtual. De acordo com o ranking da ONU, o País figurava em 2018 na 23ª posição no Índice de Serviços On-line, sendo o único da América do Sul a melhorar sua colocação; nove anos atrás, estava em 57º lugar.

No quesito cultural, deve-se adotar uma mentalidade de inovação e foco em fatos para mitigar riscos. Preparar agências controladoras para lidar com novas formas contratuais e encontrar meios de mudar a forma de pensar dos gestores públicos, por exemplo, são medidas que contribuem para a eficiência dos serviços entregues à população. A tecnologia veio para ficar, e temos que fazer bom uso da nossa superconectividade.

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.